Uma mensagem a cada postagem. Um ser racional em conflito com a natureza aflitiva de querer viver, conhecer e se aventurar. É um mundo cruel, uma vida rápida, amigos passageiros e os filhos crescendo. Transmixxx - uma união de conceitos que pode representar nada ou alguma coisa. Quem decide essa dúvida? Eu mesmo. Leia e curta, é só o que peço.
terça-feira, 8 de abril de 2008
Momento I
sábado, 29 de março de 2008
Tragédia Viral no Rio

Eu estou acompanhando essa tragédia que ocorre no Rio de Janeiro em relação à dengue e, juro por Deus, não me surpreendeu. Não quero parecer frio, insensível ou reacionário quanto a minha postura em relação ao que ocorre. Mas, sejamos sinceros, me atendo aos estudos dos pesquisadores Fernando Martins e Terezinha Castiñeiras, posso dizer que o que ocorre é uma tragédia enunciada. No Brasil, estão circulando os vírus 1, 2 e 3. O vírus 3 foi isolado no Rio de Janeiro em 2001, apesar de ter entrado na cidade um ano antes. Hoje, o estado vive a sua quarta epidemia, o que corresponde ao vírus 4. Implacável, agonizante e muito triste.
Mas de quem é a culpa mesmo?
Uma cidade como o Rio de Janeiro, feita de beleza turística, em contraste com suas favelas, periferias miserentas e pouca consciência social em relação a doença - quem realmente se preocupa com as conseqüências diante da pobreza, violência e tráfico de drogas? O pobre? O trabalhador que acorda às 03h00 da manhã para chegar no serviço às 07h30?. Sei não. Quem sabe o Município, através de um suposto "doido" chamado César Maia. Será? Acho que não, olha o caos na saúde carioca com essa devastação causada pelo Aëdes aegypti, que se proliferou em todo o estado através da falta de saneamento básico e de uma política efetiva e eficiente sobre a conscientização no combate à dengue, como deve ser feita.
Oras, não é só governo que trabalha nisso, a própria população precisa sair do comodismo de querer que as coisas se resolvam só depois da merda feita. Quantas crianças morreram, quantas vítimas morrem por dia, por hora. A contagem de corpos causada pela dengue é um espanto de negligência mútua, estado e população.
O mosquito trasmissor prolifera-se dentro ou nas proximidades de habitações (como casas, apartamentos, hotéis, pousadas, etc) em qualquer tipo de água parada, esteja ela relativamente limpa, que pode estar concentrada em caixas d'água, cisternas, pneus, vasos de plantas, cacos de vidros, latas, etc. O que custa manter cuidados para erradicação do Aëdes aegypti se não cortar a sua fonte de proliferação. Realmente, é muita falta de consciência, mas também, morando no Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, com sua mescla de beleza e violência, riqueza e miséria, em proporções desiguais, quem de fato vai realmente se importar?
Ressalto, baseado nas pesquisas dos dois mestre citados acima, que o único modo possível de evitar ocorrência de epidemias e a introdução de um novo tipo do vírus do dengue é através do controle do transmissor, o mosquito. O que, de fato o Rio de Janeiro não o fez.
Olha, eu sei que vai ter muita gente (até parece) reclamando desse post, pois foge da proposta do blog, mas, eu não aguento, eu sou jornalista e me revolto com algumas situações que transformam esse país num imenso circo de interiores, onde a lona é mais remendada que cueca proletária.
Vou deixar aqui embaixo alguns tópicos da pesquisa de Fernando Martins e Terezinha Castiñeiras, que é alta literatura - meus queridos, leiam, vale a pena (preste atenção no que eles falam sobre a proliferação da doença no Rio de Janeiro, atualmente o estado passa pela fase do vírus 4):

"Cerca de dois bilhões e meio de pessoas vivem em áreas de risco de transmissão de dengue e a doença é endêmica em mais de 100 países de todos os Continentes, com exceção da Europa. A Organização Mundial da Saúde estima que, no mundo, ocorram entre 50 e 100 milhões de casos, resultando em cerca de 500 mil internações e 20 mil óbitos por ano.
