sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Participação no iNEO 2009


A insustentável leveza do ser é uma abertura de texto muito boa, mas é também um livro incrível do escritor tcheco Milan Kudera. A "insustentável" porque a participação de uma figura referencial na mídia como Marcelo Tas em um evento de tal envergadura - o iNeo 2009 - é um presente e, portanto, seria insustentável não tê-lo como mediador e palestrante - não é puxasaquismo, o criador do repórter Ernesto Varela é um mestre midiático mesmo.

A "leveza do ser" é a configuração da qual o meu espírito sentiu quando pude expor algumas das minhas idéias sobre o jornalismo como função social e o auxílio das redes sociais nessa "equação".

Agradecer ao Fred Perillo, organizador e coordenador do evento, que me proporcionou um momento único, uma das melhores tardes de 2009. Na verdade eu sou muito tímido com essas coisas, falar em público, porém, falar de duas paixões que tenho entre tantas me motivou a falar, o jornalismo e as redes sociais - a midiática transformação proporcionada no ciberespaço em unir todas as pessoas em uma "aldeia global" - hello mr. Marshall McLuhan -. Conceber para um público tão receptivo vias de acesso sobre as possibilidade que as redes sociais podem proporcionar no aperfeiçoamento da maneira como eu, jornalista, posso transmitir a informação, transformar dados em algo que catalise (provoque a transformação), me motivou a quebrar um paradigma pessoal e que eu pensava que estava esquecido, desde a época da faculdade.

Mas ver pessoas tão inteligentes, íntegras em emitir conhecimento e absorver dados me deixou à vontade, afinal, eu estava ali pelo mesmo motivo, com a intenção de aprender. Márcia Matos do SEBRAE, mestre Marco Bonito, professor da UNIR e "informívoro" e Alexandre de Oliveira, design gráfico e multimídia, que dividiram a mesa com o primeiro painel do dia do evento, OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS NAS REDES SOCIAIS, foram receptivos e generosos para com todos os presentes e fazer parte desse momento foi muito gratificante.

O evento que se trata de um seminário de conhecimento com o tema Mídias Digitais e Redes Sociais é proporcional ao boom (explosão mesmo) que ocorre em Rondônia. Da mesma forma que está ocorrendo uma transformação social urbana (construções à dar no rodo por conta das usinas do Madeira - seria um dos motivos e não "o motivo"). A necessidade de comunicação, de interagir, mediar a informação com responsabilidade e dar possibilidades às pessoas de estarem juntas através da mídia digital (seja com as redes sociais, webjornais, blogs referente, etc) seria um tema dividido em série que deveria estar na constância de pesquisa e estudos entre estudantes, empresários, publicitários e jornalistas.

O iNEO mostra uma ponta que pode gerar um leque de possibilidades e dar ciência a idéias, concepções e maneiras distintas de unir a mídia (não só digital) com as redes sociais, capacitando a criatividade de estar em evidência no mercado - que oferece oportunidades espetaculares.

TV, internet, celular, redes sociais, são peças intrísecas de um mesmo corpo. Quando William Gibson deixou a marca do cyberpunk com o seu romance NEUROMANCER (1984), motivou as inconstâncias da geração cibernética, onde a frieza da tecnologia sensorial se contrasta da necessidade do homem em estar interagindo sempre com o seu semelhante através de uma rede de relacionamento quase sempre nociva - isso é uma visão libertária e crítica, polida em uma ficção que poderia servir de alerta, mas ainda estamos vivenciando os momentos iniciais da verdadeira REVOLUÇÃO.

O iNEO dá o que pensar, articular e pesquisar. É um dos primeiros passos necessários para motivar estudantes, pesquisadores, empresários e curiosos em participar e acrescer com dados a relação do homem com mídia digital. Essencial em tempos de profundas transformações ambientais, sociais, educacionais e emocionais, grande parte motivadas pelas redes sociais (estaria eu exagerando?)

