quinta-feira, 15 de julho de 2010

Técnicas infalíveis para dar muito prazer a uma mulher

Raramente, quase nunca, eu republico o que recebo via e-mail, mas abrindo uma exceção vou postar no meu blog essa “puta falta de sacanagem” com nós homens, que somos totalmente entregues à mulher amada e estamos aptos a ajudar no que for preciso. No dia internacional do homem, uma homenagem sincera que recebi de uma amiga.

Homens, fiquem ligados!

Técnicas infalíveis para dar muito prazer a uma mulher:


Técnica nº 1: Mãos Molhadas

Faça sua parceira sentar-se numa cadeira confortável na cozinha.
Certifique-se de que ela consiga ver muito bem tudo que você faz.
Encha a pia da cozinha com água e adicione algumas gotas de detergente
aromatizado para louça.
Segurando uma esponja macia, submerja as mãos na água e sinta sua pele ser
envolvida pelo líquido até que a esponja esteja bem molhada...
Agora, movendo-se devagar e gentilmente, pegue um prato sujo do jantar,
coloque-o dentro da pia e esfregue a esponja em toda a superfície. Vá
esfregando com movimentos circulares até que o prato esteja limpo.
Enxague-o com água limpa e coloque-o para secar. Repita com toda a
louça do jantar, até sua parceira ficar gemendo de prazer.


Técnica nº 2: Vibrando pela Sala

É um pouco mais difícil do que a primeira, mas, com algum treino,
você fará sua parceira gritar de prazer.
Cuidadosamente, apanhe o aspirador de pó no lugar onde ele fica
guardado. Seja gentil, demonstre a ela que sabe o que está fazendo.
Ligue-o na tomada, aperte os botões certos na ordem correta.
Vagarosamente, vá movendo-se para frente e para trás, para frente e
para trás... por todo o carpete da sala. Você saberá quando deve
passar para uma nova área. Vá mudando gradativamente de lugar. Repita
quantas vezes for necessário, até atingir os resultados buscados.


Técnica n° 3: Camiseta Molhada

Este joguinho é bem fácil, embora você precise de mente rápida e
reflexos certeiros. Se for capaz de administrar corretamente a
agitação e a vibração do processo, sua parceira falará de sua
perfomance a todas as amigas dela.
Você precisará apenas de duas pilhas: uma pilha com as roupas brancas,
outra com as coloridas. Encha a máquina de lavar com água e vá
derramando gentilmente o sabão em pó dentro dela (para deixar a mulher
ofegante, use exatamente a quantidade que o fabricante recomenda).
Agora, sensualmente, coloque as roupas brancas na máquina... uma de
cada vez..... devagar. Feche a tampa e ligue o 'ciclo completo'. Sua
companheira ficará extasiada. Ao fim do ciclo, retire as roupas da
máquina e estenda-as para secar. Repita a operação com as roupas
coloridas...

Técnica nº 4: O que sobe, desce

Esta é uma técnica muito rapidinha, para aqueles momentos em que você
quer surpreendê-la com um toque de satisfação e felicidade. Pode ter
certeza, ela não vai resistir. Ao ir ao banheiro, levante o assento do
vaso. Ao terminar, abaixe-o novamente. Faça isso todas as vezes. Ela
vai precisar de atendimento médico de tanto prazer.

Técnica nº 5: Gratificação Total

Cuidado: colocar em prática esta técnica pode levar sua companheira a
um tal estado de sublimação, que depois será difícil acalmá-la, e pode haver
riscos irreversíveis para a saúde da mulher!

Esta técnica leva algum tempo para ser aperfeiçoada. Empenhe-se com afinco.
Experimente sozinho algumas vezes durante a semana e tente
surpreendê-la numa sexta-feira à noite.

Funciona melhor quando ela trabalha fora e chega cansada em casa.
Aprenda a fazer uma refeição completa. Seja bom nisso. Quando ela
chegar, convença-a a tomar um banho relaxante (de preferência
aromático, numa banheira de água morna já previamente preparada por você).
Enquanto ela estiver lá, termine o jantar que já terá adiantado antes que ela
chegasse em casa.
Depois que ela estiver relaxada pelo banho e saciada pelo jantar, execute a
Técnica nº 1.
Preste atenção em sua parceira, pois o estado de satisfação será extremamente
alto!!!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Historieta: Antes que seja tarde


SAÍDA DO AEROPORTO/DIA

PERSONAGENS:

FEM (Ela)
MA (Ele)
IRM (Irmã de Ela)

-


(Aperte o play antes de iniciar a leitura)

Ela colhia as mãos junto ao peito. Não conseguia esconder a ansiedade daquele momento. Precisava captar mais ar e ficar serena diante do que estava por vir. Era um momento de reencontro, da decisão de saber que era o momento definitivo entre o fim e o recomeço.

Ele caminhava a passos largos, parecia decidido, mas os olhos estavam inseguros, piscando com mais frequência. Sentia um aperto no peito e podia ter o direito de voltar e dar tudo por encerrado ou ter aquele momento final e abrir uma janela para algo mais concreto no futuro. Mas sabia que aquele era um reencontro definitivo.

Ela o viu quando cruzou o saguão e parou por um breve momento, parecia cansado, mas continuava altivo.

O coração palpitou, sentiu a boca secar e pela primeira vez sentiu vontade de chorar por causa de um homem.

Ele levantou os olhos e quando viu já deparou com ela na sua frente. Sentiu um pressão enorme no peito, e a pele esquentou momentaneamente.

MA - Oi.
FEM - Oi.

(Não existia tempo e nem pessoas em volta. Tudo paralisou. O tempo congelou naquele exato momento e havia uma trilha quase imperceptível de fundo, casando com aquele momento)

FEM - Você veio mesmo...
MA - Eu disse que vinha, não disse?
FEM - Verdade. Não sei nem o que falar.

(Ele a olhou com carinho, mas ainda assim não era o mesmo olhar do menino desamparado que ela acolheu em seus braços em algumas noites de confissões)

FEM - Você sabe o quanto é importante estar aqui para ouvir o que eu tenho para te falar.
MA - Sim, eu sei, por isso eu vim.
FEM - Você sabe que eu não fiz por mal e que foram consequências de nossos atos.