No Brasil, a erradicação do A. aegypti na década de 30, levada a cabo para o controle da febre amarela, fez desaparecer o dengue. No entanto, em 1976 o Aëdes aegypti foi reintroduzido no Brasil, definitivamente, em Salvador (BA). Em 1981 ocorreu uma epidemia de dengue (vírus 1 e 4) em Boa Vista (RR) e, atualmente, a doença é registrada em todas as regiões do País. No Rio de Janeiro ocorreram três grandes epidemias, em 1986-87 (vírus 1), 1990-91 (vírus 2) e 2001-02 (vírus 3), totalizando mais de meio milhão de casos."
Concluo escrevendo, uma vergonha!
domingo, 23 de março de 2008
Canção e melodia - I

Foi uma fagulha que trepidou um dia em minha vida. A primeira vez que ouvi sobre essa banda escocesa, Belle And Sebastian, foi num programa alternativo que passava de madrugada na MTV. Depois a gravadora Trama programou uma série de lançamentos de CDs da banda. Comprei todos os possíveis, até singles e EPs. Cada canção uma surpresa. Seria capaz de listar algumas bandas e artistas que estão referentes em cada canção, de The Smiths à Bob Dylan, dos estilos variados que se almagamavam com singular paixão, do tradicional folk celta, passando pelo lounge, pela bossa nova, pelo indie-rock manchesteriano, o jazz e a polca. Enfim, uma banda com um grande diferencial nos dias de hoje.
Coloquei como referência para quem quer iniciar ouvindo as canções do B&S esse EP (no formato de CD), lançado em 1997, e que integrou um pacote charmoso e muito interessante, com o mesmo título. Acima a capa é a original do EP (EP, ou Extend Play era saudado na época dos discos de vinil como um LP com quatro canções curtas, duas de cada lado, ou seja, não era compacto e nem mesmo um LP completo), abaixo a capa do pacote onde este CD está integrado.

Além de "Lazy Line Painter Jane" acompanhava os CDs: "Dog on Wheels" e "3.. 6.. 9 Seconds Of Light".
O "Lazy..." tem uma das capas de discos mais bonitas que eu já vi, até mesmo porque a cor magenta chapada com o preto tem uma combinação fantástica, ainda mais com a imagem forte da figura solitária e meditativa. Os óculos seguros pela mão direita sobre o joelho, onde descansa um livro é um retrato oniscente na minha vida.
As canções completam a beleza do disco, além da poesia fraterna e urbana das letras, sempre referentes a pequenos dramas banais do cotidiano, o vocal e os arranjos são caprichosos e contam com uma linda variação de melodia. Trafegam com habilidade entre o pop e o folk, com pitadas de eletrônico e rock. Tudo tão alvejante e especial. A faixa-título tem a participação de Monica Queens - no encarte diz que ela foi especialmente convidada para gravar a faixa, não sei o que isso significa, pois não a conheço, mas deve ter o mesmo efeito de um Cansei de Ser Sexy (comparação idiota minha viu, ignorem) chamando a Fernanda Takay para um dueto.
As outras faixas que completam o lindo CD são: "You Made Me Forget My Dreams" (quase uma canção de ninar, com um final surpreendente), "Photo Jenny" e "A Century Of Elvis".
Para quem quer iniciar nas canções da banda esse é o CD. Para mim, como fã, tem um valor inestimável, tanto quanto outros trabalhos maravilhosos e que fazem meus dias de intelectual mais felizes. Para quem quer saber mais a respeito do que eles fazem, clica AQUI.