Que venha iNEO 2010. Fred, mais uma vez obrigado pela ótima tarde que passei ao lado de pessoas tão ilustres e um mediador atencioso.

domingo, 4 de outubro de 2009

“Retalhos”, de Craig Thompson – Meu livro de cabeceira de 2009 (Saiba por que)...




No primeiro momento quando estava fuçando na Bookstore Exclusiva, do Porto Velho Shopping, esperava encontrar alguma novidade relacionada aos últimos encadernados da editora Panini (leia-se quadrinhos Marvel e DC). Aí na sessão específica de quadrinhos e livros juvenis estou mexendo vagarosamente em alguns encadernados caros (“Sandman”, da Conrad, que o diga – mas tava só olhando mesmo) quando minha vista bate na prateleira acima da minha cabeça no livro grosso, cuja lombada está intitulada “Retalhos”, Graig Thompson (quem é esse?). Puxei e a capa já me mostrou bem atraente, o desenho de um casal se olhando – aparentando adolescentes. Seria um romance (em prosa?), aí mexi, folheei e... EUREKA... Era uma história em quadrinhos. Caramba, com mais de 500 páginas.

Os desenhos eram ótimos, quase cartunesco, mas os traços eram familiares, com detalhes e refinamento que lembravam o mestre Will Eisner e na primeira passagem de olhos, lembrava – vá lá, em flashes – o magnífico “Estranhos no Paraíso”, de Terry Moore. Mas era uma impressão boa, daquelas de novidade, quando gera a necessidade de que você precisa conhecer. Não fiz de rogado, 592 páginas, um tijolo literário que valia 49 reais. Ai, ai... Bom, tinha que fazer valer a pena o investimento.

Em casa, no quarto, tive contato com o livro lendo a contracapa, elogios de dois gênios, o escritor e roteirista Neil Gaiman (“Sandman”) e do cartunista Jules Feiffer. Opa, já me animei. Na orelha um resumo dramático e nenhum pouco sutil. “(...) Retalhos trata da tragédia e das dores, físicas e morais.”

Bacana, deve ter um lado deprê onde mostra o amadurecimento do personagem central com sofrimento e questionamentos conscientes. Deve ser também uma narrativa com ritos de passagem, da infância a adolescência, mostrando que a vida é dura. Bom, já tava fazendo juízo da história antes de lê-la, me propondo a investigar mais o conteúdo literário que o seu autor queria mostrar. Situações autobiográficas geram bons momentos na literatura (Ernest Hemingway fez isso muito bem em seus melhores romances).

Em preto e branco, a história – que é dividida em nove partes distintas (“O quartinho”, “O barulho da caldeira”, “Página em branco”, “Estática”, “Eu não quero crescer”, “Espírito jovem”, “Assim como no céu”, “A caverna que sumiu” e “Rodapé”), coloca um fato comum que lembra um pouco a minha infância também, o personagem principal, que é o próprio autor, Craig, conta que dividia a cama com o seu irmão Phil. Eu não dividia a cama com o meu irmão, mas na infância e boa parte da adolescência dividimos o mesmo quarto. Eu moreno, como Craig, e o meu irmão aloirado, como Phil. Coincidência espartana.

Vindos de família cristã, minha mãe é evangélica e conduziu todos os membros da minha família a celebrar isso como uma das diretrizes na educação da gente. Craig e o seu irmão Phil são membros de uma família cristã, que seguem preceitos da Igreja Batista. E fica claro que a temeridade e o respeito perante Deus permeiam a vida dessa família e, principalmente, de Craig, que tornará ponto importante na construção do conceito que ele predisporá nas decisões mais importante da sua vida quando estiver amadurecendo.

Então acompanho a vida, de fato, nada fácil de Craig na escola, sofrendo horrores nas mãos dos meninos mais velhos e metidos, apanhando, sofrendo coação e sem maiores interesses, inclusive na vida escolar. Que estímulo ele teria em ir para um lugar onde apanha e o professor categoricamente o acha um “zero à esquerda”? Difícil. A forma como essa situação se apresenta é delineada com esmero pelo autor. Imagino que deve ter sido dolorido lembrar das partes tristes da vida.

