sábado, 3 de janeiro de 2009

RETRÔ – Um ano e tanto...


Esse foi um ano e tanto na minha vida. Poderia enumerar enes emoções fortes que passaram pela minha cabeça, entre tantas merdas vindas de gente que não merece uma linha de menção, contrastando com outras que foram maravilhosas e me deixaram uma esperança de dias melhores.

Não temo a vida, nem a minha morte, mas temo pela vida das pessoas que amo e aquelas que admiro, pois sei que a dor da perda é incomensurável . Em 2008 ratifiquei o meu amor pela minha esposa, que se transformou não só na mãe dos meus filhos e mulher, mas minha amiga e companheira. Dividindo diálogos, entre alegrias e decepções envolvendo filhos, estudos, trabalho e pressões de doenças e stress, ainda assim conferindo a magia (boa) de uma relação que durante anos navegou como uma nau perdida até encontrar a sua direção e aportar no porto da compreensão. Uma relação de vinte anos (Meu Deus, que ela não leia isso, se não....), e ainda a amo cada vez mais.

Encontrei uma velha conhecida que se transformou numa amiga inesperada, que me assombrou com sua alegria e me contagiou com os seus segredos de menina. Até mesmo lhe homenageie com uns versinhos (estão no post aí embaixo). Espero perpetuar essa amizade que levou muito tempo para acontecer.

Um grande e largo sorriso ao meu irmão de afinidades, Humberto, que esconde na capa cearense um legítimo italiano de Bologna, que continua mais cinéfilo do que nunca e já dominou por completo o terreno do rodízio do Casa Bela. Muitas histórias do meu grande amigo.

Não prolongo o tempo de nostalgia pois esse foi um ano fudido pra mim, pois enfrentar a vida de cara limpa demanda trabalho, trabalho e trabalho. Criar filhos, estudar com eles e para eles, controlar ansiedade e buscar um espaço nesse mundo tão digital. Configurar o meu N95 para estabelecer um novo canal de vigília jornalística (Bluetooth, GPS e net) e desbravar caminhos por onde ainda não havia passado.

Ser jornalista às vezes é muito bom, ser testemunha de uma transformação cultural e social, trabalhar numa cidade onde existe uma “repovoação” por causa do êxodo empresarial e industrial causado pela Usinas do rio Madeira, que injetam um ânimo crescente e revolucionário na economia local. Que tal então vislumbrar o primeiro shopping Center do Estado – Porto Velho Shopping –, com a estrutura, capacidade e opções que um verdadeiro shopping pode oferecer – até nos preços salgados de algumas lojas e estabelecimentos que integram a praça de alimentação.

Mas foi um ano que aprendi a ver que a administração pública não é nenhum engodo, é uma enganação. Com tantas denúncias, processos ocorrendo na esfera jurídica, a administração municipal de Porto Velho continua um caos. Impressionante como ocorre acintes de natureza pública que contrariam a lógica em vista da governabilidade municipal em Porto Velho (quer saber mais, clica AQUI).

Cara, 2008 foi o ano em que o meu filho mais novo, Mateus, quebrou o braço no dia do aniversário dele, brincando no pula-pula. Foi também o ano em que o meu filho mais velho, Gabriel, descobriu o prazer da leitura com a coleção Goosebumps (série de livros de terror ficção para crianças escrita por R.L. Stine).

A minha paixão pelos quadrinhos se solidificou ainda mais com alguns lançamentos da Marvel e DC, mas, por incrível que pareça, eu que sou Marvete desde menino, me deliciei mais com os lançamentos da DC, ainda que seja só os encadernados – a coleção Crônicas de Batman e Superman, além da fase do desenhista Neal Adams com o Homem-Morcego, que saiu num encadernado de capa dura. Mas Marvete é Marvete, a saga “Guerra Civil” envolvendo os super-heróis da Marvel foi algo surpreendente, apesar de eu achar que o último capítulo da minissérie poderia ter um impacto maior, não desmerecendo o trabalho do roteirista Mark Millar (estou na expectativa que a editora Panini lance logo o encadernado de Os Supremos Vol. 2, de Millar e de Bryan Hitch – Os Supremos Vol, 1 foi para mim o melhor gibi da década, que nem acabou ainda). Mas o ##mais surpreendente de tudo foi ver o roteirista Ed Brubaker matar o Capitão América, um ícone dos quadrinhos, com uma singularidade de história espetacular, pois a força das ações e das conseqüências do que foi a Guerra Civil resultou numa combinação exemplar do que ele, Brubaker, já vinha fazendo na revista solo do Capitão. Surpreendente mesmo.

