quinta-feira, 20 de maio de 2010

FIM - O que vou fazer sem você?





(Aperte o PLAY e depois leia)

Será que estamos preparados para o fim de uma relação? O que nos move a acreditar que todas as possibilidades possíveis para sustentar a dor da separação podem ser viáveis com o tempo?
Não saberia responder a essas perguntas se não revivesse todo o momento doloroso da separação e ainda me sentisse tão pequeno, ínfimo, diante da dor maior que é de dar adeus à pessoa que mais ama.

Porque tudo tem um propósito, um meio que leva ao fim e, dependendo de cada pessoa, vive-se uma relação até as suas últimas conseqüências, sem medir tempo, espaço e situações. Conhecer, estabelecer um vínculo de amizade, cultivar essa fidelidade fraternal com a pureza dos risos, trocas de segredos, mediações de idéias é um processo natural de estabelecer uma relação que pode ou não resultar em romance.

Penso que o tempo cuida de tudo, que o destino traça o caminho de cada pessoa e tudo pode ser possível, mas é a relação de confiança e intimidade – em grau variado – que faz com que o nível de atração possa ser equilibrado no senso comum da amizade ou mesmo de uma tensão sexual, por vezes, involuntária.

Mas o que traça de fato o grau de aproximação entre duas pessoas são os momentos, o despertar de traços comuns ou atrativos que movem além da mera curiosidade. Ter a certeza de que seguir determinado caminho numa relação fraternal pode ser uma decisão definitiva e que marcará a sua vida. Para o bem ou para o mal.

Relações são difíceis e cultivá-las é um exercício de tolerância e paciência. O nível de confiança e intimidade ajuda para que tudo se conspire em um beijo na boca, um carinho na nuca, uma respiração mais alta e suspiros mútuos.

Mas é manter essa relação de cumplicidade, onde um sorriso de canto, um gesto é claramente reconhecido. É um sinal de corpo tão sutil, mas de fácil assimilação entre duas pessoas que mantém uma relação íntima, que existe alegria em saber que uma outra pessoa, a que amamos, nos interpreta em todos os sentidos e compreende.

Durante algum tempo, se manter juntos é um exercício de paixão, duplicidade, olhos nos olhos, corpos colados e momentos de ternura. Esses momentos preciosos são onde o casal mantém sua segurança, a sua baliza de sustentação, conhecendo um ao outro, integrando mente, corpo e comportamento.

Existe a trilha sonora para os encontros, para as brigas que surgem, para as reconciliações chorosas. Tudo pode ser motivo de alegria ou não. Ótimo quando ele encosta a cabeça no colo dela e de leve ouve o seu coração bater. Então ele suspira alto e sorri do nada – sendo que ali representa tudo o que ele quer sentir: emoção genuína por estar tão bem com quem se ama.

Lindo para ela saber que pode estar sendo colhida nos braços com um abraço acolhedor e forte o suficiente para se sentir segura e amada. Não há como medir o nível tão intenso por esses momentos que parecem frugais, mas que representam momentos únicos. Aqueles momentos que sempre guardamos na memória, que algum dia serão lembrados antes do cair de uma ou duas lágrimas.

Eu digo que o fim é algo que nunca esperamos, mas pressentimos. Desde o primeiro momento da insegurança por algum fato isolado ou algo involuntário, por amor exigimos cumplicidade e não separatismo momentâneo. O sentimento exige reparações constantes e que nem sempre estamos aptos a dar por circunstâncias externas, seja no trabalho, familiar ou círculo de amizade mesmo.

Talvez um ponto de saturação na relação se rompa e tudo caminhe para um desgaste natural, muitas vezes resolvido com tempo e paciência, mas quando isso não ocorre e apenas podemos ver que houve um desencantamento é triste constatar que o fim é algo inerente, propício e doloroso, muito doloroso.

Tento não pensar no fim, na ruptura, mas é algo inevitável, pois vivemos sentimentos autênticos e o fim representa que acabou, que todos aqueles momentos maravilhosos antes vividos não se repetirão, que os encontros tão sensíveis e alegres não passarão de histórias de ex – contados com uma leve dor no peito. É tão triste que apesar de tudo, ainda assim teremos etapas a cumprir por causa do fim. A separação é inevitável e cortar tudo por algum tempo é um meio de não prolongar a dor e deixar que tudo flua para um sentimento de aprendizado.

Não existe fórmula para o fim e situações são isoladas para cada pessoa. Eu penso que o afastamento é um processo natural, não é um ato covarde, mas da busca da sobrevivência emocional. Isolar-se constitui de uma tentativa de tentar que o tempo fluía melhor para o esquecimento daquele sentimento tão intenso.

Não quero parecer frio por estar sendo tão esquematizado, mas vida me ensinou da pior forma possível, que toda dor na separação é superável quando se isola da pessoa que amava e se rodeia de amigos que lhe ouça, o abrace quando precisa e seja a companhia para todos os momentos necessários, de resto o tempo cumpre o seu processo natural.

Mas é tão dolorido passar pelos mesmos lugares que estiveram antes, sentir um perfume que lembra a pessoa amada, ouvir nomes semelhantes ou, pior, se deparar com ela e ainda assim saber que nada pode se feito.

Queria, na verdade, que um relacionamento de cumplicidade, amizade, amor, sexo, risos e lágrimas nunca acabasse, mas se sustentasse diante das dificuldades e trabalhasse para que a cada dia fosse uma nova aventura, um patamar novo a ser descoberto.