(Ele ficou fitando seus olhos e ainda tinha uma certa incredulidade)

FEM- Você e eu separamos por motivos que até hoje eu ainda não percebi, mas sei que um e outro errou em algum momento.
MA - Sim, eu sei... Já havíamos até mesmo discutido isso...
FEM - Não... Espere, eu sei... Mas não tínhamos estrutura emocional para compreender o que realmente havia de errado e você e eu não era... Não era nem para acontecer.

(Ele deu um sorriso de canto, velho conhecido dela nos trejeitos de conformação triste que ele sempre tinha quando falava algo que o machucava)

FEM - Ei não fique chateado, você sabe que é verdade.
MA - Sim, eu sei... Olha, já passamos por isso não gostaria de relembrar nossos piores momentos de discussão.

(Ela abaixou a cabeça e depois olhou firme para ele sabendo que estava com a razão)

FEM - Não vou relembrar, já passamos por essa etapa.

(Ele concordou com um leve balançar de cabeça, sinalizando positivamente)

(Ela comprimiu os lábios, estava nervosa, as mãos suavam, mas teria que fazer o certo e sabia disso)

MA- Tão importante assim o que você vai falar?
FEM - Muito, muito mesmo. Só peço que me perdoe pelo que fiz, mas achei que era o momento certo e não me sentia bem em esconder isso mais de você.

(Ele a olhou com receio, mas não escondia a ansiedade)

FEM - Deixa eu te falar que apesar do rompimento sempre mantivemos próximos e fiz o que fiz por saber que você não queria estar na situação em que te colocaria...
MA - Não estou entendendo.
FEM - Você foi o melhor homem que tive na minha vida e nunca te esqueci, mas vi que era necessário você saber.

(Ele não escondia que estava ansioso por algo que não sabia, mas que deveria ser importante)

(Ela olhou para trás dele e fez um sinal. Alguém desceu de um carro)

MA - Olha pra mim, olha... (Ela colocou uma das mãos no rosto dele e o direcionou ao dela). Eu quero que entenda que fiz algo por um amor que acreditei ser o mais bonito que tive na minha vida e por amar você demais, não me julgue por raiva, mas compreenda o que eu fiz, eu te peço isso, por favor.

(Ele sentiu uma apreensão tomar conta e olhou para ela muito sério)

Uma moça se aproximou dos dois, ele reconheceu. Era a irmã dela.

IRM - Mana, olha aqui quem eu trouxe.

Em uma das mãos, uma menininha de vestidinho claro, linda, com cabelos levemente ondulados caindo sobre os ombrinhos. Os olhos vivos e um sorriso estalado nas bochechas fartas. Deveria ter de dois a três anos de idade e andava espertamente.

(Ele abriu a boca espantado... Parou de respirar e olhou para a criança e depois para ela, incrédulo)

FEM - Essa é a nossa filha, Isabela.

(Os traços da menina tinham algo em comum com ele e o sorriso lhe era muito familiar. Abaixou a cabeça e depois espantado olhou para ela com desespero)

MA - E-eu...

(Ele se desarmou e deixou as lágrimas escorrer. Ela respirou fundo pegou a filha pela mão e a posicionou na frente dele)

FEM - Esse é o papai...

Ele sorriu e viu que um momento especial estava acontecendo de novo em sua vida. Mas ainda havia uma lacuna a ser preenchida do tempo perdido. Ela ainda lhe devia algo e ele precisava de um período para compreender as verdadeiras razões para que tudo acabasse dessa forma. Isso era apenas o princípio.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Sorrisos, lágrimas, companhia e desejos


Eu sempre digo que quero postar algo mais impessoal e menos intenso no meu blog, mas é muito difícil. Eu vivo tão intensamente cada momento hoje que não saberia, por enquanto, ser obtuso com as emoções.

Queria poder expressar com mais propriedade meus sentimentos, receios, dores e tormentos, mas não poderia, pois estaria compartilhando uma intimidade envolta até em segredos.

Mas posso escrever que redescobri uma forma nova de viver e que há muito tempo eu buscava, é muito intenso e talvez, em um futuro que não sei se está próximo, as pessoas ainda não conseguirão me entender. Viver de emoção é muito foda. Os riscos são tantos, mas o mais importante é assumir as responsabilidades e saber que pode partilhar uma felicidade única às pessoas que merecem.

Não falo mais sobre compleição, poemas vivos que se concretizam em sonhos, rosto lindo que desenho no ar, eu vivo isso. Não é sonho, mas é real.

Na época da faculdade, quando estava em crise existencial e sentimental, busquei forças no estudo e na busca de alguém que partilhasse comigo de ideais comuns, desejos e segredos. Queria suprir uma carência de amor que há muito tempo eu vivia, mas fui ingênuo até e acabei amadurecendo em vista do sofrimento, aprendi de novo que chorar faz bem, mas o soluço ainda dói.

Da pior forma possível vivi uma paixão destruída na faculdade onde a pessoa do meu desejo ainda convivia ao meu lado, me ignorando, me odiando (por ter traído a confiança de amigo, pois - olha só - me apaixonei por ela), ainda assim engoli seco cada repúdio, cada tirada seca, a indiferença - ainda que por obrigação interagimos em torno de um ideal comum, o sucesso do grupo de estudo, o melhor da sala. Foram dias tão agonizantes, marcados por sentimentos difusos, confusos e novos. Nunca mais fui o mesmo depois desse aprendizado sofrido.

Só fui buscar tranquilidade quando escrevi um livreto onde narrava em textos a minha busca de redenção para curar minhas feridas internas, meu coração combalido, uma forma de interagir com Deus e me dar um rumo digno e coerente com as minhas ações futuras. Esse livro foi fundamental, pois era o meu desabafo, a minha linha editorial da busca da vitória pessoal, era o meu firmamento de auto ajuda que buscava - não gosto de livros assim, mas então fiz um para mim. Se outras pessoas poderiam tirar lições dessa pequena obra escrita, como eu tirei, digo que fiz o que era certo.