O grande interesse na escrita de Graig é ele permitir se desvencilhar de tabus ou aplacar a verdade de suas lembranças com enrolação, pelo contrário, ele vai direto ao ponto dos seus medos vividos na época retratada, expondo situações críticas e dramáticas que podem soar comum (ou não), como o abuso sexual que é retratado de forma delicada e precisa – notável como ele deixa pistas conclusivas, para depois em um devaneio quase erótico expor com um texto limpo e recheado de conclusões observadas com experiência de quem vivenciou.

Mas não é só isso, o fato dele entrar em constante conflito com a educação religiosa rígida a que foi submetido pela família, a sua vida entra numa imersão de dúvidas entre o que é certo e errado, na medida em que cresce e tenta galgar experiências necessárias para o seu amadurecimento. O autor dispôs a desnudar de maneira contundente a sua visão.

O legal é que a história de Craig é situada numa comunidade rural provinciana onde a expectativa de vida para um jovem é quase nula, pois é aquela vidinha que anda em círculo, onde pouco ou quase nada há o que se fazer além de viver com muita imaginação e participar de programações habituais da igreja onde vive. A cidade localizada no Estado de Wisconsin vive constantemente em um inverno rigoroso sua maior parte do ano, por isso mesmo as lembranças retratadas por Graig são marcantes, aduladas em poesia visual (retratos lindos, quase psicodélicos que mostram neve, frio, ondulações imaginárias, vento e corpos) e texto sereno, real, sobre um fio condutor inabalável, entre o lírico e o bruto (paradoxo, mas no ponto exato).

Parece um expurgo das dores juvenis, mas feita de maneira tão bonita, com momentos de puro êxtase visual, acolhido numa narrativa emocionante.

Quando Craig conhece Raina, sua primeira paixão, a amiga que passa por um problema emocional ao saber do divórcio dos pais, e ele resolve passar duas semanas na sua casa, eu, e imagino todos que leram, torcem para que as coisas dêem certo para Craig. De fato, são naqueles 14 dias que Craig vai compreender muitas coisas sobre família, culpa, desejo, paixão, amor, amizade, perda e responsabilidade.

Os pensamentos e constantes diálogos com Raina, sua paixão, correspondida, é onde ele mostra sua verve na composição de uma trama limiar em uma família que, apesar de boa, vai se desestruturando por causa da separação e isso reflete nas decisões conflitantes que serão tomadas no decorrer da história dos dois, quase almas gêmeas, ainda em aprendizado.

Um diálogo em particular, lindo, intercala os momentos de lucidez e delírio de paixão do casal.
Os dois estão deitados no chão, em torno de algumas velas, e eles travam o seguinte diálogo:

“Craig... Você acredita em Deus?”

“É claro.”

“Eu também... Mas não acredito no CÉU.”

“É?”

“Não tenho fé no futuro... Seja ele perfeito ou abominável. Se a Sarah morresse hoje, ela iria para o CÉU ou para o INFERNO?”

“Pro céu, acho.”

“Mas obviamente ela é meio nova para todo aquele esquema de ‘TRAGA-ME-JESUS-PARA-O-SEU-CORAÇÃO’.”

“Sim. Acho que acredito em PERÍODO DE CARÊNCIA... No qual todos têm passagem AUTOMÁTICA para o céu antes de chegar à idade em que ENTENDEM a mensagem de Deus”

“Você acredita mesmo nisso?”

“Bom... É só ESPECULAÇÃO...”

“Com que idade essa ‘CARÊNCIA’ acaba? Cinco? Seis anos?”

“Foi por aí que e fui ‘SALVO’.”