Se tivesse que escolher escritores de gibis que me fizeram alegria esse ano poderia descerrar um leque de gente talentosa, como Brian Michael Bendis (que ao lado do Mark Millar, continua sendo a força motriz da Marvel, ótimos momento com ultimate Homem-Aranha e Os Vingadores), Millar (“Guerra Civil” tem seus momentos incríveis, apesar do final chocho – Capitão América entregando os pontos na luta final para o Homem de Ferro, foi phoda de aguentar, mas olha só que manipulação escrota que leva o leitor a torcer pela minoria perseguida no épico, contrária ao registro de super-heróis), Joss Whedon (o criador de Buffy, que mandou muito bem no seu período na Marvel, será que algum fã dos X-Men vai esquecer as suas duas temporadas a frente dos super-heróis mutantes? Astonishing X-Men foi o grande gibi mutante dos últimos anos), Geoff John (caramba, o cara sabe tudo da cronologia da DC Comics, sem contar que ele é o maior talento da editora a frente de títulos e personagens icônicos como Super-homem, Lanterna Verde e Sociedade da Justiça. Espero que ele nunca saia da DC, pois é ainda um dos poucos que me fazem querer ler o que a editora tem publicado, que o diga a saga dos anéis do Lanterna Verde - fantástica), Grant Morrison (esse escocês é foda, escreve muito, mais quantidade que qualidade, mas, convenhamos os 12 gibis de “Grandes Astros - Super-homem” são brilhantes - em especial a de número 10 -, apesar de detestar maxissaga “Os Sete Soldados da Vitória”) e J. Michael Straczynsky (polêmico escritor que fez do Homem-Aranha um laboratório de experimentações radicais, por vezes indigesta e outras brilhantes, mas, convenhamos, o cara tem que ter muito culhão para fazer o que fez com o herói aracnídeo no arco Um dia a mais” - One Moore Day -, fazer um trato com Mefisto e apagar da memória a relação com Mary Jane, trazendo de volta sua identidade secreta e voltando a utilizar o recarregador de teias, substituindo a teia orgânica – só os fãs puristas passaram incólumes por essa mudanças).

Entre os artistas não tem muito o que falar das artes fantásticas de Ivan Reis e Frank Quitely (DC) ou de John Cassaday, Mike Deodato, Steve McNiven e John Romita Jr. (Marvel).

Para fechar esse tópido de quadrinhos só posso dizer que o mix do ano para mim foi, definitivamente, “Pixel Magazine, ler o maravilhoso material do selo Vertigo e da Wildstorm num único gibi é fantástico.Planetary, de Warren Elis e John Cassaday foi uma experiência radical. Que conceito! Que histórias! Que arte!

Nos cinemas vou fechar com o filme que me trouxe um raio de luz nas adaptações de quadrinhos, O Cavaleiro das Trevas, foi das melhores coisas que eu vi esse ano. Se alguém negar a interpretação fantástica de Head Ledger ignore.

Na TV eu não vi quase nada que de fato me interessasse, até mesmo pela falta de tempo, pelo espaço pouco me dado pelos meus filhos, que monopolizam a TV. Mas, vá lá, a novela A Favoritame surpreendeu, tenho que tirar o chapéu para o João Emanuel Carneiro. Não esperava grande coisa não, mas as viradas e ganchos foram bem sacados e, convenhamos, deste quanto tempo tínhamos uma vilã tão fria, inteligente, louca e cativante como Flora (Patrícia Pilar num de seus grandes momentos da TV, deve ganhar todos os prêmios da crítica). Rever a tediosa, mas linda Pantanal”, foi constatar que a Manchete fez história na TV brasileira. Mas os meus programas favoritos, infelizmente não passam na TV aberta, portanto o meu canal favorito esse ano foi o Discovery Channel, com os programa “À Prova de Tudo” – fico imaginando o que é que ainda falta o ex-mariner
britânico
Bear Grylls, em sua cruzada solitária pelo mundo, comer de diferente?