Hoje me vejo arremessado a uma vida profissional intensa, dedicada e com um amor - queria poder chamar de outra coisa menos forte, mas é contrariar.... Ah, de verdade vai... Um sentimento que nem ainda encontrei definição, mas é muito forte. Conciliar essas situações é uma aventura prazerosa e linda. Viver isso é como se reencontrasse o prazer de caminhar sobre o céu - desejo íntimo de querer voar - e tivesse no peito o maior grito de alegria do universo para espalhar para todos, dizer: "Sorriam, pois a felicidade é feita de momentos e perdura o suficiente para que possamos viver melhor a cada dia. Sorriam, de verdade, como eu faço todos os dias, ainda que queira chorar as vezes. Sorriam".

A vida é tão curta e me vejo sempre questionando como será a minha daqui a dois meses, um ano, pois tudo parece ser mutante, transformador, não saberia dizer o que faria daqui a algum tempo, mas eu vivo cada dia. Uma pessoa muito especial - e ela sabe o quanto é - me disse em alguns contextos variados, mas todos absolutos, de que a gente tem que viver um dia após o outro, sem cobranças excessivas, mas sendo coerentes. Ela tem razão e sigo a sua cartilha, até mesmo porque já seguia antes, mas os problemas que por vezes surgem no dia-dia, as implicações relativas ao stress atrapalham o meu raciocínio lógico. Ela foi extremamente necessária para a busca do meu equilíbrio.

Digo que, se uma pessoa te inspira a você a querer ser melhor, de alguma forma essa seria a mais incrível e linda declaração de amor ao próximo.

Escrevo isso apenas como um apontamento ao meu momento tão Carpe Diem, naqueles que me fizeram inspirar viver melhor e buscar um meio para estar junto das pessoas que mais amo. Vou sorrir e ouvir música, nos momentos mais legais sempre busco sonhar com você o que eu já vivo tão bem.

Se tivesse que partir para bem longe eu carregaria cada pedacinho de aprendizado da minha vida e espalharia a todos aqueles que precisam de uma palavra de carinho e um abraço fraterno. Não queria viver só e não seria egoísta a ponto de me resguardar no direito de ser feliz, quero um mundo melhor sim, mas fazer cada pessoa sorrir e acreditar na capacidade de mudar suas vidas por causa do amor já seria uma missão cumprida em função do meu momento tão Carpe Diem. Tente a cada dia viver um momento novo, vale a pena. De verdade.



quinta-feira, 20 de maio de 2010

FIM - O que vou fazer sem você?





(Aperte o PLAY e depois leia)

Será que estamos preparados para o fim de uma relação? O que nos move a acreditar que todas as possibilidades possíveis para sustentar a dor da separação podem ser viáveis com o tempo?
Não saberia responder a essas perguntas se não revivesse todo o momento doloroso da separação e ainda me sentisse tão pequeno, ínfimo, diante da dor maior que é de dar adeus à pessoa que mais ama.

Porque tudo tem um propósito, um meio que leva ao fim e, dependendo de cada pessoa, vive-se uma relação até as suas últimas conseqüências, sem medir tempo, espaço e situações. Conhecer, estabelecer um vínculo de amizade, cultivar essa fidelidade fraternal com a pureza dos risos, trocas de segredos, mediações de idéias é um processo natural de estabelecer uma relação que pode ou não resultar em romance.

Penso que o tempo cuida de tudo, que o destino traça o caminho de cada pessoa e tudo pode ser possível, mas é a relação de confiança e intimidade – em grau variado – que faz com que o nível de atração possa ser equilibrado no senso comum da amizade ou mesmo de uma tensão sexual, por vezes, involuntária.

Mas o que traça de fato o grau de aproximação entre duas pessoas são os momentos, o despertar de traços comuns ou atrativos que movem além da mera curiosidade. Ter a certeza de que seguir determinado caminho numa relação fraternal pode ser uma decisão definitiva e que marcará a sua vida. Para o bem ou para o mal.

Relações são difíceis e cultivá-las é um exercício de tolerância e paciência. O nível de confiança e intimidade ajuda para que tudo se conspire em um beijo na boca, um carinho na nuca, uma respiração mais alta e suspiros mútuos.

Mas é manter essa relação de cumplicidade, onde um sorriso de canto, um gesto é claramente reconhecido. É um sinal de corpo tão sutil, mas de fácil assimilação entre duas pessoas que mantém uma relação íntima, que existe alegria em saber que uma outra pessoa, a que amamos, nos interpreta em todos os sentidos e compreende.

Durante algum tempo, se manter juntos é um exercício de paixão, duplicidade, olhos nos olhos, corpos colados e momentos de ternura. Esses momentos preciosos são onde o casal mantém sua segurança, a sua baliza de sustentação, conhecendo um ao outro, integrando mente, corpo e comportamento.

Existe a trilha sonora para os encontros, para as brigas que surgem, para as reconciliações chorosas. Tudo pode ser motivo de alegria ou não. Ótimo quando ele encosta a cabeça no colo dela e de leve ouve o seu coração bater. Então ele suspira alto e sorri do nada – sendo que ali representa tudo o que ele quer sentir: emoção genuína por estar tão bem com quem se ama.

Lindo para ela saber que pode estar sendo colhida nos braços com um abraço acolhedor e forte o suficiente para se sentir segura e amada. Não há como medir o nível tão intenso por esses momentos que parecem frugais, mas que representam momentos únicos. Aqueles momentos que sempre guardamos na memória, que algum dia serão lembrados antes do cair de uma ou duas lágrimas.

Eu digo que o fim é algo que nunca esperamos, mas pressentimos. Desde o primeiro momento da insegurança por algum fato isolado ou algo involuntário, por amor exigimos cumplicidade e não separatismo momentâneo. O sentimento exige reparações constantes e que nem sempre estamos aptos a dar por circunstâncias externas, seja no trabalho, familiar ou círculo de amizade mesmo.

Talvez um ponto de saturação na relação se rompa e tudo caminhe para um desgaste natural, muitas vezes resolvido com tempo e paciência, mas quando isso não ocorre e apenas podemos ver que houve um desencantamento é triste constatar que o fim é algo inerente, propício e doloroso, muito doloroso.