Será que estou preparado para o fim de uma relação? Digo, claramente, que hoje não. Mas sobreviveria. Não tem como uma pessoa sensível passar incólume pela circunstância de ainda estar apaixonado e ver que tudo pode acabar. Hoje uma despedida com lágrimas, risos, promessas de continuarem amigos e, ainda soluçando, saber que tudo ainda é um engodo, mas o fim, esse, é inevitável.

Acordar no dia seguinte depois de uma noite mal dormida e despertar de fato para que tudo simplesmente acabou, que aquela pessoa que antes lhe importava como a vida, não pode mais ser acessada e que mesmo assim tudo pareceu rápido demais. As lembranças teimam em voltar à sua cabeça e você ainda sente falta, uma baita falta.

Fica então o curto verso daquela canção que embalou seus melhores momentos onde um abraço é o mais real sentimento de proteção que poderia sentir e agora, daquela pessoa, não mais terá.
Um choro, seguido de saudade. Um choro, seguido de raiva. Um choro, seguido de ansiedade. Um choro, seguido de conformação. Talvez tudo pudesse ter sido diferente em algum ponto onde um ou o outro errou.

Dependendo da forma como acaba eu urro de raiva por ter perdido tanto tempo por alguém que talvez não merecesse o que dei de mais valioso ou choro de joelhos nos pés de algum amigo, ou amiga, pedindo ajuda para acabar com a dor que explode no meu peito e comprime o meu coração a quase um sufoco por ter perdido um amor.

Será que estamos preparados para o fim de uma relação? Não sei você. Quanto à mim, digo que não. Mas prefiro continuar vivendo a cada dia e desejando que tão longe fique esse momento. O tempo cuida da gente.

domingo, 2 de maio de 2010

Popsex nº 2

Se não leu, para compreender, leia antes: Popsex nº 1

(Ante de ler, dê o PLAY)

Havia um cello no canto da sala. O som triste que saía das caixas de som que ficavam no canto da sala. Seu doce sorriso apareceu na janela do meu quarto e tentei entender a distância que me fez ficar longe de você.

Me ligou de madrugada e no seu primeiro “alô” perdi a voz de emoção. Cancioneta de violão, tudo é regrado e óbvio, como os sentimentos humanos tediosos que cerceiam o amor . E o cello no canto da sala ressoava suave a melodia que um dia nunca imaginei poder cantar a você.

- Oi.

- Oi.

(Silêncio instantâneo)

- Fala alguma coisa... (Pede ela)

- Eu...

- Sim.

- Eu to sentido muito a sua falta. (Abri minha guarda)

(Silêncio instantâneo do outro lado da linha)

- Eu também... (Um soluço quase imperceptível)

Para ele era tão bom ouvir a voz dela e saber que ainda está por aí, depois de semanas, meses de separação. Mas não esperava que o mesmo sentimento de amor ainda havia perdurado depois de tanto tempo. Não entendia a cura que haviam dito a ele sobre o tempo. Podia traçar no ar cada linha de seu rosto, sentir os seus cabelos, o mesmo perfume que o perturbou durante um bom tempo e ainda assim perceber que o tempo não fez nada para que ele a esquecesse.

- Como você tá? (Perguntei, tentando evitar a emoção)

- Eu... Bom... Eu to daquele jeito: simples e ainda traçando metas.

- Legal... Você era boa em traçar metas, lembro disso.

- Você lembra? (Outro soluço, mas ainda quase imperceptível)

- Lembro... Lembro sim.

- Que bom! Não fui apagada da sua... Memória.

- Não, imagina... (Suavizei ainda mais minha voz para ela) Nunca, nunca te esqueci.

Na primeira noite ela pegou a minha mão e me conduziu até a cama, não tirava os olhos dos meus e transmitia uma segurança que eu nunca havia visto em uma mulher. Sentei na beirada da cama e ela me beijou a testa, queria cuidar de mim. Deitei e ela então sentou em cima de mim, abrindo as pernas sobre o meu colo e montando. Arqueou para frente e nos beijamos freneticamente, eu podia sentir sua boca quente, úmida, entumescida esfregar na minha e senti uma emoção genuína. Estava todo arrepiado, abria os olhos para ver sua reação aos meus beijos e aos carinhos que fazia com as mãos, alisando suas costas e tocando seus cabelos lisos, perfumados e sedosos.

Ela se esfregava sobre o meu colo lentamente e eu partilhava sua sensualidade observando seu rosto lindo, brilhando, entregue, como podia ser tão linda, como podia criatura tão alva e meticulosamente desenhada por anjos estar comigo e ainda assim entregar com confiança sua intimidade? Não sabia, mas deixava viver, acontecer, não queria atenuar em nada esse momento, mas dar a ela minha entrega total em querer fazê-la feliz, desejada e possuída.

- Ainda é difícil pra mim, sabia? (Tentei explicar a ela)

- Pra mim também, mas eu queria falar com você, senti a sua falta... Hum... Fiz errado em ligar?

- Não, claro que não... Na verdade eu não sei, mas eu precisava ouvir você, saber como você estava.

- Parece tanto tempo... (Soluçou de forma mais nítida).

- Está sendo tanto tempo, são meses... Ainda sinto muito, muito mesmo pelo que ocorreu e chegamos a esse ponto, de verdade.

(Silêncio breve)

- Ei... Você ainda está aí? (Me assustei) Oi, por favor não desliga...

(Ouvi claramente outro soluço e então...)

- Eu te amo. (Disse ela, chorando)

Lembro ter chegado bêbado em casa, sem chão, procurando saber por que havia agido daquela forma com ela: bruto, possessivo, impondo minha autoridade sobre suas ações, com desconfiança, excesso de insegurança e ainda assim, cheio de razão, jogar toda a nossa relação para o alto por causa de uma cena de ciúme que a humilhou. A desprezei quando ela precisou do meu amor, destitui do seu pedestal de única para o mesmo nível de outras, comuns.