Livros, comprei um monte, me pergunte quantos eu li. Humm. Pois é, só um terço do que adquiri, cerca de cinco e para piorar (no bom sentido), três eram do Charles Bukowski, que fazem parte da coleção Pocket Book da L&PM. Claro, fora coletâneas como “Os 1001 Discos...”, “Os 1001 Filmes...”, “Dicionário do Cinema”, livros teóricos de quadrinhos. Enfim.

Mas foi um ano bacana, chato, alegre, de descoberta, auto-descoberta, sorrisos, lágrimas e tudo girando em volta da diversão, do lazer, da família e do trabalho. Espero que para 2009 encontre o dobro do prazer que eu tive em 2008 e menos das tristezas que sofri. Mas creio em Deus, na paz soberana e que nem todas as mortes trágicas (Santa Catarina, Faixa de Gaza, Iraque, Darfur, entre tantos) sejam motivos para que eu fique mais estarrecido com a (falta de) humanidade pós-início do século 21. Só lembrando, a temperatura no planeta aumentou mais um grau.

Transcomopolitanationmix volta a qualquer momento.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Seu sorriso, um coração de desejo...



Não havia medo por trás daquele rosto comprimido contra o travesseiro. Os olhos fechados e o pensamento envolto no sorriso tão sincero. Ela regurgitou seus pensamentos e não quis fugir do destino fácil de não estar assim tão só. Ele persistia, os lábios abertos, com o sorriso que parecia que aguardava já há algum tempo. Ela nada dizia, mas sentia no íntimo que havia algo provocando sua intimidade e chamando sua atenção.

Ainda encanto. No seu canto de pensamento, deitada, sobre a meia luz de seu abajur, ela se deixou levar por suas palavras. Não havia promessas, mas compreensão e dedicação em ouvi-las. 

Não havia lágrimas ou falsos risos. Uma tez retessada pela expectativa do carinho que sempre aguardou, ou ainda o hálito quente de menta que invadia suas narinas, deixando um ar limpo em sua volta. Tão necessário, tão bom. Podia macular seus pensamentos e conduzi-los por caminhos onde antes nunca havia andando, ainda assim parecia tão pouco diante da vida que queria almejar para a sua felicidade.

De imagens nítidas, sons audíveis como romance secreto. Uma música suave... Um copo de vinho... A nudez comprimida no ar, envolta em uma dança de sonhos e encantos. Parecia tão distante, mas também tão próximo. Os gestos delicados, mas ao mesmo tempo bruscos, e tudo parecia absolutamente normal, como poesia em noite de lua cheia.

Algo tão doce, terno, desnudo em uma selvageria controlada, seduzida, espontânea e linda, como é ela.

- * - * -

Ele era eu... Ela era você... Havia nós, um mundo de descobertas, um desejo contido... Um pecado riscado em nossos cadernos, ainda que os lábios comprimam a cada chamada, cada toque, cada suspiro... e teu corpo junto ao meu... em dança lenta, sob a fluidez da brisa morna de uma noite muito quente.

Havia o branco de sua pele, os cabelos escapando de minhas mãos, próximos da tua nuca... A maciez, o perfume e tanto o que sentir ainda com os olhos cerrados, na viagem que parece eterna de um sonho sem fim. Só eu, você, o tempo estagnado e a descoberta de que nunca é tarde para se ter uma amizade tão próxima, quente, pura em pecado, saliente em desejo, diluta em fibra madura, como corpos celestes numa explosão de energia e vibração.

A vida tem dessas surpresas... O coração não prepara terreno para o inesperado... E nem sempre o que podemos enxergar seja de fato a realidade. É tudo uma questão de pele, da minha na sua, de nossos signos combinarem... De olhos tão próximos, furtivos, evitando encarar para que as faíscas não firam outros em nossa volta.

Ainda assim eu fico com o seu sorriso, tão juvenil. Ainda assim fico admirado com o seu coração, tão similar ao meu, e, enfim... Nem tudo é o que parece, mas no fundo, sinto que nossas vidas se entrelaçam num encontro almejado há tempos, como o destino um dia nunca previu, mas sempre esteve à nossa frente. 

Eu, você; um nós, um tudo, um mundo novo, inteiro, nosso, a descobrir, preservar e amar. 
Afinal, sabemos que apesar do atraso, fazemos parte da vida de um e de outro...

Sempre juntos... 

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Por um amor menos profundo que os sonhos buscam no pecado...