Tento não pensar no fim, na ruptura, mas é algo inevitável, pois vivemos sentimentos autênticos e o fim representa que acabou, que todos aqueles momentos maravilhosos antes vividos não se repetirão, que os encontros tão sensíveis e alegres não passarão de histórias de ex – contados com uma leve dor no peito. É tão triste que apesar de tudo, ainda assim teremos etapas a cumprir por causa do fim. A separação é inevitável e cortar tudo por algum tempo é um meio de não prolongar a dor e deixar que tudo flua para um sentimento de aprendizado.

Não existe fórmula para o fim e situações são isoladas para cada pessoa. Eu penso que o afastamento é um processo natural, não é um ato covarde, mas da busca da sobrevivência emocional. Isolar-se constitui de uma tentativa de tentar que o tempo fluía melhor para o esquecimento daquele sentimento tão intenso.

Não quero parecer frio por estar sendo tão esquematizado, mas vida me ensinou da pior forma possível, que toda dor na separação é superável quando se isola da pessoa que amava e se rodeia de amigos que lhe ouça, o abrace quando precisa e seja a companhia para todos os momentos necessários, de resto o tempo cumpre o seu processo natural.

Mas é tão dolorido passar pelos mesmos lugares que estiveram antes, sentir um perfume que lembra a pessoa amada, ouvir nomes semelhantes ou, pior, se deparar com ela e ainda assim saber que nada pode se feito.

Queria, na verdade, que um relacionamento de cumplicidade, amizade, amor, sexo, risos e lágrimas nunca acabasse, mas se sustentasse diante das dificuldades e trabalhasse para que a cada dia fosse uma nova aventura, um patamar novo a ser descoberto.

Será que estou preparado para o fim de uma relação? Digo, claramente, que hoje não. Mas sobreviveria. Não tem como uma pessoa sensível passar incólume pela circunstância de ainda estar apaixonado e ver que tudo pode acabar. Hoje uma despedida com lágrimas, risos, promessas de continuarem amigos e, ainda soluçando, saber que tudo ainda é um engodo, mas o fim, esse, é inevitável.

Acordar no dia seguinte depois de uma noite mal dormida e despertar de fato para que tudo simplesmente acabou, que aquela pessoa que antes lhe importava como a vida, não pode mais ser acessada e que mesmo assim tudo pareceu rápido demais. As lembranças teimam em voltar à sua cabeça e você ainda sente falta, uma baita falta.

Fica então o curto verso daquela canção que embalou seus melhores momentos onde um abraço é o mais real sentimento de proteção que poderia sentir e agora, daquela pessoa, não mais terá.
Um choro, seguido de saudade. Um choro, seguido de raiva. Um choro, seguido de ansiedade. Um choro, seguido de conformação. Talvez tudo pudesse ter sido diferente em algum ponto onde um ou o outro errou.

Dependendo da forma como acaba eu urro de raiva por ter perdido tanto tempo por alguém que talvez não merecesse o que dei de mais valioso ou choro de joelhos nos pés de algum amigo, ou amiga, pedindo ajuda para acabar com a dor que explode no meu peito e comprime o meu coração a quase um sufoco por ter perdido um amor.

Será que estamos preparados para o fim de uma relação? Não sei você. Quanto à mim, digo que não. Mas prefiro continuar vivendo a cada dia e desejando que tão longe fique esse momento. O tempo cuida da gente.

domingo, 2 de maio de 2010

Popsex nº 2

Se não leu, para compreender, leia antes: Popsex nº 1

(Ante de ler, dê o PLAY)

Havia um cello no canto da sala. O som triste que saía das caixas de som que ficavam no canto da sala. Seu doce sorriso apareceu na janela do meu quarto e tentei entender a distância que me fez ficar longe de você.

Me ligou de madrugada e no seu primeiro “alô” perdi a voz de emoção. Cancioneta de violão, tudo é regrado e óbvio, como os sentimentos humanos tediosos que cerceiam o amor . E o cello no canto da sala ressoava suave a melodia que um dia nunca imaginei poder cantar a você.

- Oi.

- Oi.

(Silêncio instantâneo)

- Fala alguma coisa... (Pede ela)

- Eu...

- Sim.

- Eu to sentido muito a sua falta. (Abri minha guarda)

(Silêncio instantâneo do outro lado da linha)

- Eu também... (Um soluço quase imperceptível)

Para ele era tão bom ouvir a voz dela e saber que ainda está por aí, depois de semanas, meses de separação. Mas não esperava que o mesmo sentimento de amor ainda havia perdurado depois de tanto tempo. Não entendia a cura que haviam dito a ele sobre o tempo. Podia traçar no ar cada linha de seu rosto, sentir os seus cabelos, o mesmo perfume que o perturbou durante um bom tempo e ainda assim perceber que o tempo não fez nada para que ele a esquecesse.

- Como você tá? (Perguntei, tentando evitar a emoção)

- Eu... Bom... Eu to daquele jeito: simples e ainda traçando metas.

- Legal... Você era boa em traçar metas, lembro disso.

- Você lembra? (Outro soluço, mas ainda quase imperceptível)

- Lembro... Lembro sim.

- Que bom! Não fui apagada da sua... Memória.

- Não, imagina... (Suavizei ainda mais minha voz para ela) Nunca, nunca te esqueci.

Na primeira noite ela pegou a minha mão e me conduziu até a cama, não tirava os olhos dos meus e transmitia uma segurança que eu nunca havia visto em uma mulher. Sentei na beirada da cama e ela me beijou a testa, queria cuidar de mim. Deitei e ela então sentou em cima de mim, abrindo as pernas sobre o meu colo e montando. Arqueou para frente e nos beijamos freneticamente, eu podia sentir sua boca quente, úmida, entumescida esfregar na minha e senti uma emoção genuína. Estava todo arrepiado, abria os olhos para ver sua reação aos meus beijos e aos carinhos que fazia com as mãos, alisando suas costas e tocando seus cabelos lisos, perfumados e sedosos.