Em uma relação que oscilava muitos momentos íntegros e lindos com outros de imaturidade de ambas as partes, eu fui o causador do maior mal de todos.

Ela então me ligou e ainda na garagem a mandei se foder. Estava transtornado, mas ela insistiu e acabei por entregar a verdade que achava a sua ira, e pude então compreender que havíamos chegado a um ponto de ruptura que, talvez, definisse nossos rumos. Fui ainda bêbado, com o meu carro, até a sua casa. Era madrugada e o tempo estava frio, dando sinais de chuva.

A encontrei fora de casa, armada e magoada, muito mesmo. Ainda tonto, a olhava com certo receio, mas não deveria, pois se havia provocado tudo aquilo e por alguma razão achava que estava correto na atitude que tomei, porque então me sentia culpado?

Em poucas palavras e pela sinceridade da forma como me olhou, expressando toda a decepção comigo eu pude entender que no fundo ela tinha razão.

Não esperei desenrolar mais nada que pudesse prosseguir aquela agonia, estava arrependido, mas sabia que tinha cruzado uma linha muito perigosa. Pra ser sincero, por um momento perdi a puerilidade do momento e chutei tudo para o alto, se tivesse que agir para que ela entendesse que apesar de tudo a minha vida ainda era parte da dela, ali, naquele exato momento eu tinha que fazer o impossível.

Coloquei uma de nossas canções e deixei as portas do meu carro abertas, caiu então a chuva, interrompi tudo e fui abraçá-la sob a águas da chuva, ela me levou para trás do muro da sua casa e pude entender que não era reconciliação, era um último momento, uma entrega de carinho e sexo para completar um ciclo, o seu ciclo, o meu ciclo. Era loucura de duas pessoas carentes que buscavam a redenção no amor ou apenas o óbvio tedioso da vida que adoramos complicar?

Não saberia responder, muito menos ela. Mas, fizemos amor em pé, debaixo da chuva, em desespero, entrega e raiva. Os beijos eram firmes, mas sem a candura de antes, era entrega e despedida, tudo forte, intenso. Ainda não consigo lembrar como encerramos aquela madrugada. Eu sei que tudo acabou, ela apenas me olhou, séria, nada disse. Fiquei calado, me ajeitei e esperava, talvez, uma voz dela que me dissesse: “desculpo”.

Nada disso, ela apenas olhou para o portão da sua casa. Eu compreendi que tinha que ir embora. Ela, ainda calada, me olhou tão firme e decidida, como uma navalha afiada cortando a minha carne. Sai devagar, caminhei até o carro e ainda olhei para ela através do portão gradeado. Ela ficou impassível, sem lágrimas, sem sorriso, sem rendição. Apenas gotas de chuva sobre o seu rosto, os cabelos molhados, escorridos sobre os ombros. Não havia mais a poesia que me encantava aos ver os seus olhos sobre os meus, apenas um vazio.

Entrei no carro e parti.

Havia um cello no canto da sala da minha casa. O som era suave, mas amargo, a voz era dissonante diante da minha saudade, mas pura no que eu sentia.

- Não chore... Ei... Faz tempo.

- Não era para estar sentindo isso por você, não... É tão doloroso.

(Silêncio)

- Não posso dizer que sinto o mesmo, mas sinto falta de você.

- Quanto mais tempo teremos para suportar isso?

- Não imagino... (disse, emocionado com a entrega dela, chorosa)

- Estou tão longe e você tão perto de mim, dentro de mim...

(Fechei os olhos e não queria acreditar que podia reviver tudo)

- Não sei se o tempo vai curar, se a distância vai nos manter tão longe assim do que sinto ainda por você, mas eu... (soluça)... Eu só queria te dizer que, se acontecer de você não sentir mais nada por mim, nada mesmo, quero que seja meu amigo...

- Sempre serei seu amigo... Sempre... Deixa como está. Eu entendo tanto você agora... Nas primeiras semanas em que foi embora amarguei uma solidão tão grande... Triste.

- Eu sei. (Disse ela suave, quase sussurrando)

- Passei semanas passando pelos lugares que frequentávamos antes. O mirante, aquele restaurante, a pizzaria, os pubs, até mesmo as canções que ouvíamos juntos parecia uma dor que comprimia o meu peito. Todas as lembranças, foi e está sendo difícil. Eu entendo você.

- Está acabando né?

- Quem sabe? Vamos viver a cada dia e ter as nossas melhores lembranças, mas sem dor.

- Você mudou, sabia? O modo como está dizendo essas coisas para mim.

- Eu não quero magoá-la...

- Não, não é isso. Você mudou para melhor, me parece mais maduro.

- Você me fez ficar assim... (Senti um nó na garganta) Por isso eu digo que sempre seremos amigos.

- Obrigada.

(Me silenciei e dei um sorriso emocionado)

- Não tem como...

- Vou desligar.

- Tudo bem, foi muito bom te ouvir depois desse tempo todo.

- Também.

(Ficamos em silêncio, pontuados pelas respirações )

- Te cuida, tá? (Pediu ela)

- Você também, te cuida.

- Tchau!

- Tchau!

(Ainda ficamos alguns segundos segurando os fones)

Por fim, com cuidado, coloquei o fone no gancho e senti um descompasso no meu coração. Havíamos dado o passo definitivo.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Popsex nº 01



(Antes de ler, dê o PLAY)


Cheguei bêbado em casa... Encostei o carro na garagem e ainda tonto tentei equilibrar o raciocínio com a lógica da música que soava na minha cabeça. Respirei fundo e o celular tocou. Ainda estava zonzo com a última briga que tivemos. O brilho da tela do smart penetrou fundo na minha retina e vi o seu rosto em meio a nuvens.