Não posso desfiar mais o que desenrola na história para não estragar as surpresas e momentos que a narrativa é conduzida. Um retrato emocionante, onde Craig, quando volta da sua experiência com Raina, sabe que deverá tomar decisões importantes e que afetará inclusive a sua família, o modo de ver, de pensar e viver, contrariando alguns e promovendo um amadurecimento vital naqueles que ele ama, ainda que isso possa abalar sua fé, ele chega ao fim inteiro e contente com as decisões tomadas, mesmo que a sua educação religiosa seja incisiva para reiterar sua visão de situações íntimas e pessoais das suas ações, herança da sua igreja batista.

Momentos de pura inspiração em que Craig trava uma guerra particular de culpa e desejo, quando confronta a sagrada escritura – principalmente Coríntios – com a explosão de seus hormônios, por sentir paixão e tesão por Raina. E tudo, texto, ação, diálogo, citações bíblicas formam um painel coeso, às vezes delirante, mas tão lírico, humano, que somos capazes – digo leitores sensíveis – de adentrar ao universo de Craig com uma intimidade de velho amigo que ler aquelas cartas - sempre surpreendentes pelas revelações contidas.

Quando eu acabei de ler “Retalhos” imaginei que trilha sonora poderia compor a leitura e não imaginei canções mais apropriadas do que as das bandas The Shore e Athlete. O tom e a métrica baladeira, com o misto de folk, rock, pop é perfeito.

É ouvir canções como “I Love” “Stand Int The Sun” e “You Got The Style “, do Athlete, e as lindas “Take What’s Mine” e “Waiting For The Sun”, do The Shore, para visualizar muitos trechos da vida de Graig retratada no livro/HQ.

“Retalhos” foi lançando originalmente em 2003 lá fora, quando o autor tinha 27 anos. Depois de lançado foi dos livros (no gênero HQ chamado de “Graphic Novel”) mais premiados em todos os tempos, ganhando prêmios reverentes do mundo da HQ, como o Eisner e o Harvey Awards nos EUA (2004) e prêmio da crítica francesa no Festival de Angoulême (2005).

sábado, 19 de setembro de 2009

Ode triste para uma canção bonita de solidão

Clique no Play e depois leia suavemente...



Era tão sozinha em sua beleza involuntária
Caminhava com calma sobre a chuva fina do final de tarde
E a passos lentos imaginava que mundo era esse
Que mundo mundano transformava seus medos
Em monumentos intransponíveis de alegria e rejubilo
Não sentia encanto...
Mas caminhava, chutava com os pés descalços as poças
E o tempo parecia ligeiro
Rápido demais para o que ainda estaria por vir
Não sorria, não sentia, não chorava, apenas caminhava
E tinha também as lembranças
As dores nunca esquecidas
Os falsos elfos da infância vivida
E os rostos amigos, das crianças em flashes
As mãos trêmulas, o coração palpitante
A boca seca e o frio na barriga...
Poderia ser um beijo e nada demais, assim como também
Poderia ser correspondida pelos olhares perdidos da timidez
De alguém tão próximo.
Queria poder lembrar mais, sentir as mesmas emoções
Da inocência, das primeiras experiências
E tudo, o mundo poderia estagnar, parar o seu tempo
Queria harmonia do viver com o desejo realizado do querer
Ainda sim, sabia, tudo poderia se um sonho bom, ou em seu extremo
Um pesadelo infindável... De dor e solidão
Como agora, onde tudo parecia longe... sobre a chuva fina
O frio era o calor da companhia que lhe foi oferecida
Ainda que pudesse sentir sob os pés, o chão frio, os pedregulhos mais salientes
A dor física era momentânea diante da real agonia que vivia
Tão nova, tão linda, tão poema, tão, tão... E nada disso fazia sentido
Um vazio desumano dilatado em emoções intensas
Na beira de uma síncope de emoções presas, desguarnecidas
Ebulidas e presas como um espasmo diletante.
É vida tão pequena, mas tão cheia de momentos particulares...
Descritos em fracassos amorosos, amigos distantes e tormenta...
No final de sua caminhada... com as gotas de chuvas rareando sobre o corpo
Acolheu um suspiro de nostalgia e sabia que no fundo tudo era momento...
Tempo, e que o tempo que estava na sua ampulheta emocional já havia se esvaído
Como a areia fina...
Nem tudo era tristeza, havia ainda um futuro, mesmo que incerto, mas era sua força
E suspirou novamente... Arfou cansada e se deixou navegar por micro imagens
Sensações almagamadas em nostalgia e deliberou em sua mente que era
Uma questão de saber caminhar, reerguer e continuar sempre em frente...
Sozinha... Talvez, mas forte para continuar a caminhada.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Alfredo Alcala - Gênio filipino dos quadrinhos