Ela se esfregava sobre o meu colo lentamente e eu partilhava sua sensualidade observando seu rosto lindo, brilhando, entregue, como podia ser tão linda, como podia criatura tão alva e meticulosamente desenhada por anjos estar comigo e ainda assim entregar com confiança sua intimidade? Não sabia, mas deixava viver, acontecer, não queria atenuar em nada esse momento, mas dar a ela minha entrega total em querer fazê-la feliz, desejada e possuída.

- Ainda é difícil pra mim, sabia? (Tentei explicar a ela)

- Pra mim também, mas eu queria falar com você, senti a sua falta... Hum... Fiz errado em ligar?

- Não, claro que não... Na verdade eu não sei, mas eu precisava ouvir você, saber como você estava.

- Parece tanto tempo... (Soluçou de forma mais nítida).

- Está sendo tanto tempo, são meses... Ainda sinto muito, muito mesmo pelo que ocorreu e chegamos a esse ponto, de verdade.

(Silêncio breve)

- Ei... Você ainda está aí? (Me assustei) Oi, por favor não desliga...

(Ouvi claramente outro soluço e então...)

- Eu te amo. (Disse ela, chorando)

Lembro ter chegado bêbado em casa, sem chão, procurando saber por que havia agido daquela forma com ela: bruto, possessivo, impondo minha autoridade sobre suas ações, com desconfiança, excesso de insegurança e ainda assim, cheio de razão, jogar toda a nossa relação para o alto por causa de uma cena de ciúme que a humilhou. A desprezei quando ela precisou do meu amor, destitui do seu pedestal de única para o mesmo nível de outras, comuns.

Em uma relação que oscilava muitos momentos íntegros e lindos com outros de imaturidade de ambas as partes, eu fui o causador do maior mal de todos.

Ela então me ligou e ainda na garagem a mandei se foder. Estava transtornado, mas ela insistiu e acabei por entregar a verdade que achava a sua ira, e pude então compreender que havíamos chegado a um ponto de ruptura que, talvez, definisse nossos rumos. Fui ainda bêbado, com o meu carro, até a sua casa. Era madrugada e o tempo estava frio, dando sinais de chuva.

A encontrei fora de casa, armada e magoada, muito mesmo. Ainda tonto, a olhava com certo receio, mas não deveria, pois se havia provocado tudo aquilo e por alguma razão achava que estava correto na atitude que tomei, porque então me sentia culpado?

Em poucas palavras e pela sinceridade da forma como me olhou, expressando toda a decepção comigo eu pude entender que no fundo ela tinha razão.

Não esperei desenrolar mais nada que pudesse prosseguir aquela agonia, estava arrependido, mas sabia que tinha cruzado uma linha muito perigosa. Pra ser sincero, por um momento perdi a puerilidade do momento e chutei tudo para o alto, se tivesse que agir para que ela entendesse que apesar de tudo a minha vida ainda era parte da dela, ali, naquele exato momento eu tinha que fazer o impossível.

Coloquei uma de nossas canções e deixei as portas do meu carro abertas, caiu então a chuva, interrompi tudo e fui abraçá-la sob a águas da chuva, ela me levou para trás do muro da sua casa e pude entender que não era reconciliação, era um último momento, uma entrega de carinho e sexo para completar um ciclo, o seu ciclo, o meu ciclo. Era loucura de duas pessoas carentes que buscavam a redenção no amor ou apenas o óbvio tedioso da vida que adoramos complicar?

Não saberia responder, muito menos ela. Mas, fizemos amor em pé, debaixo da chuva, em desespero, entrega e raiva. Os beijos eram firmes, mas sem a candura de antes, era entrega e despedida, tudo forte, intenso. Ainda não consigo lembrar como encerramos aquela madrugada. Eu sei que tudo acabou, ela apenas me olhou, séria, nada disse. Fiquei calado, me ajeitei e esperava, talvez, uma voz dela que me dissesse: “desculpo”.

Nada disso, ela apenas olhou para o portão da sua casa. Eu compreendi que tinha que ir embora. Ela, ainda calada, me olhou tão firme e decidida, como uma navalha afiada cortando a minha carne. Sai devagar, caminhei até o carro e ainda olhei para ela através do portão gradeado. Ela ficou impassível, sem lágrimas, sem sorriso, sem rendição. Apenas gotas de chuva sobre o seu rosto, os cabelos molhados, escorridos sobre os ombros. Não havia mais a poesia que me encantava aos ver os seus olhos sobre os meus, apenas um vazio.

Entrei no carro e parti.

Havia um cello no canto da sala da minha casa. O som era suave, mas amargo, a voz era dissonante diante da minha saudade, mas pura no que eu sentia.

- Não chore... Ei... Faz tempo.

- Não era para estar sentindo isso por você, não... É tão doloroso.

(Silêncio)

- Não posso dizer que sinto o mesmo, mas sinto falta de você.

- Quanto mais tempo teremos para suportar isso?

- Não imagino... (disse, emocionado com a entrega dela, chorosa)

- Estou tão longe e você tão perto de mim, dentro de mim...

(Fechei os olhos e não queria acreditar que podia reviver tudo)

- Não sei se o tempo vai curar, se a distância vai nos manter tão longe assim do que sinto ainda por você, mas eu... (soluça)... Eu só queria te dizer que, se acontecer de você não sentir mais nada por mim, nada mesmo, quero que seja meu amigo...

- Sempre serei seu amigo... Sempre... Deixa como está. Eu entendo tanto você agora... Nas primeiras semanas em que foi embora amarguei uma solidão tão grande... Triste.

- Eu sei. (Disse ela suave, quase sussurrando)

- Passei semanas passando pelos lugares que frequentávamos antes. O mirante, aquele restaurante, a pizzaria, os pubs, até mesmo as canções que ouvíamos juntos parecia uma dor que comprimia o meu peito. Todas as lembranças, foi e está sendo difícil. Eu entendo você.

- Está acabando né?

- Quem sabe? Vamos viver a cada dia e ter as nossas melhores lembranças, mas sem dor.

- Você mudou, sabia? O modo como está dizendo essas coisas para mim.

- Eu não quero magoá-la...

- Não, não é isso. Você mudou para melhor, me parece mais maduro.

