
Uma mensagem a cada postagem. Um ser racional em conflito com a natureza aflitiva de querer viver, conhecer e se aventurar. É um mundo cruel, uma vida rápida, amigos passageiros e os filhos crescendo. Transmixxx - uma união de conceitos que pode representar nada ou alguma coisa. Quem decide essa dúvida? Eu mesmo. Leia e curta, é só o que peço.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Participação no iNEO 2009

domingo, 4 de outubro de 2009
“Retalhos”, de Craig Thompson – Meu livro de cabeceira de 2009 (Saiba por que)...

No primeiro momento quando estava fuçando na Bookstore Exclusiva, do Porto Velho Shopping, esperava encontrar alguma novidade relacionada aos últimos encadernados da editora Panini (leia-se quadrinhos Marvel e DC). Aí na sessão específica de quadrinhos e livros juvenis estou mexendo vagarosamente em alguns encadernados caros (“Sandman”, da Conrad, que o diga – mas tava só olhando mesmo) quando minha vista bate na prateleira acima da minha cabeça no livro grosso, cuja lombada está intitulada “Retalhos”, Graig Thompson (quem é esse?). Puxei e a capa já me mostrou bem atraente, o desenho de um casal se olhando – aparentando adolescentes. Seria um romance (em prosa?), aí mexi, folheei e... EUREKA... Era uma história em quadrinhos. Caramba, com mais de 500 páginas.
Os desenhos eram ótimos, quase cartunesco, mas os traços eram familiares, com detalhes e refinamento que lembravam o mestre Will Eisner e na primeira passagem de olhos, lembrava – vá lá, em flashes – o magnífico “Estranhos no Paraíso”, de Terry Moore. Mas era uma impressão boa, daquelas de novidade, quando gera a necessidade de que você precisa conhecer. Não fiz de rogado, 592 páginas, um tijolo literário que valia 49 reais. Ai, ai... Bom, tinha que fazer valer a pena o investimento.
Em casa, no quarto, tive contato com o livro lendo a contracapa, elogios de dois gênios, o escritor e roteirista Neil Gaiman (“Sandman”) e do cartunista Jules Feiffer. Opa, já me animei. Na orelha um resumo dramático e nenhum pouco sutil. “(...) Retalhos trata da tragédia e das dores, físicas e morais.”

O legal é que a história de Craig é situada numa comunidade rural provinciana onde a expectativa de vida para um jovem é quase nula, pois é aquela vidinha que anda em círculo, onde pouco ou quase nada há o que se fazer além de viver com muita imaginação e participar de programações habituais da igreja onde vive. A cidade localizada no Estado de Wisconsin vive constantemente em um inverno rigoroso sua maior parte do ano, por isso mesmo as lembranças retratadas por Graig são marcantes, aduladas em poesia visual (retratos lindos, quase psicodélicos que mostram neve, frio, ondulações imaginárias, vento e corpos) e texto sereno, real, sobre um fio condutor inabalável, entre o lírico e o bruto (paradoxo, mas no ponto exato).