Caso o mundo tivesse um museu com os maiores artistas dos quadrinhos de todos os tempos, Alfredo Alcala teria uma sala de honra com todo o seu acervo. Alcala foi o melhor arte-finalista do grande desenhista John Buscema, quando este desenhava Conan, o bárbaro. Mas Alcala era um pontente artista de multirecursos no uso de sombras e luz. Nunca vi alguém gastar tanta tinta nanquim quanto ele. Falecido em 08 de abril de 2000, Alfredo Alcala nasceu em Talisay (Filipinas), e fez trabalhos inesquecíveis para as duas grandes editoras mais importantes do EUA, Marvel e DC Comics - o seu trabalho para o Monstro do Pântano, na época de Alan Moore, é sensacional. Segue abaixo uma série de trabalhos do mestre.

Note os detalhes dos traços, o uso notável das sombras e a precisão milimétrica no que ele trabalhava com os backgrounds. Para ver melhor cada figura clique em cima uma vez.













segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Woodstock e a minha idade




Nasci há quarenta anos, em janeiro de 1969, naquele mesmo ano, nos dias 15, 16, 17 e 18 de agosto foi realizado o maior Festival de música de todos os tempos, na cidade rural de Bethel, em Nova Iorque (EUA), em uma fazenda de 600 acres, que mas parecia um misto de pastagem e pântano. Intitulado como "Uma exposição aquariana: 3 dias de paz e música", o Festival de Woodstock foi o ponto culminante na ruptura dos valores comerciais e ditos de moda para o que se convencionalizou chamar de contra-cultura. Se ela tinha um importante referencial para a juventude dos anos 60, que apesar da revolução de comportamento que provocavam em vista da situação política, social (eram anos de revolução total, da promulgação dos direitos civis a favor dos negros nos Estados Unidos), ainda havia a guerra do Vietnam e a Guerra Fria, sem contar a Primavera de Praga e a transformação do livro vermelho de Mao na mentalidade política. Claro, havia as experiências extrasensorias provocadas pelo consumo intenso de drogas e substâncias entorpecentes, como: LSD, maconha, peyote, heroína e cocaína.

Mas havia também a música, causadora maior da transformação nos jovens naqueles anos dourados da contra-cultura.

O Festival de Woodstock era um evento único, mas, ao mesmo tempo, catártico, uma celebração não só do paz e amor, mas de propagação das transformações que o mundo passava por aquela época.



Se você quer saber os detalhes minuciosos de todo o festival basta clicar AQUI.

Mas o interessante é que nunca fui um entusiasta do Festival quando era adolescente e via amigos meus delirando, falando do evento como tivessem vivido o fato, tentava compreender a real importância do que eles falavam com tanta reverência. Curioso, aprendi a gostar do festival como um mega-evento de música e não pela sua importância histórica no âmbito comportamental, até mesmo porque dos muitos artistas que estavam presentes no palco, apenas alguns me interessavam de fato, até mesmo por uma questão de gosto pessoal, como: Creedence Clearwater Revival, Janis Joplin, The Who, Joe Cocker, Neil Young e Jimi Hendrix. O notório é que circulava um filme pirata em VHS do documentário de Michael Wadleigh, e que fazia a cabeça do pessoal. Aquele horror de gente amontoada na platéia e aquelas imagens de hippies, gente nua, tomando banho em uma lagoa e/ou brincando na lama. Era de flores e símbolos da paz. Rock, soul, folk, funk, blues e música latina. Woodstock era um caldeirão de sensações e emoções.