- Você me fez ficar assim... (Senti um nó na garganta) Por isso eu digo que sempre seremos amigos.

- Obrigada.

(Me silenciei e dei um sorriso emocionado)

- Não tem como...

- Vou desligar.

- Tudo bem, foi muito bom te ouvir depois desse tempo todo.

- Também.

(Ficamos em silêncio, pontuados pelas respirações )

- Te cuida, tá? (Pediu ela)

- Você também, te cuida.

- Tchau!

- Tchau!

(Ainda ficamos alguns segundos segurando os fones)

Por fim, com cuidado, coloquei o fone no gancho e senti um descompasso no meu coração. Havíamos dado o passo definitivo.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Popsex nº 01



(Antes de ler, dê o PLAY)


Cheguei bêbado em casa... Encostei o carro na garagem e ainda tonto tentei equilibrar o raciocínio com a lógica da música que soava na minha cabeça. Respirei fundo e o celular tocou. Ainda estava zonzo com a última briga que tivemos. O brilho da tela do smart penetrou fundo na minha retina e vi o seu rosto em meio a nuvens.

EU - Oi.
A VOZ - Ainda não acabamos sabia?
EU - Quem?
A VOZ - Foda-se!
EU - Ok, acolho, eu sempre me fodo mesmo!
A VOZ - Que é? Vai posar de coitadinho?
EU - Não, então foda-se você.

Desliguei. Na minha mente lembrei de Kid Foguete, um personagem fuleiro de um dos contos maravilhosos de Charles Bukowski. Numa noite, precisando de grana, ele entra num frigorífico e pede emprego, pois precisa de grana. Praticamente se fode por fazer aquilo que não quer, mas necessita. Sou como Kid Foguete, me fodo com ela, por fazer aquilo que necessito. Não, não é sexo. É amor mesmo! Por que estou bêbado? Porque percebi que acabei de me foder por amá-la e ela nem aí.

Não consigo sair do carro, além da dormência no corpo fico pensando o que deveria ter feito para evitar ter chegado no ponto que chegou. A música, o som desatina as minhas ações antes calculadas, frias... e a porra do celular toca novamente.

"Atendo ou não atendo?" - Penso.

O toque perdura e olho compenetrado (pelo menos eu tento)para o visor brilhante.

"Foda-se"

EU - Oi.
A VOZ - Você é um idiota completo.
EU - Seiii... Mas, por que?
A VOZ - Mandando me foder, sendo que você é que merece...
EU - (Interrompendo) Quando a gente vai parar com isso?
A VOZ - Você provoca como quer que eu reaja?
EU - Não fiz nada... Droga... Olha, tô bêbado e sem condição nenhuma de prosseguir a discussão.
A VOZ - Ainda saiu para beber depois que discutimos? Você é tão fraco assim?

"Puta que o pariu, será que a amo tanto para aguentar isso?" - Penso.

EU - Não quero mais prosseguir com essa discussão...
A VOZ - Tô cansada, muito...

(Pausa breve... Respiração alta no dois lados da linha)

EU - E aí?
A VOZ - Você tá onde?
EU - Na garagem de casa, sem coragem de sair do carro, pensando um monte de merda.
A VOZ - Hummm... Seu idiota, porque não consigo ficar longe de você?
EU - E...
A VOZ - Tem condições de dirigir até aqui?
EU - Não sei, tô um pouco tonto, mas não tem risco...
A VOZ - Não, deixa pra amanhã, precisamos esfriar a cabeça.

(Me calo por alguns segundos)

EU - Tô indo aí, me espera.

Desliguei o celular, nem tirei o cinto de segurança, acionei a ignição e sai. Voltei para a rua e o ar-condicionado estava congelando no interior do carro. Mas achava um alívio.

Tomei a "Boulevard Street 05" e fui devagar. Divaguei então sobre as ondas de referências que me puseram na enrascada de me envolver tão intensamente com ela.

-

Um dia estou numa bookstore com uma pilha de livros para escolher o que levar, entre eles um sobre redes sociais e mídia interativa na internet. Era o único exemplar. Carrego o livro comigo e percebo uma moça linda ao meu lado me olhando sem graça. Não ligo muito, não ofereço perigo mesmo. Volto minha atenção para uma edição encadernada de Sandman, de Neil Gaiman, junto a outros dois livros e caminho até o balcão do caixa. Então aquela moça linda se aproxima e pega o meu braço.
- Oi, olha me desculpe, não sei como falar.
- Sim, pois não.
- Chato isso, mas eu preciso falar.

(Fiquei curioso, o que uma criatura linda poderia querer comigo?)

- Eu percebi que você está com um exemplar do livro de redes sociais e mídia interativa.
- Sim, esse aqui. - Mostro o livro.
- Pois é, esse mesmo. É que... Bom, é o único exemplar que tem disponível aqui e... (Sem graça)... Nossa, tô nervosa.
- (Tentei acalmar) O que foi? Pode falar, não mordo não. (Ri para quebrar o gelo).
- Eu vou fazer um trabalho na faculdade e precisava desse livro. Meu Deus, desculpa.

(Eu queria rir do jeito dela)

- Tá certo... Olha, esse exemplar eu encomendei, mas a gente pode discutir o destino dele.

(Ela me olhou intrigada)

- Como assim?
- Vamos lanchar juntos e discutimos se dou ou não para você esse exemplar.
- Hãm!!!
- Ei, preocupa não, sou uma boa companhia e você tenta me convencer porque eu devo ceder esse livro para você, pode ser?

(Ela ficou desconcertada, mas...)

- Me deixou sem graça, mas aceito a proposta sim.
- Tá valendo então.

Paguei o livro e saímos juntos da livraria. Foi o nosso primeiro passo.

-

Entrei na rua da sua casa e a vi logo, parada em frente a garagem fechada. Ela estava com os braços cruzados, com cara de irritada. Eu estava feroz, com vontade de chutar a barraca inteira mesmo. Parei o carro. Ela ficou me olhando e suspirei alto quando a vi ali do meu lado. Sai do carro. Me aproximei dela com cuidado, ainda tonto, o meu cabelo estava grande e balançava com a brisa fria. Ela não mudou um milímetro da sua posição e com os cantos dos olhos me mirou até me aproximar por inteiro.