Vernaculum obsessis II (70107)

"Não vou te mandar notícias não...Elas envelheceram comigo dentro da impiedosa extensão do meu tempo.Simplesmente isso..." – Sônia Pallone




Em algum tempo perdido de 2002...

Descobri o lençol e com uma preguiça desmedida caminhei trôpego até a janela. Abri a cortina e senti as primeiras manhãs do sol no rosto. Meus olhos se irritaram e então compreendi que não estava só.

***

Senti a boca ressecada e me lembrei dos seus cabelos balançando em meu rosto, seguindo os movimentos do vento na beira do píer, defronte a um rio caudaloso e límpido.

Ela encostou sua cabeça no meu ombro, suspirou levemente o ar frio do final da tarde, e senti cada pulsação sua como tivesse o dom de um ouvido hipersensível. Cada passo de sua dor que parecia finalmente não se conter mais. Ela fingiu um sorriso pra mim e retribui com um carinho no seu rosto, tirando os fios de cabelos da sua testa.

- Você já sentiu isso? – Perguntou.

- Senti o que?

- Essa sensação de que você tem todos os seus melhores amigos a sua volta, família e ainda assim se sentir só. – Lamentou.

- Sim, sempre... Mas...

- Isso não é ruim? Parece trazer uma melancolia que me leva a questionar se realmente ter amigos em minha volta, enquanto pareço idiota, eu os mereço.

- Olha, mas a vida assim mesmo, são momentos, fases que passamos e que temos que vincular sentimentos contraditórios com aquilo que está ao nosso alcance. Eu penso que é porque você tem uma carência afetiva muito grande.

- Como assim contraditório? Não entendi.

- Esse paradoxo que você me passou, de estar cercada de gente que gosta de você e te faz sentir bem e, ainda assim, achar que falta algo mais que não a deixe tão só.

- Ah, nossa eu sou complicada...

- É não, é só humana demais... Eu acho que te falta um romance.

Ela sorriu pra mim e balançou a cabeça, voltando-a ao meu ombro.

- Não chego a tanto, mas um pouco de emoção mundana já resolveria o meu problema. – Disse, sem pudor nenhum, com as palavras firmes das quais só amigos de longa data se permitem segredar.

Eu olhei para ela e depois para o pôr-do-sol que criava à nossa frente, dei uma risada espontânea e ela continuou olhando o rio, compenetrada.

- Acredite em mim quando eu digo que você merece mais do que isso, vá por mim.

- Eu sei... Falei por falar, só isso.

Mais tarde estávamos no bar tomando algumas tequilas e ela se engraçou com um playboy, bem artificial. Ele pareceu se sentir atraído por ela. Correspondeu o seu sorriso e deu uma piscadela. Típico do idiota que a gente encontra aos montes nesses bares da moda. Eu olhava pra ela com certa incredulidade, mas ainda assim ela me olhava com um ar transtornado.

- Por que não? – Me questionou se referindo ao "almofadinha".

- Realmente, por que não. É bonitão, veste bem, cabelo da moda, ar blasé, deve cheirar pra caralho e tem um carro zerado estacionado em algum canto aí fora.

- Você é um idiota sabia, reduz meus flertes a observações capiciosas.

- Opa, desculpe, não tá mais aqui quem falou.

Tomei uma última dose e a vi saindo do meu ninho protetor indo direto para as garras do gavião. Eram só sorrisos, os dois. De longe ela me acenou com um polegar positivo. Algo do tipo para me avisar que ele era um cara legal.

"Bom pra ela, melhor pra ele." – Pensei.

Paguei a conta e tentei acenar um adeus pra ela. Mas me ignorou por completo, estava fumando o mesmo cigarro que ele. Fui embora.

Cheguei em casa e todos já estavam dormindo, passei no quarto dos meus filhos e os dois estavam enrolados nos lençóis, cada um em sua cama e o meu mais novo abraçado com um cachorro de pelúcia que tinha quase o seu tamanho. Vislumbrei-os por alguns minutos e me retirei para o meu quarto.

Quando estava tirando a camisa o meu celular tocou, era ela. Do outro lado da linha um soluço curto e depois uma voz embargada me pedia socorro.

Peguei o carro novamente e voltei ao bar. Ela estava na frente me esperando, com os braços cruzados, caracterizando um desamparo comovente. Desci do carro e a abracei.

- O que houve? Quase não entendi o que você falou no telefone.