Na minha flor de idade juvenil o meu esforço foi comprar o álbum triplo da Atlantic Records, com as apresentações de boa parte da prole artística que fez história naquele evento. Ouvi demais Joe Cocker e Jimi Hendrix. Suítes inteiras do Sly & The Family Stone de funk e rock, eram notáveis. Ainda hoje mantenho os vinis guardados a sete chaves no meu quarto. O álbum já era precioso pelo projeto gráfico caprichado para guardar os três discos, com aquela foto gigantesca no miolo, que abrangia palco e público numa interação mítica, quase orgânica.

Se é uma data representativa? Ela consta como um dos eventos chaves da cultura popular no mundo da música, é um evento clássico, histórico e notório no comportamento, representando uma época de revolução e aprendizado. Sem contar que como eu completou 40 anos.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Eterno adolescente – John Hughes


1) - A cena chave do filme é uma reunião intimista onde os cinco adolescentes falam dos seus delitos que os levaram a ficar de castigo um sábado inteiro na biblioteca da escola, sob a vigília de um diretor reacionário (nesse período, todos os adultos são reacionários).

2) - Outra cena é ver aquele cara de nome engraçado, Ferris Bueller, fazer tudo que um adolescente gostaria de fazer num dia ao gazetar a aula no seu último ano na High School (escola secundária), em um determinado momento ele participa de uma parada e surpreende à todos, principalmente sua namorada e o seu melhor amigo, que os acompanham nessa aventura. Num carro alegórico ele leva uma multidão a cantar com ele “Twist and shout”, dos Beatles.

3) - E aquela cena onde a Molly Ringwald (ai, ai... a musa ruiva teen da década de 80) desafia a convenção de sua origem humilde e resolve sair com o cara rico da sala, considerado uma figura extremamente popular na escola, com o risco de sofrer a humilhação. A delicadeza de suas atitudes, puras, decididas, adornada por tons e sobretons rosas.

4) - Mas a sinceridade pela felicidade do próximo se resume a cena em que uma amiga apaixonada pelo seu melhor amigo, constrangida, mas não menos motivada, o ensina a conquistar a garota pelo qual tá apaixonada lhe ensinando a beijar. Ali ela presta sua declaração de amor, já que o tonto a olha apenas como a amiga mais próxima a quem conta os seus segredos, só isso.

Marque abaixo os filmes respectivos:

( ) - Clube dos Cinco

( ) - Curtindo a vida adoidado

( ) - Garota de Rosa Shocking

( ) - Alguém muito especial

Todas essas cenas foram escritas por John Hughes, um roteirista e diretor que soube, como ninguém, escrever para os adolescentes, e mesmo que tenha utilizado situações e ações americanas, era o emocional, o sentido das palavras e motivações, tão universais ao ser humano, que ele simplificou e jogou nas telas com uma propriedade do amigão que gostaríamos que nos contasse uma história sincera.

Na década de oitenta ele virou ícone com uma série de filmes adolescentes que fizeram uma geração inteira. “Gatinha e gatões” (1984), “Clube dos Cinco” (1985), “Garota de Rosa Shocking” (1986) - como roteirista e produtor -, “Curtindo a vida adoidado” (1986) – o meu preferido e um autêntico clássico da “Sessão da Tarde” (Rede Globo) - e "Alguém muito especial" (1987) - como roteirista e produtor. E olha que Hughes era um escritor e diretor de refino humorístico fantástico, realizou uma das melhores comédias de todos os tempos – “Antes só que Mal-Acompanhado” (1987), que consagrou uma dupla improvável – John Candy e Steve Martin (o primeiro um vendedor de argolas para segurar cortina de banheiro e o segundo um executivo que perde o avião e precisa chegar em casa na noite de natal, os dois passam uma por uma série de aventuras dramáticas e muito engraçadas).