Suspirei fundo e nos encaramos. Os olhos estavam borrados pelo rímel, como tivesse chorando, podia ver as faces extremamente rosadas, o nariz um pouco inchado e ela mordia os lábios. Convalesci diante da sua verocidade, mas tão atenuada pelo abatimento, com um certo torpor emocional.

ELA - Não devíamos mais no ver, sabia?

Falou, quase murmurando, com a voz embargada.

ELA - Quero dominar a situação e não ser dominada, isso nunca me aconteceu.

EU - Não fiz nada de que me arrependesse é a única coisa que posso dizer. Eu tô dependente de você, tô carente de você e não queria ser ignorado, só isso...

ELA - Seu idiota!!! Ciúme bobo, eu devia mandar você de volta pra sua casa... Não havia necessidade de me humilhar na frente dos meus amigos, posar de machão e dizer que eu sou sua e de ninguém mais, sendo que já provei tanto à você.

EU - Não me acostumei à isso. É tudo novo, eu já te falei, eu te falei. Fui bruto, porque sou bruto... Ver você tão solta, sendo que pelo menos dois caras ali você já tinha ficado.

ELA - Foda-se!!! Eu estou com você, não mais com eles. É difícil entender isso porra!!!

Me calei. Olhei para os meus tênis, funguei o meu nariz e senti o vento ficar mais frio. Balancei a cabeça e me censurei por ter agido tão mal. No fundo eu sabia que ela tinha razão. Ela provou que me amava no quarto passo, na frente de uma delicatesse.

-

Saímos do estabelecimento e nos dirigimos até o estacionamento. Tava escuro e ficamos sorrindo um para o outro. Ela encostou no meu carro de frente pra mim e me olhou de uma forma mais atrativa.

- O que faz? - Perguntei.
- Quase nada, só curiosa. - Disse.
- Curiosa com o que?
- Como viemos parar aqui, olhando assim um para o outro e imaginando o que fazer.
- Ah, sinceramente?
- Sim.
- Ok, apenas nos conhecemos de maneira inesperada, falamos longamente de assuntos que nos interessa, temos algumas coisas em comum, você ganhou um livro que era quase meu, gosto de você... e... Humm...
- Sim, tem mais?
- Me ajuda que acho que tem. - Provoquei.

Ela me olhou tão próxima, abriu os lábios e senti o convite. Encostei minha boca na sua e nos entregamos num beijo chupado e espetacular. Devorando língua e dentes. Trouxe próxima ao meu corpo e alisei suas costas. Nos entregamos a beijos gulosos e pude sentir seu calor fluir no meu corpo. Há tempos não tinha esse tipo de apuro de pele.

-

Finalmente ela se desarmou, deixou os braços cair e virou de costas pra mim. Seus cabelos estavam soltos e esvoaçavam ao vento. Olhei para o céu da madrugada e as nuvens estavam pesadas, iria chover a qualquer momento. Seria a noite perfeita para uma despedida definitiva. Com corações partidos, choros, gritos e todo o drama possível que um amor sem freio precisa.

"Tudo isso é uma grande besteira", pensei.

Tirei a pecha triste do meu seblante, fui até o carro, abri as portas, liguei o som dele e dei play na minha trilha favorita. "So here, we are", Bloc Party. Deixei o som na altura média. Ela parou de caminhar, virou o rosto de lado e reconheceu a melodia. Voltei minha atenção para ela. Me aproximei.

EU - Já que vai terminar tudo mesmo, ao menos me dê o direito de lhe dar a despedida que sempre quis dar para uma mulher.

Ela se virou para mim.

EU - É tudo tão simples, tão mais fácil e complicamos tudo. Eu sei que foi culpa minha. Mas deixa eu ao menos fazer pela última vez aquilo que sempre quis fazer se me encontrasse num momento como esse, tão fudido com uma mulher que ainda amo muito.

Ela me fitou, olhando nos meus olhos e via claramente a sua incredulidade.

ELA - O que pensa que está fazendo? Quem você acha que é? Deus?

EU - Não, sou apenas alguém que fez uma besteira e que sabendo que não vai ter volta precisa fazer algo que ao menos amenize...

Me aproximei rapidamente e cheguei perto dela. Ela tentou num impulso se afastar e segurei um dos seus braços, sem força, apenas com a medida de não impedi-la de fugir de mim.

ELA - O que pensa que vai fazer...

Antes que concluísse colei o meu corpo no dela e encaramos olhos nos olhos. Ela deixou um brilho passar para a minha retina e a música atingiu o ápice. Colei minha boca na dela, os primeiros pingos da chuva começaram a cair.

Ela permaneceu imóvel e articulei meus lábios no dela, que não resistiram e se abriram para mim. Começou devagar, comprimindo carne com carne, ódio se misturou a paixão e tudo parecia um sinal de impetuosidade sagaz, destruidora, devassa. A chuva caiu sobre a cidade e ela comprimiu minha boca e abriu os olhos.

ELA - O seu carro está com as portas abertas.

EU - Foda-se. (Continuando a beijá-la).

ELA - Não, vamos para dentro feche o seu carro.

Corri no meio da chuva, fechei o carro e voltei até ela.

ELA - Sem abrigo, só nós dois.

Nos agarramos de novo. Estávamos encharcados e o tempo era vazio, vago, dissimulado e bom o suficiente para nos deixar únicos.

Ficamos no canto do muro da sua casa e na contraluz da luminária do poste o rajar do brilho da chuva, como poesia visceral. Beijamos intensamente, e machucamos nossas bocas e pele. Ela arrancou minha blusa e abri sua camisa. Ela mordeu meu pescoço e colhi carinho em seus seios. Desci minhas mãos pela suas costas e ela cravou uma das suas mãos no meu membro, sobre a calça.