Abaixo o vídeo da canção:
sábado, 22 de março de 2008
Alguém do meu lado

Foi intenso. Teve início no sofá, em meio a uma sessão de um filme "romântico" - assim indicava a capa do DVD. Estávamos com biscoitos e sucos. A luz apagada e somente a imagem da TV tirando a nossa atenção. Então em uma determinada cena ela deu uma leve estremecida.
NA TV
Ele chega por trás dela. Camisa de algodão justa, cabelos ensebados e puxados para trás, com fios milimetricamente arrepiados na franja. Ela entregue, com os longos cabelos negros caindo pelo ombros e o decote do vestido vermelho deixando boa parte de suas costas nua. Ele então encostou seus lábios na nuca dela e a sua língua salientou sobre o volume, contornando com carinho os músculos do trapézio dela. Um arfar de desejo mais saliente. A câmera realiza uma troca de cortes sugestivos. Os lábios dela umedecidos, os olhos caídos, os pêlos arrepiados.
Ele alisava os braços dela com excitação enquanto beijava o pescoço e encostava sua pélvis na bunda.
Comprimia vagarosamente o volume de sua pélvis no contorno saliente no rego das nádegas dela, que estavam comprimidas no vestido justo. Ela levantou o pescoço jogou os cabelos no rosto dele e comprimiu os lábios enquanto gemia baixinho.
Dos braços ele passou para a barriga dela, alisando com carinho e desejo, até que uma de sua mãos se enfiou por entre a fresta lateral do vestido e encontrou o fio lateral da calcinha. Os dedos passearam enquanto catavam o volume liso e aveludado sob a calcinha. A penugem alourada das coxas estava arrepiada.
As mãos dela procuravam alisar as coxas e bunda dele, num frênesi de desejo. Ele então a virou de frente e ela estava entregue, lhe ofereceu a boca. Com a barba rala, encostou a sua face na dela e levemente arrastou até encontrar a sua boca na dela. As língua se encontraram e as bocas se esfregavam com paixão.
-
DE VOLTA AO SOFÁ
Senti um calor rarefeito sobrepor a ventilação natural que saía da janela. Ela estava bem atenta à cena. Coloquei outro biscoito na boca e agora era eu que não desgrudava os olhos da TV. Então, sua mão posou sobre a minha coxa e eu a olhei diretamente. Ela continuou prestando atenção na cena e a sua mão deslizou para cima e para baixo em cima da minha coxa. O meu pênis avolumou sob a calça jeans e ela então me olhou.
Fiquei estarrecido olhando diretamente em seus olhos, ela deu um sorriso sem graça e teve a intenção de tirar a mão imediatamente. Fui mais rápido. Segurei a sua mão e a comprimi sobre o meu volume. Ela suspirou e deixou a mão pousada por alguns segundos. Já não olhávamos mais para o filme.
Ela então comprimiu com força a sua mão em cima do meu volume e senti um dor fina na uretra, como um choque elétrico.
Eu me aproximei dela e ela tocou os meus lábios com a outra mão.
- Sem beijo, por favor!
Nada disse, beijei a sua testa e acaricei os seus seios. Ela então me puxou para o quarto ao lado da sala.
- Vem. - Me disse.
Tirou a roupa e deitou na cama que ficava ao lado de uma grande janela com persianas. Percebi então que tinha um piercing no umbigo. Ela deitou de lado e deu um grande sorriso.
Fiquei encantado com a sua pele branquinha e os cabelos castanhos pousados sobre um dos braços que segurava a cabeça no que parecia uma pose de retrato. De imediato tirei a minha roupa e deitei próximo a ela, onde beijei os seus seios, mordiscava os bicos e descia a língua comprimindo num carinho que contornava a auréola e o volume dos dois seios.
Ela gemia e com os olhos fechados acariciava os meus cabelos empurrando minha cabeça para baixo. Compreendi a sua intenção e fui beijando toda a extensão de seu abdômem até chegar a pélvis. O cheiro de sexo era intenso e vislumbrei a sua penugem castanha, que acabou sendo sugada por minha boca.