EU - Oi.
A VOZ - Ainda não acabamos sabia?
EU - Quem?
A VOZ - Foda-se!
EU - Ok, acolho, eu sempre me fodo mesmo!
A VOZ - Que é? Vai posar de coitadinho?
EU - Não, então foda-se você.

Desliguei. Na minha mente lembrei de Kid Foguete, um personagem fuleiro de um dos contos maravilhosos de Charles Bukowski. Numa noite, precisando de grana, ele entra num frigorífico e pede emprego, pois precisa de grana. Praticamente se fode por fazer aquilo que não quer, mas necessita. Sou como Kid Foguete, me fodo com ela, por fazer aquilo que necessito. Não, não é sexo. É amor mesmo! Por que estou bêbado? Porque percebi que acabei de me foder por amá-la e ela nem aí.

Não consigo sair do carro, além da dormência no corpo fico pensando o que deveria ter feito para evitar ter chegado no ponto que chegou. A música, o som desatina as minhas ações antes calculadas, frias... e a porra do celular toca novamente.

"Atendo ou não atendo?" - Penso.

O toque perdura e olho compenetrado (pelo menos eu tento)para o visor brilhante.

"Foda-se"

EU - Oi.
A VOZ - Você é um idiota completo.
EU - Seiii... Mas, por que?
A VOZ - Mandando me foder, sendo que você é que merece...
EU - (Interrompendo) Quando a gente vai parar com isso?
A VOZ - Você provoca como quer que eu reaja?
EU - Não fiz nada... Droga... Olha, tô bêbado e sem condição nenhuma de prosseguir a discussão.
A VOZ - Ainda saiu para beber depois que discutimos? Você é tão fraco assim?

"Puta que o pariu, será que a amo tanto para aguentar isso?" - Penso.

EU - Não quero mais prosseguir com essa discussão...
A VOZ - Tô cansada, muito...

(Pausa breve... Respiração alta no dois lados da linha)

EU - E aí?
A VOZ - Você tá onde?
EU - Na garagem de casa, sem coragem de sair do carro, pensando um monte de merda.
A VOZ - Hummm... Seu idiota, porque não consigo ficar longe de você?
EU - E...
A VOZ - Tem condições de dirigir até aqui?
EU - Não sei, tô um pouco tonto, mas não tem risco...
A VOZ - Não, deixa pra amanhã, precisamos esfriar a cabeça.

(Me calo por alguns segundos)

EU - Tô indo aí, me espera.

Desliguei o celular, nem tirei o cinto de segurança, acionei a ignição e sai. Voltei para a rua e o ar-condicionado estava congelando no interior do carro. Mas achava um alívio.

Tomei a "Boulevard Street 05" e fui devagar. Divaguei então sobre as ondas de referências que me puseram na enrascada de me envolver tão intensamente com ela.

-

Um dia estou numa bookstore com uma pilha de livros para escolher o que levar, entre eles um sobre redes sociais e mídia interativa na internet. Era o único exemplar. Carrego o livro comigo e percebo uma moça linda ao meu lado me olhando sem graça. Não ligo muito, não ofereço perigo mesmo. Volto minha atenção para uma edição encadernada de Sandman, de Neil Gaiman, junto a outros dois livros e caminho até o balcão do caixa. Então aquela moça linda se aproxima e pega o meu braço.
- Oi, olha me desculpe, não sei como falar.
- Sim, pois não.
- Chato isso, mas eu preciso falar.

(Fiquei curioso, o que uma criatura linda poderia querer comigo?)

- Eu percebi que você está com um exemplar do livro de redes sociais e mídia interativa.
- Sim, esse aqui. - Mostro o livro.
- Pois é, esse mesmo. É que... Bom, é o único exemplar que tem disponível aqui e... (Sem graça)... Nossa, tô nervosa.
- (Tentei acalmar) O que foi? Pode falar, não mordo não. (Ri para quebrar o gelo).
- Eu vou fazer um trabalho na faculdade e precisava desse livro. Meu Deus, desculpa.

(Eu queria rir do jeito dela)

- Tá certo... Olha, esse exemplar eu encomendei, mas a gente pode discutir o destino dele.

(Ela me olhou intrigada)

- Como assim?
- Vamos lanchar juntos e discutimos se dou ou não para você esse exemplar.
- Hãm!!!
- Ei, preocupa não, sou uma boa companhia e você tenta me convencer porque eu devo ceder esse livro para você, pode ser?

(Ela ficou desconcertada, mas...)

- Me deixou sem graça, mas aceito a proposta sim.
- Tá valendo então.

Paguei o livro e saímos juntos da livraria. Foi o nosso primeiro passo.

-

Entrei na rua da sua casa e a vi logo, parada em frente a garagem fechada. Ela estava com os braços cruzados, com cara de irritada. Eu estava feroz, com vontade de chutar a barraca inteira mesmo. Parei o carro. Ela ficou me olhando e suspirei alto quando a vi ali do meu lado. Sai do carro. Me aproximei dela com cuidado, ainda tonto, o meu cabelo estava grande e balançava com a brisa fria. Ela não mudou um milímetro da sua posição e com os cantos dos olhos me mirou até me aproximar por inteiro.

Suspirei fundo e nos encaramos. Os olhos estavam borrados pelo rímel, como tivesse chorando, podia ver as faces extremamente rosadas, o nariz um pouco inchado e ela mordia os lábios. Convalesci diante da sua verocidade, mas tão atenuada pelo abatimento, com um certo torpor emocional.