Ela nada disse, só pediu para levá-la embora daquele local. Eu tinha certeza que o playboy tinha aprontado alguma com ela, mas não me deixei levar pela piedade, se ela procurava algo com ele e se deu mal, não foi a primeira vez e nem foi por falta de aviso.

No carro, já seguindo até sua casa, ela me pediu que levasse pra minha, pois não queria dormir sozinha. Achei estranho, mas não a questionei. Ela então disse:

- Ele não fez nada, eu é que não entendo minha cabeça e me vejo sempre fazendo alguma merda. Percebi que posso ser um pouco melhor comigo mesma e acho que fui grossa com você.

Passei minha mão pelo seu rosto com um carinho de pluma, medindo o gesto para não parecer tão expansivo e sorri.

Levei-a até minha casa, entramos sorrateiramente no meu quarto e liguei o ar-condicionado. Ela então sentou na minha cama e meio sem graça disse que estava com sono, mas se ela quisesse conversar, bom "tudo bem".

- Eu também quero dormir. Faz o seguinte, aja como se eu não tivesse aqui e faz tudo naturalmente.

- Ah tá, fácil dizer isso pra você que é mulher, mas eu sou homem, a coisa é um pouco mais complicada.

Ela riu baixinho e me olhou com um ar de gaiata.

- Tá com medo de mim? De que eu te seduza?

Olhamos um para a cara do outro e começamos a rir, tentando conter o barulho. "Que adorável amiga maluca é essa que eu arranjei?".

- Tem um pijama meu aí em cima da cômoda, veste ele que tá limpinho e vamos dormir. Você não existe, sabia? – Retruquei.

Ela foi até o banheiro e se trocou, quando voltou eu já estava arrumando alguns travesseiros no chão e um cobertor.

- Eu vou dormir aí no chão contigo? – Ironizou.

- Muito engraçada, muito mesmo. Não, eu é que vou dormir aqui embaixo.

- Esquece isso, vamos dormir na mesma cama, eu preciso de um amigo, de um ombro largo e muito amigo.

Nada respondi, ri da sua inflexão ao fazer a proposta e deitei, logo ela deitou do meu lado e virou-se pra mim.

- E aí, nós já nos conhecemos? – Brincou.

- Não, mas podemos dar um jeito nisso.

- Como?

Eu beijei sua testa e disse: "Boa noite!"

Ela beijou o meu rosto e retribuiu o "boa noite", em seguida apaguei a luz do quarto e me virei. Ela dormiu logo e aproveitei o momento para ligar para sua casa. Falei com o seu irmão, expliquei que ela estava comigo e como já éramos amigos ficou tudo resolvido.

Era uma situação estranha, mas eu sabia dos problemas emocionais que ela passava e não poderia abandoná-la, ainda mais depois de ter saído da clínica de desintoxicação com menos de dois dias. Antes de dormir ainda fiquei lhe olhando com admiração, era muito bonita, mas ainda assim precisava defenestrar alguns fantasmas internos para viver melhor. Eu a amava muito.

***

Após o despertar, ela já estava pronta, me olhando da porta do banheiro com um sorriso matreiro no rosto.

- Dormiu bem? – Perguntei.

- Foi o melhor sono que tive em muito tempo. Obrigada, de coração.

Fui até o seu encontro e abracei com carinho. Beijei a sua testa e depois a levei até a porta, disse que havia chamado um táxi pelo celular.

Antes de sair combinei de passar na sua casa mais tarde e ela disse então que me aguardaria, passaria o dia visitando os amigos que não via há mais de seis meses.

- Ei Marcos – me falou antes de entrar no carro – eu estou limpa de verdade viu, como eu prometi à você.

- Eu sei, eu sei...

E acenei, lhe dando um tchau.

***

Um ano depois minha amiga morreria num acidente automobilístico, com outros dois amigos de faculdade, em Cuiabá (MT), sua cidade natal. Ela voltava de uma festa e estava no banco de trás do carro.
+ Para Carla Liza Moretti (1977 – 2003)

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Novo trailer de Watchmen - Wow!

Ok já escrevi anteriormente em outros posts referentes à adaptação cinematográfica que Zack Snider está fazendo de "Watchmen", que sou fã da maxissérie de Alan Moore e Dave Gibbons... blá, blá, blá, blá, blá... Ok. Então vou postar o trailer mais recente do filme, que foi postado na quinta-feira (13) no Yahoo.movies e entrou bacana nos site Omelete e Universo HQ nesta sexta-feira (14).