Os dois estão deitados no chão, em torno de algumas velas, e eles travam o seguinte diálogo:
sábado, 19 de setembro de 2009
Ode triste para uma canção bonita de solidão
Era tão sozinha em sua beleza involuntária
Caminhava com calma sobre a chuva fina do final de tarde
E a passos lentos imaginava que mundo era esse
Que mundo mundano transformava seus medos
Em monumentos intransponíveis de alegria e rejubilo
Não sentia encanto...
Mas caminhava, chutava com os pés descalços as poças
E o tempo parecia ligeiro
Rápido demais para o que ainda estaria por vir
Não sorria, não sentia, não chorava, apenas caminhava
E tinha também as lembranças
As dores nunca esquecidas
Os falsos elfos da infância vivida
E os rostos amigos, das crianças em flashes
As mãos trêmulas, o coração palpitante
A boca seca e o frio na barriga...
Poderia ser um beijo e nada demais, assim como também
Poderia ser correspondida pelos olhares perdidos da timidez
De alguém tão próximo.
Queria poder lembrar mais, sentir as mesmas emoções
Da inocência, das primeiras experiências
E tudo, o mundo poderia estagnar, parar o seu tempo
Queria harmonia do viver com o desejo realizado do querer
Ainda sim, sabia, tudo poderia se um sonho bom, ou em seu extremo
Um pesadelo infindável... De dor e solidão
Como agora, onde tudo parecia longe... sobre a chuva fina
O frio era o calor da companhia que lhe foi oferecida
Ainda que pudesse sentir sob os pés, o chão frio, os pedregulhos mais salientes
A dor física era momentânea diante da real agonia que vivia
Tão nova, tão linda, tão poema, tão, tão... E nada disso fazia sentido
Um vazio desumano dilatado em emoções intensas
Na beira de uma síncope de emoções presas, desguarnecidas
Ebulidas e presas como um espasmo diletante.
É vida tão pequena, mas tão cheia de momentos particulares...
Descritos em fracassos amorosos, amigos distantes e tormenta...
No final de sua caminhada... com as gotas de chuvas rareando sobre o corpo
Acolheu um suspiro de nostalgia e sabia que no fundo tudo era momento...
Tempo, e que o tempo que estava na sua ampulheta emocional já havia se esvaído
Como a areia fina...
Nem tudo era tristeza, havia ainda um futuro, mesmo que incerto, mas era sua força
E suspirou novamente... Arfou cansada e se deixou navegar por micro imagens
Sensações almagamadas em nostalgia e deliberou em sua mente que era
Uma questão de saber caminhar, reerguer e continuar sempre em frente...
Sozinha... Talvez, mas forte para continuar a caminhada.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Alfredo Alcala - Gênio filipino dos quadrinhos
Caso o mundo tivesse um museu com os maiores artistas dos quadrinhos de todos os tempos, Alfredo Alcala teria uma sala de honra com todo o seu acervo. Alcala foi o melhor arte-finalista do grande desenhista John Buscema, quando este desenhava Conan, o bárbaro. Mas Alcala era um pontente artista de multirecursos no uso de sombras e luz. Nunca vi alguém gastar tanta tinta nanquim quanto ele. Falecido em 08 de abril de 2000, Alfredo Alcala nasceu em Talisay (Filipinas), e fez trabalhos inesquecíveis para as duas grandes editoras mais importantes do EUA, Marvel e DC Comics - o seu trabalho para o Monstro do Pântano, na época de Alan Moore, é sensacional. Segue abaixo uma série de trabalhos do mestre.





segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Woodstock e a minha idade



segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Eterno adolescente – John Hughes