ELA - Não devíamos mais no ver, sabia?

Falou, quase murmurando, com a voz embargada.

ELA - Quero dominar a situação e não ser dominada, isso nunca me aconteceu.

EU - Não fiz nada de que me arrependesse é a única coisa que posso dizer. Eu tô dependente de você, tô carente de você e não queria ser ignorado, só isso...

ELA - Seu idiota!!! Ciúme bobo, eu devia mandar você de volta pra sua casa... Não havia necessidade de me humilhar na frente dos meus amigos, posar de machão e dizer que eu sou sua e de ninguém mais, sendo que já provei tanto à você.

EU - Não me acostumei à isso. É tudo novo, eu já te falei, eu te falei. Fui bruto, porque sou bruto... Ver você tão solta, sendo que pelo menos dois caras ali você já tinha ficado.

ELA - Foda-se!!! Eu estou com você, não mais com eles. É difícil entender isso porra!!!

Me calei. Olhei para os meus tênis, funguei o meu nariz e senti o vento ficar mais frio. Balancei a cabeça e me censurei por ter agido tão mal. No fundo eu sabia que ela tinha razão. Ela provou que me amava no quarto passo, na frente de uma delicatesse.

-

Saímos do estabelecimento e nos dirigimos até o estacionamento. Tava escuro e ficamos sorrindo um para o outro. Ela encostou no meu carro de frente pra mim e me olhou de uma forma mais atrativa.

- O que faz? - Perguntei.
- Quase nada, só curiosa. - Disse.
- Curiosa com o que?
- Como viemos parar aqui, olhando assim um para o outro e imaginando o que fazer.
- Ah, sinceramente?
- Sim.
- Ok, apenas nos conhecemos de maneira inesperada, falamos longamente de assuntos que nos interessa, temos algumas coisas em comum, você ganhou um livro que era quase meu, gosto de você... e... Humm...
- Sim, tem mais?
- Me ajuda que acho que tem. - Provoquei.

Ela me olhou tão próxima, abriu os lábios e senti o convite. Encostei minha boca na sua e nos entregamos num beijo chupado e espetacular. Devorando língua e dentes. Trouxe próxima ao meu corpo e alisei suas costas. Nos entregamos a beijos gulosos e pude sentir seu calor fluir no meu corpo. Há tempos não tinha esse tipo de apuro de pele.

-

Finalmente ela se desarmou, deixou os braços cair e virou de costas pra mim. Seus cabelos estavam soltos e esvoaçavam ao vento. Olhei para o céu da madrugada e as nuvens estavam pesadas, iria chover a qualquer momento. Seria a noite perfeita para uma despedida definitiva. Com corações partidos, choros, gritos e todo o drama possível que um amor sem freio precisa.

"Tudo isso é uma grande besteira", pensei.

Tirei a pecha triste do meu seblante, fui até o carro, abri as portas, liguei o som dele e dei play na minha trilha favorita. "So here, we are", Bloc Party. Deixei o som na altura média. Ela parou de caminhar, virou o rosto de lado e reconheceu a melodia. Voltei minha atenção para ela. Me aproximei.

EU - Já que vai terminar tudo mesmo, ao menos me dê o direito de lhe dar a despedida que sempre quis dar para uma mulher.

Ela se virou para mim.

EU - É tudo tão simples, tão mais fácil e complicamos tudo. Eu sei que foi culpa minha. Mas deixa eu ao menos fazer pela última vez aquilo que sempre quis fazer se me encontrasse num momento como esse, tão fudido com uma mulher que ainda amo muito.

Ela me fitou, olhando nos meus olhos e via claramente a sua incredulidade.

ELA - O que pensa que está fazendo? Quem você acha que é? Deus?

EU - Não, sou apenas alguém que fez uma besteira e que sabendo que não vai ter volta precisa fazer algo que ao menos amenize...

Me aproximei rapidamente e cheguei perto dela. Ela tentou num impulso se afastar e segurei um dos seus braços, sem força, apenas com a medida de não impedi-la de fugir de mim.

ELA - O que pensa que vai fazer...

Antes que concluísse colei o meu corpo no dela e encaramos olhos nos olhos. Ela deixou um brilho passar para a minha retina e a música atingiu o ápice. Colei minha boca na dela, os primeiros pingos da chuva começaram a cair.

Ela permaneceu imóvel e articulei meus lábios no dela, que não resistiram e se abriram para mim. Começou devagar, comprimindo carne com carne, ódio se misturou a paixão e tudo parecia um sinal de impetuosidade sagaz, destruidora, devassa. A chuva caiu sobre a cidade e ela comprimiu minha boca e abriu os olhos.

ELA - O seu carro está com as portas abertas.

EU - Foda-se. (Continuando a beijá-la).

ELA - Não, vamos para dentro feche o seu carro.

Corri no meio da chuva, fechei o carro e voltei até ela.

ELA - Sem abrigo, só nós dois.

Nos agarramos de novo. Estávamos encharcados e o tempo era vazio, vago, dissimulado e bom o suficiente para nos deixar únicos.

Ficamos no canto do muro da sua casa e na contraluz da luminária do poste o rajar do brilho da chuva, como poesia visceral. Beijamos intensamente, e machucamos nossas bocas e pele. Ela arrancou minha blusa e abri sua camisa. Ela mordeu meu pescoço e colhi carinho em seus seios. Desci minhas mãos pela suas costas e ela cravou uma das suas mãos no meu membro, sobre a calça.