Roteirista profícuo, escrevia roteiros como se bebesse água, se tornou ainda mais rico ao produzir e escrever “Esqueceram de Mim” (1990) - dirigido por Cris Columbus -, que se tornou uma das maiores bilheterias de todos os tempos e consagrou o ator mirim Macauly Caukin. John Hughes tinha um pseudônimo curioso ao assinar parte de seus roteiros, ele assinava como Edmond Dantès (o personagem inesquecível do clássico “O Conde de Monte de Cristo”). A comédia “Beethoven”, por exemplo, ele assinou como Dantès.

Porém Hughes foi o cara que escreveu os melhores filmes da minha vida quando eu era adolescente, ele tinha a habilidade de escrever diálogos sensíveis sobre amor, família e relação, não deixando de lado um certo sarcasmo. Apesar de considerar que o ator Mathew Broderick fez o melhor personagem que o diretor já inventou – Ferris Bueller – e achar que “Curtindo a vida adoidado” seja, definitivamente, a sua obra-prima, o meu grande xodó era um filme para adolescente mais dramático, com uma força mais teatral, que fazia pensar e pesar as emoções. “Clube dos Cinco” – Breakfast Club/1985 – era um filme atípico, feito, em grande parte, num único cenário: a biblioteca de uma escola. Ali se concentravam os estereótipos evidentes: o atleta, o marginal, a princesa (no Brasil, “patricinha”), o estudioso e a esquisita, todos muito bem interpretados por atores que ficaram marcados para sempre – pela ordem: Emilio Estevez (Andy), Judd Nelson (John Bender), Molly Ringwald (Claire), Anthony Michael Hall (Brian) e Ally Sheedy (Allison Reynolds). Para cada um deles existia uma história de vida que era exposta em discussões acaloradas, piadas e situações dramáticas. John Hughes apenas representou um universo tão comum no dia-dia de todo adolescente como deveria ser mostrado no cinema. Ele, nesse sentido, foi perfeito.

John Hughes morreu no dia 06 de agosto de ataque cardíaco quando caminhava em Manhattan, ele tinha 59 anos.

sábado, 1 de agosto de 2009

O CORPO






(Tudo é respiração - Desejo, amor, paixão e sexo)



Use a imaginação
Saliente sua libido
Feche os olhos vagarosamente e deixe...
... as extremidades dos dedos formigarem...
Sentirem o desejo da pele
O sentido da umidade que o suor provoca
Não ligue para os lábios ressecados...
Molhe-os com a língua...
Esfregando-a lentamente por toda a boca
Comprima a ponta dela, da língua
No seu dedo indicador e...
E imagine... Não se iluda... mas, imagine
Realce o seu desejo mais íntimo
E respire o meu suor...
Ouça minha respiração... mas, principamente
Ouça a sua respiração...
Os olhos fechados... Os lábios umedecidos
E o corpo nu... Quente
Pegando fogo
Explodindo em desejo...
Mordendo levemente a pontinha da sua orelha
A respiração forte,
E mordo pelo pescoço... descendo com os lábios
Até o ombro e comprimindo a tua pele
Branca...
Desejo...
Corpos nus abraçados
Um na frente e outro atrás
Mãos que se tocam...
Pele a pele... Fluídos e pulsação acelerada
Tudo em ritmo de dança
Em ritmo de paixão...
No compasso do corpo...
Na batida do coração...
Do tesão...
“Com leveza... Mancha o batom da minha boca”, sussurra,
E os meus dedos descem pelo pescoço e o polegar comprime o lábio inferior...
Um gemido
Músculos em riste e....
Dois corpos... Nus
Escondidos sob sombras e revelados em desejo...
Sem lençóis... Com a luz de resistência em contato
Com o teu corpo e o meu desejo de olhar... tocar
Deslizar por cada curva do teu corpo e admirar....
Sentir nas pontas dos dedos a tez macia... Embranquecida da tua carne
Das tuas carnes... Objeto de desejo... De paixão
Puro tesão.