Comprimi a minha língua sobre a fenda rosa, abrindo levemente os grandes lábios da vagina. O sumo claro molhou minha língua e a acaricei por sua extensão, sugando os pequenos lábios e concentrando a ponta da língua em um duelo com o seu grelo. Ela segurava a minha cabeça com força e comandava a velocidade da chupada que lhe dava.
- Isso é tãooooo booommmmm... Boooommmmm... Faz, continua... Faz, não pára, não pára, por favor, por favor...
Fiquei poucos minutos naquela posição, maltratando a sua vagina com linguada e mordidas nos lábios, mas pareciam longos, eternos diante do prazer de tudo aquilo. O gosto dela na minha boca, o inchaço de sua vagina que parecia um grande e suculento morango. Era linda, linda demais para eu compreender o desejo intenso que sentia por cada milimetro de seu corpo, ali, entregue, lânguido e macio. Uma dádiva que me transformava em objeto e homem, macho e paixão. Na verdade, o entregue ali era eu.
Quando percebi que ela estava pronta a ter um orgasmo, subi rapidamente e introduzi com cuidado. A louca me virou de costa e subiu em cima de mim, cavalgando com volúpia. A imagem era das coisas mais lindas que já tinha visto no mundo. Os cabelos balançando a cada estocada que eu dava e ela bailando o quadril. Ela sorria, gemia e me oferecia os seios para serem sugados, o que eu fazia com um desejo fora do normal. Podia sentir cada centímetro de sua vagina comprimir o meu pênis, o gosto saliente de seu suco em minha boca e provocando uma intensidade de gozo que eu jamais pensei em sentir novamente.
Ela então parou por um instante, comprimiu a musculatura da vagina e o meu pênis sentiu cada contração. Eu estava no paraíso e ela gozando feito uma louca. Balançava o quadril e fazia círculos em torno da minha cintura até que caiu sobre mim dando um gemido bem alto e virando para o lado, se afastou de mim para outro canto da cama. Ela então se encolheu na posição fetal e figou um tempinho gemendo e rindo baixinho, enquanto o seu corpo parecia sofrer tremeliques.
Ela virou para mim com um sorriso de satisfação e beijou a minha mão.
- Que loucura! - Disse.
Eu fiquei estarrecido e feliz ao mesmo tempo em vê-la tão relaxada e alegre. Demos um tempinho nus. Ela então pegou sua máquina fotográfica digital e me pediu que eu tirasse uma foto sua, do jeito que estava. Extasiada, dengosa, manhosa, feliz e nua.
Não a contrariei e a sessão de filme ficou para outro dia mesmo, pois aquele filme "romântico" já havia sido apagado de nossas memórias.
A escrota

Porto Velho é uma cidade escrota. Quase todo mundo do Sul e Sudeste acha que ela fica em Roraima (RR), como os telejornais gostam de citar, em casos de lapso. Eu morro de rir quando vejo um William Bonner (Jornal Nacional/Rede Globo) ou Carlos Nascimento (Brasil Urgente/SBT) se referirem errado a capital de RONDÔNIA (RO), mas, enfim, apesar de ver a revolta de quem nasceu aqui ao deparar com um erro grotesco dessa natureza, tenho que escrever obrigatoriamente que Porto Velho é uma cidade escrota.
A capital centraliza a sua economia no salário do funcionalismo público e diante da sua fauna habitacional existe um abismo gigantesco entre a elite e a marginália, como ocorre em grandes centros, mas o diferencial e que essa dualidade social vive próxima demais, por isso mesmo o índice de violência é surpreendente - que o diga a zona Leste da cidade, o perímetro mais violento da região.
A olho nu a visão romântica que posso tirar de morar há mais de trinta anos aqui é a praticidade de alguns prazeres de consumo da cultura pop - leia-se revistas (Histórias em Quadrinhos, é claro), livros, cinema, CDs e amigos bem particulares.