CONTINUA...

sábado, 17 de abril de 2010

Luz da Estrela - Momentos

Estive um tempo afastado do meu blog por motivos emocionais e de saúde. Uma torrente de situações ocorreram durante esses mais de trinta dias e que me ocuparam mente, corpo e espírito. Tive que aprender duras lições sobre a vida e como anda minha saúde neste momento em que já sinto uma transformação me levar para um lado que lia somente na histórias curtas de Bukowski. A tormenta de querer viver no limite programado nem sempre é viável, pois um ou outro detalhe transforma tudo e se eu não tivesse estrutura emocional teria perecido sem aviso.

Estou doente...

Descobri que a minha vida já está em contagem regressiva. Meu relógio da vida entrou no cronômetro. Isso me assusta, pois sei que ainda tenho muito o que fazer, ensinar, aprender e escrever, criar, transformar o mundo, o meu mundo. Filhos, família, amigos.... Pessoas que vem e vão. Incrível como cada coisa que antes parecia banal ou indiferente ganha seu valor.

Há vinte dias sofri um stress tão intenso que contrai uma gastrite crônica que me levou a dores lacinantes, intensas. Não dormia, não comia, só bebia água, leite gelado e comia biscoito de maizena. Sensação de derrota constante. Agonia e dor, insônia e a constante música no meu fone de ouvido - a melodia das minhas canções favoritas aliviavam, ainda que pouco as contrações da ardência estomacal.

Deitado na minha cama, ao lado da janela que ficava aberta podia ver nas madrugadas de sofrimento as estrelas, sentir o vento e rever rostos, situações e buscar minhas melhores lembranças.

Difícil, mas ver os filhos em volta e sorri com as coisas que fazem é ver que há vinte anos nunca me imaginava assim, PAI. Um roqueiro, criado em meio a bagunça dos anos oitenta, desorientado, aluno medíocre no ensino médio e um geniozinho da cultura pop, fanático por quadrinhos, cinema, literatura e música, muita música. De repente ver que eles são ótimos alunos e gostam - nas devidas proporções - das mesmas coisa que eu na juventude (afinal são versões melhoradas da matriz, EU). Não existe maior recompensa e orgulho.

Era um pensamento de conforto quando a crise de dor aumentava e queria gritar. As dores me atingiam a parte inferior direita do estômago e passava por uma cólica desgraçada. Tinha medo de câncer e nunca fiz nada para merecê-la. Não fumo, não bebo, mas tinha o stress, tão intenso dessa vida de jornalista e empresário, resolvendo todos os dias um gerenciamento de crise. Podia sentir na boca o gosto amargo da doença, a ausência da saliva, os olhos fundos e os gemidos que eu dividia com a música.

Senti dores e muita queimação no abdômen, azia, falta de apetite, náuseas e também vômitos, sangramento na digestão. Ainda assim trabalhei, mantive os compromissos e sempre mantive prestativo aos meus amigos.

Nesse passar de tempo tive alívio emocionais e conversas com uma amiga que me ensinou a ver a vida com outros olhos.

Em certos momentos o psicológico fez mais efeito do que as medicações que tive que tomar. Uma felicidade momentânea que me dava forças.

Sarei.... Mas...

Mas o pior de tudo foi ter me motivado a romper uma realidade por causa de uma relação intensa de amizade que estava quase sem regras, por achar que seria melhor. Queria me afastar de uma pessoa linda por saber que enfrentaríamos problemas futuros, mas fiz da maneira mais tola e absurda.

Não poderia ter agido como agi. Em conversas longas, doloridas, choros e raiva, aprendi com ela que somos melhores juntos, mas dentro da coerência de nossa relação, sempre deixando em evidência nossos melhores momentos.

Não vou escrever mais sobre isso, é pessoal e ainda estamos curando feridas - que eu criei -. Mas rascunhei apenas para citar a letra de uma música que ela me apresentou, "Starlight", do Muse. A música é linda e a letra representa tudo, é um compêndio de sentimentos que eu sinto por ela... Traduz perfeitamente toda a sensação de busca, proteção e desejo que alimentei. A combinação das palavras com a melodia, o tom confessional, parece a nossa história, a minha história com ela.

Não poderia de deixar de registrar isso, ainda que seja um registro que explique a minha ausência e o meu tormento com uma doença que me mina quando ataca. Ao amor que dediquei nesses meses e dias a ela, deixo o registro da música (vídeo) e da letra (logo abaixo, com tradução).






STARLIGHT

Far away Para longe
The ship is taken me far away O navio está me levando para longe
Far away from the memories Para longe das memórias
Of the people who care if I live or die Das pessoas que se importam se eu vivo ou morro

Starlight Luz da estrela
I will be chasing the starlight Eu vou perseguir a luz da estrela
Until the end of my life Até o fim da minha vida
I dont know if it's worth it anymore Eu não sei mais se isso vale a pena

Hold you in my arms Segurar você em meus braços
I just wanted to hold Eu só queria segurar
you in my arms Você em meus braços

My life Minha vida
You electrify my life Você eletrifica minha vida
Lets conspire to ignite Vamos conspirar para acender
All the souls that would die just to feel alive Todas as almas que morreriam só para se sentirem vivas

But I'll never let you go Mas eu nunca deixaria você ir
If you promise not to fade away Se você prometesse não desaparecer
never fade away Nunca desaparecer

Our hopes and expectations Todas as esperanças e expectativas
Black holes and revelations Buracos negros e revelações
Our hopes and expectations Todas as esperanças e expectativas
Black holes and revelations Buracos negros e revelações

Hold you in my Arms Segurar você em meus braços
I just wanted to hold Eu só queria segurar
You in my arms Você em meus braços

Far away Para longe
The ship is taken me far away O barco está me levando para longe
Far away from the memories Para longe das memórias
Of the people who care if I live or die Das pessoas que se importam se eu vivo ou morro

And I'll never let you go Mas eu nunca deixaria você ir
If you promise not to fade away Se você prometesse não desaparecer
never fade away Nunca desaparecer

Our hopes and expectations Nossas esperanças e expectativas
Black holes and revelations, Buracos negros e revelações,
YEAH! YEAH!
Our hopes and expectations Nossas esperanças e expectativas
Black holes and revelations Buracos negros e revelações

Hold you in my Arms Segurar você em meus braços
I just wanted to hold Eu só queria segurar
You in my arms Você em meus braços

quarta-feira, 17 de março de 2010

Ir...