As cenas mostram um pouco mais da adaptação, como o início acapachante que envolve a morte do Comediante, além de trechos do ataque à Ozymandias e a conversa súbita entre Rorschach e Coruja Noturna no esconderijo do último. Vale ressaltar que a narração em off que ocorre no trailer é de Rorschach. Arrepiante.


terça-feira, 11 de novembro de 2008

Rosas - La Oreja de Van Gogh

Esse é mais um post de manutenção... Um "tempo" para manter acesso o interesse pelo blog com uma banda popular na Espanha e que para mim é mais uma daquelas "armadas" pessoais que se tornam cult pelo sabor da novidade. La Oreja de Van Gogh não chega a ser tão cult pois é um dos grandes sucessos da língua espanhola - já chegou a vender mais de seis milhões de disco pelo mundo - e descobri o grupo fuçando o antigo Kazaa. Eu estava num momento de transição emocional e vivia com um coração piegas, onde até urubu pousando em carniça para mim era poético. Pois é, eu vi a uma canção intitulada "Rosas", nada demais, porém, o nome da banda é de um humor negro latente, La Oreja de Van Gogh é a referência para o surto que levou o famoso pintor holandês, Van Gogh, a cortar uma das orelhas. O legal é que eu adoro banda que tem mulher como vocalista, e Amaia Montero é uma vocalista linda, de voz delicadíssima - com timbre quase infantil - e que lembrava muito (aparentemente) a minha primeira deusa do pop - não, não é a Madonna -, Deborah Harry (do Blondie, banda que no final dos anos 70 e início dos 80 vendeu mais de 60 milhões de discos puxado por sucessos como "Heath of Glass" e "Call Me").
"Rosas" não tem nada demais, é uma canção pop, quase rotineira, mas tem um vibe legal e o vídeo abaixo mostra uma apresentação ao vivo da banda muito bacana.



terça-feira, 28 de outubro de 2008

All Star Superman de Grant Morrison - Revisitado


Eu mantinha um blog no Comicspace.com - um portal para blogs que lidavam com quadrinhos, ilustradores, fãs, nerd e congêneres. Ali eu escrevia somente sobre quadrinhos e falava dos lançamentos nas bancas que mais me atraíam. Um dos post que recebi mais comentários diz respeito ao arco de aventuras do Superman, escrito pelo escocês Grant Morrison e ilustrado pelo também escocês Frank Quitely, que recebeu o sugestivo nome de "All Star Superman" - o de mesmo cunho mas feito para o Batman, foi escrito por Frank Miller e desenhado por Jim Lee, deveras um trabalho inferior em todos os sentidos, até o exagero cinemático (e redundante) das ilustrações de Lee não compensam o péssimo roteiro de Frank, em seu pior momento nos quadrinhos.

Mas voltando ao Superman, escrevi uma resenha a respeito da série, que havia acabado de ser lançado no Brasil, por isso mesmo o texto é de 10 de outubro de 2007, com pouco mais de um ano e acompanhando sistematicamente a série que deve findar no seu 12º número, não mudo uma linha do que escrevi, definitivamente foi o melhor trabalho com o Super que eu li nos últimos 10 anos. Para não me repetir, reproduzo abaixo o texto que escrevi na época do lançamento.

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O Superman de Grant Morrison é para fãs e não fãs

É SÉRIO!!!

O roteirista escocês Grant Morrison que já tem uma vasta folha corrida nas editoras Marvel e DC, agora trabalha exclusivamente para a DC, lugar, segundo ele em entrevistas, é onde lhe atrai mais em escrever pois gosta mais dos personagens icônicos, principalmente no que se refere à Era de Prata - época ímpar para a Distinta Concorrência, e é notório polemicista entre os fãs por escrever histórias originais, ainda que boa parte não tenha pé e nem cabeça, ou seja, excessivamente exageradas em suas referências (místicas, metafísica e tecnológica, sabe Deus que estimulante/liquidificador cerebral esse bicho toma) e símbolos.