Se encontro quase tudo que necessito para o meu deleite de colecionador de "gibis" na Revistaria Central, posso ater o meu consumo literário com um livraria no Aeroporto, onde lançamentos recentes se misturam a coletâneas. Como "rato" de sebo, ainda posso recorrer à Central, onde tem um sebo de livros, DVDs e CDs muito, muito interessante.
Até a chegada dos dois shopping centers monstruosos que devem ser inaugurados até o fim desse ano, dá para se contentar com os dois únicos cinemas da cidade, o Cine Rio e o Cine Veneza. Quebra um galho, mas nada de extraordinário. A programação de filmes ainda é muito infeliz. Apenas blockbusters, comédias, infantis e outro tanto de filmes românticos.
Mas o interessante é o universo de perdição que pode ser encontrado na cidade. Se de um lado você pode vislumbrar a fascinante história da lendária Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, onde há uma guerra velada entre os cultuadores da velha "maria-fumaça" e o modernos restauradores de patrimônio, de outro o ar moderno está em uma grande concentração de veículos e o inchaço da população na parte central, ainda que a cada ano surja invasões que se transformam em novos bairros periféricos.
Ah sim, tem as usinas do rio Madeira, que devem elevar o nível de vida da capital. "O horror, o horror", como diria o personagem de Marlon Brandon no filme "Apocalypse Now", de Francis Ford Copolla. Elevar no caso seria aumentar os problemas corriqueiros de intolerância social entre a marginália e a elite, para um nível desproporcional e ainda sem medição perspecto-futura. Só vivendo no tempo certo saberemos o que de fato significa uma cidade cercada por usinas e shopping centers.
A olho nu, vejo que estaremos na rota do consumo empresarial e na medição lucrativa das médias e grandes corporações, que enxergarão em Porto Velho como um novo e renovado Eldorado.
Para mim, como jornalista e consumidor ativo de cultura pop, creio que teremos anos de grande revolução. Se será positiva, definitivamente só o tempo poderá esclarecer.
Mas que Porto Velho é uma cidade escrota, ah, isso é sim.
sábado, 15 de março de 2008
Um tema para cada momento
As lembranças são motivadas por emoções variadas, as nostálgicas são quase sempre as melhores, pois trazemos amigos, momentos, vitórias e decepções para o campo de visão sensorial. Eu sempre vou colocar um fragmento de frase que eu poderia definir como um epitáfio e serve como um prazer intenso para me colocar nesse momento: "a brisa fria que entra pela janela, no fim da tarde".
Não tem jeito, vez ou outra, em textos mais emotivos ou nostálgicos, essa frase sublima minha inspiração (não mais tão inspirada). Portanto me perdoe se ela parecer vez ou outra em alguns textos e você ter aquela sensação de que já leu isso em algum lugar, definitivamente sou eu divagando em segundos e retratando isso com "a brisa fria que entra pela janela, no fim da tarde".
Esse é um tema recorrente que permeia meu gosto musical e que sem perceber contamina minha visão romântica de uma vida que sempre busquei.
O que segue abaixo é um momento idílico de uma linda fase que passei e superei, mas tá guardada na minha memória como uma brisa fria que entra pela janela, no fim da tarde. (Heheheheeh... Me desculpe, foi inevitável)
segunda-feira, 10 de março de 2008
UM ATO - HUMANOS 01
Um extenso corredor acolhido por uma sucessão de janelas de vidro, do lado oeste do velho prédio de apartamentos. Na vista panorâmica, o Sol se põe em luzes amarelas cintilantes, enquanto sombras em cinzas rebatem as colunas que cruzam o corredor.
Ela surge correndo, não escondendo o choro. Apreensiva, quase em choque. Maquiagem sóbria, sobre um curto vestido de veludo azul marinho, cabelos soltos e saltos de agulha estalando no piso de taco.