EU - Oi, meu nome é Marcos.

TODOS - Oi Marcos, seja bem-vindo!

(Em seguida um breve silêncio constrangedor)

(Eu mexo os braços e abaixo a cabeça e depois fico pensativo esperando uma reação a mais... )

(Olho para o monitor e ele me dá um sorriso de canto)

MONITOR - Seja bem-vindo Marcos. Qual o seu motivo de vir até aqui o "Recanto da Tristeza"?

(Engasgo um pouco e as lembranças me vem rapidamente. Palavras duras, alguma injustas demais e outras sensatas. Sentia um gosto de carne crua na boca e a intensidade de um sufocamento causada por uma dor repreendida no peito).

EU - Nem eu sei de verdade... Eu... Eu passei em frente e vi o local aberto. Senti uma paz incrível e resolvi entrar...

(Ele me olha com atenção)

MONITOR - Mas isso é muito pouco para alguém se dispor a entrar aqui e sentar junto a um grupo de estranhos e ainda sentir uma paz.

(Senti um aperto na garganta, mas tudo parecia tão fácil de falar. A dor é sentida e recente. Crua, aberta e exposta)

EU - Parece pouco e talvez até seja. Eu... eu não sei...

(Todos me olham e nada dizem. Pareço um estranho sem rumo, sem chão... Um ninguém mesmo)

MONITOR - Por que você apenas não fala o que acontece. Seja franco e tudo se resolverá.

(Abaixei a cabeça e senti um aperto no peito. Estava triste e queria não poder me sentir o mais filho da puta dos miseráveis. Um ridículo da ocasião... Nem eu sei mais o que poderia ser... )

(Suspirei, olhei para o fundo da sala e vi o que parecia ser um rosto conhecido. Mas não era, apenas um flash de deja vu de alguém que amei. Não importa mais mesmo).

(Parecia poder ouvir um som vindo de algum lugar, como uma música suave, mas quase imperceptível. Podia jurar que estava só, mesmo na companhia daquelas pessoas que me olhavam atentamente).

EU - (Reticente) Sei que cometi muitos erros na minha vida e tentei da melhor forma possível tentar consertar o que parecia irremediável. Não sei se me entenderiam, pois é difícil expressar uma situação que eu criei e não soube conduzir e ainda assim, saber que parte da culpa não foi só minha. Mas eu sinto uma dor tão latente... Um vazio que chega tomando conta de um espaço que era reservado para uma pessoa.

(Abaixo a cabeça e olho para minhas mãos. Por um breve momento medito, coisa rápida)

EU - Hoje eu perdi um pedaço do meu coração, não saberia explicar até que ponto isso pode afetar o meu futuro ou o meu conceito de amizade, mas me fez pensar que preciso dar ainda mais atenção as pessoas que amo para que elas compreendam que eu sou tão falho quanto elas. Tenho razões obscuras que até eu mesmo não compreendo, por vezes penso que vivo em um mundo a parte e que deveria me ater mais ao chão, ser mais frio, objetivo e menos onírico.

(Tenho vontade de encostar a cabeça no ombro de alguém)

EU - ... Não existe razão coerente para algumas falhas minhas, mas eu sou obrigado a entender as falhas das pessoas e ir além da compreensão, pois não quero magoá-las. Mas é errado da minha parte. Seu eu posso ouvir as minhas falhas pelos outros, porque não posso apontar as delas? Qual seria a coerência da relação entre duas pessoas se elas não souberem lidar com erros e acertos e assim tentar com um diálogo mais franco descobrir, ainda que tarde, as verdadeiras razões dos erros e, talvez, tentar redimir ou consertá-los? Eu não sei como lidar com isso? Ou seria imaturo em certo ponto por acreditar que tudo pode ser resolvido depois. Mas é difícil compreender que eu tenho uma vida tão complicada, corrida, não dizendo que sou melhor ou pior que qualquer um que passe pelos mesmos problemas. Eu queria poder ter a solução para tudo e ajudar não só ao outros, mas a mim. Fui chamado de egoísta e até prepotente...

(Levanto os olhos e vejo que tudo parece tão sem sentido, mesmo com toda aquela gente me olhando... A paz me parece distante)

EU - Não queria magoar as pessoas com as minhas ações ou falta delas talvez, mas é um mundo tão complicado. Você tem receio de se machucar por se abrir demais para uma pessoa. Eu tenho medo de me machucar por me expor demais a uma pessoa que gosto além do necessário, mas é uma tarefa tão difícil explicitar isso sem parecer que estou me fazendo de vítima. As razões parecem limitadas, mas dentro do que posso expressar elas são como as linhas do universo, infinitas. Não saberia dizer se conseguiria vê-la no inverno, pois rompemos no verão. Olho para vocês e vejo que existe complacência de pena, uma forma saturada de me olhar com candura, mas não deixando se ater a figura patética que sou. Não saberia dizer se essa paz que encontrei no início seria a mesma que busco no final, mas para aquietar o que passa comigo, com o meu coração é o suficiente para fazer com que eu durma mais uma noite e viva mais um dia.