1) - A cena chave do filme é uma reunião intimista onde os cinco adolescentes falam dos seus delitos que os levaram a ficar de castigo um sábado inteiro na biblioteca da escola, sob a vigília de um diretor reacionário (nesse período, todos os adultos são reacionários).
2) - Outra cena é ver aquele cara de nome engraçado, Ferris Bueller, fazer tudo que um adolescente gostaria de fazer num dia ao gazetar a aula no seu último ano na High School (escola secundária), em um determinado momento ele participa de uma parada e surpreende à todos, principalmente sua namorada e o seu melhor amigo, que os acompanham nessa aventura. Num carro alegórico ele leva uma multidão a cantar com ele “Twist and shout”, dos Beatles.
3) - E aquela cena onde a Molly Ringwald (ai, ai... a musa ruiva teen da década de 80) desafia a convenção de sua origem humilde e resolve sair com o cara rico da sala, considerado uma figura extremamente popular na escola, com o risco de sofrer a humilhação. A delicadeza de suas atitudes, puras, decididas, adornada por tons e sobretons rosas.
4) - Mas a sinceridade pela felicidade do próximo se resume a cena em que uma amiga apaixonada pelo seu melhor amigo, constrangida, mas não menos motivada, o ensina a conquistar a garota pelo qual tá apaixonada lhe ensinando a beijar. Ali ela presta sua declaração de amor, já que o tonto a olha apenas como a amiga mais próxima a quem conta os seus segredos, só isso.
Marque abaixo os filmes respectivos:
( ) - Clube dos Cinco
( ) - Curtindo a vida adoidado
( ) - Garota de Rosa Shocking
( ) - Alguém muito especial
Todas essas cenas foram escritas por John Hughes, um roteirista e diretor que soube, como ninguém, escrever para os adolescentes, e mesmo que tenha utilizado situações e ações americanas, era o emocional, o sentido das palavras e motivações, tão universais ao ser humano, que ele simplificou e jogou nas telas com uma propriedade do amigão que gostaríamos que nos contasse uma história sincera.
Na década de oitenta ele virou ícone com uma série de filmes adolescentes que fizeram uma geração inteira. “Gatinha e gatões” (1984), “Clube dos Cinco” (1985), “Garota de Rosa Shocking” (1986) - como roteirista e produtor -, “Curtindo a vida adoidado” (1986) – o meu preferido e um autêntico clássico da “Sessão da Tarde” (Rede Globo) - e "Alguém muito especial" (1987) - como roteirista e produtor. E olha que Hughes era um escritor e diretor de refino humorístico fantástico, realizou uma das melhores comédias de todos os tempos – “Antes só que Mal-Acompanhado” (1987), que consagrou uma dupla improvável – John Candy e Steve Martin (o primeiro um vendedor de argolas para segurar cortina de banheiro e o segundo um executivo que perde o avião e precisa chegar em casa na noite de natal, os dois passam uma por uma série de aventuras dramáticas e muito engraçadas).
Roteirista profícuo, escrevia roteiros como se bebesse água, se tornou ainda mais rico ao produzir e escrever “Esqueceram de Mim” (1990) - dirigido por Cris Columbus -, que se tornou uma das maiores bilheterias de todos os tempos e consagrou o ator mirim Macauly Caukin. John Hughes tinha um pseudônimo curioso ao assinar parte de seus roteiros, ele assinava como Edmond Dantès (o personagem inesquecível do clássico “O Conde de Monte de Cristo”). A comédia “Beethoven”, por exemplo, ele assinou como Dantès.
Porém Hughes foi o cara que escreveu os melhores filmes da minha vida quando eu era adolescente, ele tinha a habilidade de escrever diálogos sensíveis sobre amor, família e relação, não deixando de lado um certo sarcasmo. Apesar de considerar que o ator Mathew Broderick fez o melhor personagem que o diretor já inventou – Ferris Bueller – e achar que “Curtindo a vida adoidado” seja, definitivamente, a sua obra-prima, o meu grande xodó era um filme para adolescente mais dramático, com uma força mais teatral, que fazia pensar e pesar as emoções. “Clube dos Cinco” – Breakfast Club/1985 – era um filme atípico, feito, em grande parte, num único cenário: a biblioteca de uma escola. Ali se concentravam os estereótipos evidentes: o atleta, o marginal, a princesa (no Brasil, “patricinha”), o estudioso e a esquisita, todos muito bem interpretados por atores que ficaram marcados para sempre – pela ordem: Emilio Estevez (Andy), Judd Nelson (John Bender), Molly Ringwald (Claire), Anthony Michael Hall (Brian) e Ally Sheedy (Allison Reynolds). Para cada um deles existia uma história de vida que era exposta em discussões acaloradas, piadas e situações dramáticas. John Hughes apenas representou um universo tão comum no dia-dia de todo adolescente como deveria ser mostrado no cinema. Ele, nesse sentido, foi perfeito.
John Hughes morreu no dia 06 de agosto de ataque cardíaco quando caminhava em Manhattan, ele tinha 59 anos.sábado, 1 de agosto de 2009
O CORPO

Saliente sua libido
Feche os olhos vagarosamente e deixe...
... as extremidades dos dedos formigarem...
Sentirem o desejo da pele
O sentido da umidade que o suor provoca
Não ligue para os lábios ressecados...
Molhe-os com a língua...
Esfregando-a lentamente por toda a boca
Comprima a ponta dela, da língua
No seu dedo indicador e...
E imagine... Não se iluda... mas, imagine
Realce o seu desejo mais íntimo
E respire o meu suor...
Ouça minha respiração... mas, principamente

Ouça a sua respiração...
Os olhos fechados... Os lábios umedecidos
E o corpo nu... Quente
Pegando fogo
Explodindo em desejo...
Mordendo levemente a pontinha da sua orelha
A respiração forte,
E mordo pelo pescoço... descendo com os lábios
Até o ombro e comprimindo a tua pele
Branca...
Desejo...
Corpos nus abraçados
Um na frente e outro atrás
Mãos que se tocam...
Pele a pele... Fluídos e pulsação acelerada
Tudo em ritmo de dança
Em ritmo de paixão...
No compasso do corpo...
Na batida do coração...
Do tesão...
“Com leveza... Mancha o batom da minha boca”, sussurra,
E os meus dedos descem pelo pescoço e o polegar comprime o lábio inferior...
Um gemido
Músculos em riste e....
Dois corpos... Nus
Escondidos sob sombras e revelados em desejo...
Sem lençóis... Com a luz de resistência em contato
Com o teu corpo e o meu desejo de olhar... tocar
Deslizar por cada curva do teu corpo e admirar....
Sentir nas pontas dos dedos a tez macia... Embranquecida da tua carne
Das tuas carnes... Objeto de desejo... De paixão
Puro tesão.