CONTINUA...

sábado, 17 de abril de 2010

Luz da Estrela - Momentos

Estive um tempo afastado do meu blog por motivos emocionais e de saúde. Uma torrente de situações ocorreram durante esses mais de trinta dias e que me ocuparam mente, corpo e espírito. Tive que aprender duras lições sobre a vida e como anda minha saúde neste momento em que já sinto uma transformação me levar para um lado que lia somente na histórias curtas de Bukowski. A tormenta de querer viver no limite programado nem sempre é viável, pois um ou outro detalhe transforma tudo e se eu não tivesse estrutura emocional teria perecido sem aviso.

Estou doente...

Descobri que a minha vida já está em contagem regressiva. Meu relógio da vida entrou no cronômetro. Isso me assusta, pois sei que ainda tenho muito o que fazer, ensinar, aprender e escrever, criar, transformar o mundo, o meu mundo. Filhos, família, amigos.... Pessoas que vem e vão. Incrível como cada coisa que antes parecia banal ou indiferente ganha seu valor.

Há vinte dias sofri um stress tão intenso que contrai uma gastrite crônica que me levou a dores lacinantes, intensas. Não dormia, não comia, só bebia água, leite gelado e comia biscoito de maizena. Sensação de derrota constante. Agonia e dor, insônia e a constante música no meu fone de ouvido - a melodia das minhas canções favoritas aliviavam, ainda que pouco as contrações da ardência estomacal.

Deitado na minha cama, ao lado da janela que ficava aberta podia ver nas madrugadas de sofrimento as estrelas, sentir o vento e rever rostos, situações e buscar minhas melhores lembranças.

Difícil, mas ver os filhos em volta e sorri com as coisas que fazem é ver que há vinte anos nunca me imaginava assim, PAI. Um roqueiro, criado em meio a bagunça dos anos oitenta, desorientado, aluno medíocre no ensino médio e um geniozinho da cultura pop, fanático por quadrinhos, cinema, literatura e música, muita música. De repente ver que eles são ótimos alunos e gostam - nas devidas proporções - das mesmas coisa que eu na juventude (afinal são versões melhoradas da matriz, EU). Não existe maior recompensa e orgulho.

Era um pensamento de conforto quando a crise de dor aumentava e queria gritar. As dores me atingiam a parte inferior direita do estômago e passava por uma cólica desgraçada. Tinha medo de câncer e nunca fiz nada para merecê-la. Não fumo, não bebo, mas tinha o stress, tão intenso dessa vida de jornalista e empresário, resolvendo todos os dias um gerenciamento de crise. Podia sentir na boca o gosto amargo da doença, a ausência da saliva, os olhos fundos e os gemidos que eu dividia com a música.

Senti dores e muita queimação no abdômen, azia, falta de apetite, náuseas e também vômitos, sangramento na digestão. Ainda assim trabalhei, mantive os compromissos e sempre mantive prestativo aos meus amigos.

Nesse passar de tempo tive alívio emocionais e conversas com uma amiga que me ensinou a ver a vida com outros olhos.

Em certos momentos o psicológico fez mais efeito do que as medicações que tive que tomar. Uma felicidade momentânea que me dava forças.

Sarei.... Mas...

Mas o pior de tudo foi ter me motivado a romper uma realidade por causa de uma relação intensa de amizade que estava quase sem regras, por achar que seria melhor. Queria me afastar de uma pessoa linda por saber que enfrentaríamos problemas futuros, mas fiz da maneira mais tola e absurda.

Não poderia ter agido como agi. Em conversas longas, doloridas, choros e raiva, aprendi com ela que somos melhores juntos, mas dentro da coerência de nossa relação, sempre deixando em evidência nossos melhores momentos.

Não vou escrever mais sobre isso, é pessoal e ainda estamos curando feridas - que eu criei -. Mas rascunhei apenas para citar a letra de uma música que ela me apresentou, "Starlight", do Muse. A música é linda e a letra representa tudo, é um compêndio de sentimentos que eu sinto por ela... Traduz perfeitamente toda a sensação de busca, proteção e desejo que alimentei. A combinação das palavras com a melodia, o tom confessional, parece a nossa história, a minha história com ela.

Não poderia de deixar de registrar isso, ainda que seja um registro que explique a minha ausência e o meu tormento com uma doença que me mina quando ataca. Ao amor que dediquei nesses meses e dias a ela, deixo o registro da música (vídeo) e da letra (logo abaixo, com tradução).






STARLIGHT

Far away Para longe
The ship is taken me far away O navio está me levando para longe
Far away from the memories Para longe das memórias
Of the people who care if I live or die Das pessoas que se importam se eu vivo ou morro

Starlight Luz da estrela
I will be chasing the starlight Eu vou perseguir a luz da estrela
Until the end of my life Até o fim da minha vida
I dont know if it's worth it anymore Eu não sei mais se isso vale a pena

Hold you in my arms Segurar você em meus braços
I just wanted to hold Eu só queria segurar
you in my arms Você em meus braços

My life Minha vida
You electrify my life Você eletrifica minha vida
Lets conspire to ignite Vamos conspirar para acender
All the souls that would die just to feel alive Todas as almas que morreriam só para se sentirem vivas

But I'll never let you go Mas eu nunca deixaria você ir
If you promise not to fade away Se você prometesse não desaparecer
never fade away Nunca desaparecer

Our hopes and expectations Todas as esperanças e expectativas
Black holes and revelations Buracos negros e revelações
Our hopes and expectations Todas as esperanças e expectativas
Black holes and revelations Buracos negros e revelações

Hold you in my Arms Segurar você em meus braços
I just wanted to hold Eu só queria segurar
You in my arms Você em meus braços

Far away Para longe
The ship is taken me far away O barco está me levando para longe
Far away from the memories Para longe das memórias
Of the people who care if I live or die Das pessoas que se importam se eu vivo ou morro

And I'll never let you go Mas eu nunca deixaria você ir
If you promise not to fade away Se você prometesse não desaparecer
never fade away Nunca desaparecer

Our hopes and expectations Nossas esperanças e expectativas
Black holes and revelations, Buracos negros e revelações,
YEAH! YEAH!
Our hopes and expectations Nossas esperanças e expectativas
Black holes and revelations Buracos negros e revelações

Hold you in my Arms Segurar você em meus braços
I just wanted to hold Eu só queria segurar
You in my arms Você em meus braços