(A voz embarga)

(Silêncio)

(O monitor me encara e balança a cabeça positivamente, de forma lenta)

EU - Sinto que preciso ir embora. Não olhar para trás e deixar o que de bonito aconteceu apenas como uma lembrança, uma boa lembrança. Queria poder chorar mais, porém já fiz o suficiente e não vejo mais motivo para prosseguir nessa luta de conquista eterna por paz que deve vir com o tempo e ocorrerá naturalmente. Não tenho mais a impaciência da juventude e não pertenço aos laços afetivos dessa geração, pois ela já me cortou e apontou que o caminho que sigo é o errado. A paz que busco está em outra direção. Queria poder encarar a pessoa que transformou o meu mundo em poucos meses e dizer que tudo hoje é uma lembrança. Mas não tem como, pois tudo já acabou, da mesma forma que começou...

MONITOR - E você se conforma com isso?

(Eu me assusto com sua pergunta)

EU - Sim... Pois tudo foi dito de forma dura e direta, com toda a sinceridade. Fiz o que pude e se errei, assim como ela errou também, poderia deixar tudo como uma "desculpa" e começar de novo. Mas não tenho mais estrutura emocional para tanto.

MONITOR - Você prefere que tudo termine assim?

EU- Se foi uma decisão dela... E se só por causa dela fiz coisas que nunca imaginei fazer ou contar, eu me responsabilizo pela decisão que ela tomou. Vou respeitar e esquecer, dentro do que posso das escolhas erradas que fizemos.

MONITOR - Você não precisa ir e deixar que tudo termine assim, sabia?

EU - Eu sei. Mas é a decisão mais acertada. Temos vidas diferentes, somos de gerações diferentes e vivi coisas que ela não viveu. Ela não saberia compreender as razões que tomei como forma de proteção e eu não saberia conduzir um stress emocional desgastante que poderia acabar tudo da forma mais errada possível. Ela foi a certa na história e eu o idiota, o mais completo idiota.

(Todos se entreolham e depois me olham. O monitor sorri e se levanta da sua cadeira)

(Eu estou de pé, olhando a todos com receio, mas certo de que falei o que estava comigo e o que deveria ser dito, ainda que sentisse um gosto de tristeza no palato)

MONITOR - Você tem a noção do que pode acontecer pela sua decisão? Pelo que falou parece que sim, mas não é a mais acertada, mas é sua e é de sua responsabilidade, o que posso te falar Marcos é que as consequências dessa decisão perdurará por tempos e servirá como uma experiência, se para o bem ou mal só o tempo dirá. Mas te digo, aproveite esses momentos e reflita sobre os erros que cometeu e os possíveis acertos, pese tudo isso e não deixe de viver, conhecer mais pessoas, formalizar amigos e respeitá-los, mas, acima de tudo, seja sempre você mesmo.

EU - Tento viver assim... Mas não sou perfeito... Obrigado por tudo.

(Todas as pessoas se levantam... Batem palma e sentam novamente).

(Quero chorar, mas não consigo mais... Senti um luz brilhar e um vento frito bater em mim. Houve uma paz momentânea e sabia que era hora de ir...)

(Sorri com gosto, deixei minha vida de três meses passados fluir como um filme breve na minha memória e lembrei dos meus melhores momentos. Pus o capuz sobre a cabeça acenei com um tchau à todos)

(O monitor deu um sorriso e entendi que havia feito o certo)

(Abri a porta e estava chovendo. Era noite. Mas, não importava... Eu poderia ir com a certeza de que nunca mais estaria só. Não olhei para trás e segui na noite... Com a pisada forte de que amanhã é mais um dia a ser vivido, sorrindo ou não).

FIM

segunda-feira, 15 de março de 2010

formspring.me

Ask me anything http://formspring.me/marcos35anos

Repassando.... "Relacionamentos"

Não costumo repassar as muitas mensagens que recebo no meu Hotmail ou Gmail, até mesmo porque eu acho que já está sendo passado para uma centena de pessoas via e-mail e não vejo muita praticidade em querer fazer o mesmo utilizando algo meu, ainda mais pessoal que é o blog. Mas tem certas mensagens que parecem surgir do nada e servem como um alerta importante. Experiência de vida, aquelas palavras que fazem sentido quando você sente ou sentiu na pele o que está descrito. Sim, são palavras apenas... Mas fazem todo o sentido do mundo para quem, no mínimo, com senso de ridículo da vida e sensibilidade pode entender o seu conteúdo, simples, objetivo e plural. Vivo de emoção, ainda que com o passar da idade a razão é o que me conta mais, por isso mesmo, repasso, a quem possa interessar, o texto que recebi na manhã deste domingo (14) de uma amiga:


Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim. Como tudo na vida.

Detesto quando escuto aquela conversa:
- Ah, terminei o namoro...
- Nossa, estavam juntos há tanto tempo...
- Cinco anos.... que pena... acabou...
- é... não deu certo...

Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.

Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos essa coisa completa.

Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível.
Tudo junto, não vamos encontrar.

Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.

E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante... e se o beijo bate... se joga... se não bate... mais um Martini, por favor... e vá dar uma volta.

Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer.

Não brigue, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar... ou não.

Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto.

Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob pressão?

O legal é alguém que está com você, só por você. E vice-versa. Não fique com alguém por pena. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós.

Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.

Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?

Gostar dói. Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração... Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo.

E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse... A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.

Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.

Na vida e no amor, não temos garantias.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear.
E nem todo sexo bom é para descartar... ou se apaixonar... ou se culpar...

Enfim...quem disse que ser adulto é fácil ????

(
Arnaldo Jabor)