Ano passado Grant, que é um dos mais prolíficos escritores da atualidade, escreveu em torno de quatro títulos mensais - além de ser do pelotão de frente das sagas intermináveis da DC, ao lado do incansável Geof Johns -, lançou pelo menos um dos melhores gibis seriados dos últimos anos, da linha "All Star", que se queixam os mais ranhetas, se tratar de uma disfarçada cópia da linha "Millenium" da Marvel - que apresenta novas origens de velhos personagens. No caso da "All Star" existe um equívoco para quem pensa dessa forma, essa linha da DC, na verdade, oferece liberdade total para os roteiristas e desenhistas, sem seguir propriamente uma cronologia, mas apresentando aventuras novas.

Na Marvel a "Millenium" tem a mesma característica, só que segue uma cronologia própria e angaria quase todos os personagens clássicos da Casa de Idéias (termo carinhoso para a Marvel - só para lembrar, EU SOU MARVETE, MARVELMANÍACO, etc).

Pois é, enquanto o enfant terrible Frank Miller assumiu o Batman, ao lado do desenhista pop star Jim Lee, Grant Morrison ficou com Superman, tendo a parceria do excepcional desenhista Frank Quitely.

Por incrível que pareça, Grant não exagerou na dose e nem criou simbologias e situações esdrúxulas (como fez e vem fazendo com a, pra mim, incompreensível maxissérie "Os Sete Soldados da Vitória") para o principal personagem da DC, mas realizou uma retomada do personagem com referencial clássico, em uma história simples, objetiva e transformando personagens-chaves do universo do kryptoniano - como Jimmy Olsen, Lex Luthor e Lois Lane - em peças importantes da estrutura a qual criou, com a premissa de que como o poder quase infinito do Super vem do Sol amarelo, com o passar dos anos ele acumulou tanta energia que acabou desenvolvendo uma espécie de câncer que o matará em menos de um ano, e a partir disso ele tem início a uma revolução à sua vida, como revelar a Lois a sua verdadeira identidade - é notável que na segunda revista ele a leve para a Fortaleza da Solidão e ainda assim ela acha que tudo não passa de uma grande brincadeira do Super.

O enfoque que Grant dá a cada um dos personagens é de uma candura permanente, onde quase tudo lembra aquelas histórias clássicas escritas por Julius Schwartz, com desenhos de Curt Swan.
Seguindo esse mote tudo, praticamente, funciona na série. A sua visão de Lex Luthor, o maior vilão, que acredita que tudo deu errado na vida e no mundo por culpa do Superman. Ou a visão satírica e quase megalômana de Jimmy Olsen, que ganha uma destacada coluna no matutino Planeta Diário e vira praticamente uma lenda do jornalismo contemporâneo. Mas é a visão do Superman e do mundo em que vive, da identidade que assumiu na Terra, de Clark Kent, da família que o criou, Jonathan e Marta, em conflito com ideais do bom moço que tudo faz pelo bem da humanidade e ainda assim é obrigado a conviver com as dores que a vida prega, envolvendo perda e martírio, que agrada aos olhos - além da arte envolvente e magistral de Quitely.
Grant Morrison planta referências, cria situações novas e transformar clichê em novidade. A sua visão pessoal do Superman deveria ser aquela que todos os fãs e escritores do personagem poderiam guardar pra sempre no baú da imortalidade. Particulamente, gostei muito, e olha que nem sou fã assim do Superman - na DC meu favorito ainda é o Batman.

Não por menos, a série "All Star Superman", de Morrison e Quitely, venceu o "Einer Award", na categoria de melhor revista seriada de 2006. O prêmio Eisner é considerado o "Oscar" dos quadrinhos, o maior prêmio para o segmento de revistas em quadrinhos.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Watchmen - Provocando arrepios!

Eu sou fã da maxissérie Watchmen de Alan Moore (roteiro) e Dave Gibbons (arte) e já deixei isso expresso em posts anteriores, para mim é a adaptação cinematográfica mais aguardada ano que vem. Hoje (quarta-feira - 22/10) o site Omelete divulgou um vídeo que foi exibido em uma daquelas cerimônias de premiação nos Estados Unidos, onde aparecem cenas inéditas do filme. Putawquiusparil, arrepiou...! Quem conhece os gibis, sabe de cor cada composição da história, enquadramentos e o contexto da narrativa tanto escrita quanto visual, é então um vislumbre o trabalho tão bem feito do diretor Zack Snider. Fãs, preparem para a grande surpresa ano que vem. Confira aí embaixo o vídeo que circula. É SENSACIONAL!


Watchmen - Spike Awards Trailer