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sábado, 4 de outubro de 2008

A ambigüidade do desejo


Eu tenho um desejo, tão íntimo e secreto que discorre um pecado. Na definição sobre o desejo eu me encaixei na representação filosófica, onde é uma tensão em direção a um fim considerado pela pessoa que deseja como uma fonte de satisfação. É uma tendência algumas vezes consciente, outras vezes inconsciente ou reprimida (santa definição do Wikipédia).

Porém é querer íntimo o desejo de andar por campos desconhecidos, mas o temor velado me leva a crer que apesar de toda a responsabilidade que isso me lega, não saberia reprimir a tal ponto de evitar o pecado.

O cheiro, o toque, o perfume, a tez da pele alva sobre o meu corpo, em lânguida troca de carícias. É como poesia proibida.

Como pode isso? Ambigüidade é desejo proibido com prazer consciente. Mas seria essa consciência perniciosa como paixão pela vida e suas conseqüências?

Dúvidas. Até quando?

terça-feira, 27 de maio de 2008

Relação e sardas - Tomo II


Uma trilha para ajudar na leitura - Clique AQUI.

Havia sombra nos olhares furtivos que trocávamos em momentos de tensão. Soube chegar de mansinho e acariciar meu cabelo, ondulando os dedos em uma das minha têmporas. Sorriu com delicadeza e deixou sobressair um desejo de colo. Não poderíamos, de fato, ficar sós.

Sob a tez branca e sardenta desci os meus lábios, amaciei a sua nuca e ela respondeu com o corpo. Nos abraçamos e demos um tempo ao tempo.

Comunhão íntima, intríseca, macomunada com um pouco de redenção e muito de tesão. Colocamos as mãos entre si, enquanto nos encontrava como há vinte anos. Havia felicidade e sorrisos, beijos longos e olhares cândidos, a nossa trilha sonora sempre auvidava em nossas memórias com o soar gradual dos filmes românticos.

Corpos nus, olho no olho, a respiração compassada e um balé de reações químicas, com o calor e o suor.

Ela fazia dengo e eu lhe acariciava os ombros, sob a vista das sardas linda, que tomavam suas costas, com os cabelos caindo entre os meus dedos.

Pouco depois estávamos os dois abraçados, olhandos os filhos sobre as camas, dormindo como anjos. Havia ainda uma magia que insistia em não interromper e um vasto caminho de provações a surgir.

O muro que nos apontava um fim súbito, caía, tijolo-a-tijolo, e tínhamos forças para pertencer um ao outro, sem remorsos e dores.

A vida continua pregando peças e eu só tenho a aprender. Sorrio para ela quando vejo chegar, e brinco com os olhos quando a vejo partir e ela de soslaio faz um charme com a cabeça, pois sabe que estou vendo.

Ainda estamos juntos e únicos.