Ele então, remoendo um sentimento de culpa lacinante, morde os lábios e sente a culpa invadir sua razão causando uma mistura de sentimentos que ele mesmo ainda tenta decifrar em tão pouco tempo.
(Uma música para acompanhar e volte ao texto, se não perdes o fio da meada)
http://br.youtube.com/watch?v=NmoE8_U-JTw
O vento entra pelas basculantes grandes das janelas de frente ao corredor. Ela pára por um momento e suspira. Parece tonta.
Ele chega no início do corredor e sente a pressão ao vê-la tão desprotegida.
Caminha sério, ansioso e ele então percebe que ela sabe que ele está chegando. A verdade havia sido descoberta.
ELA - Eu nunca entendi sabe... Não sei como pôde.... (Suspira dolorido)
ELE - (Silêncio)
ELA - (Ainda de costa) Não existe uma maneira menos cretina de você acabar tudo isso sem me machucar?
ELE - (Chegando sem jeito) E-eu não queria que fosse dessa forma...
ELA - (Virando de frente para ELE) E mente de forma tão convincente, fingindo se importar agora com o que eu sinto.
ELE - (Abaixa a cabeça) Eu sinto muito, sinto de verdade, mas eu não posso prosseguir com algo que vai piorar daqui algum tempo... Eu queria poder mudar tudo, dar um giro pra trás no tempo e fazer tudo ser diferente... Mas, mas... eu não posso. (Resigna-se)
ELA - (Olha diretamente para o rosto dele) E pensar que poderíamos ter um mundo inteiro em nossa volta como testemunha de um sonho que estava próximo de se tornar realidade, mas você precisava ter feito o que fez? Precisava?
ELE - (Olha para ELA e depois ergue a cabeça em reflexo, para em seguida dar um suspiro baixo) Eu agi errado...
ELA - (SILÊNCIO)
ELE - Tudo o que eu falar não vai justificar o que eu fiz e sei que não foi culpa sua.
ELA - Eu sei disso e não aceitaria nenhuma palavra sua pelo que fez.
ELE - Olha foi algo mal-sucedido, um jogo cretino de palavras e egos.
ELA - (Com raiva) E eu era o prêmio? De forma tão cretina eu era o prêmio?
ELE - (Impassível e relutante) Sim.
ELA - (Enxuga as lágrimas e vira o rosto) Não deveria estar assim e me sentindo tão fragilizada, mas posso dizer que você fez o seu trabalho direitinho, parabéns.
ELE - Desculpe.... Sério... Me desculpe.
ELA - (Se virando e distanciando dele) Vai embora! Vai... Não preciso de desculpas. Daqui à pouco você sentirá piedade e vou mandar você se foder.
ELE - Eu errei muito...
ELA - Quer se sentir bem, procure um padre e se confesse, se tiver um pingo de respeito pelo próximo me deixe em paz.
ELE - (Parado, mexe a boca e olha com desapontamento) Ainda não sei o que houve de fato, mas eu vou sentir a sua falta.
ELA - (Volta com raiva, dedo em riste próximo ao nariz dele) Não faça isso, não seja mais idiota, imbecil do que já foi. Não substime minha inteligência e nem minha dor.
Ela dá as costas e caminha firme, ergue a cabeça e os últimos raios do sol ainda teiman em invadir o extenso corredor que leva até a porta de seu apartamento. Ela então pára por um momento, pega a bolsa e abre, pega um envelope branco e joga para o alto. No percurso da brisa o envelope flutua pelo espaço até cair aos pés dele, que permanece parado observado tudo.
Ele pega o envelope abre e retira a foto.
Ela então dá um sorriso valente, engole o resquício de choro e entra em seu apartamento.
Ele olha a foto e focaliza o seu momento de intimidade com o namorado.
Enfim, ela acabou descobrindo a verdade. Ele, perdido a aposta, pois se importou de fato com o sentimento dela. Pela primeira vez uma mulher havia balançado o seu íntimo.
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