sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2010 – Um ano a não ser esquecido (de verdade)

Não pensei que seria assim. 2010 foi um ano de transformações na minha vida e de muitas pessoas que conheci. Mas, juro, nunca pensaria que o ano andaria dessa forma, revolucionando, me preparando para um mundo de experiências que nunca imaginaria acontecer.

Conheci pessoas maravilhosas, cultivei amizades importantes, expus minhas dores no Twitter e enchi o saco de muita gente. Pude vislumbrar situações que nunca pensei em viver. Mas não é certo deixar essas situações apenas no lúdico, na citação.

Tinha aquela menina, que falava pelos cotovelos, me olhava nos olhos e não deixava nada para resolver depois. Tinha um sorriso lindo e me disse que queria ser minha amiga. Na troca de confidências via Gtalk ela me mostrou um caminho de amizade que tive com poucas mulheres. Tudo devagar, sem expectativa do que só a amizade. Inteligente, de tiradas rápidas e um raciocínio lógico que me encantava. Caíamos na noite e transformamos o Iceberg na nossa morada de diversão e dança.

Um dia, cansado, triste, ela juntou os meus cacos, pediu para ouvi-la. Ouvi e conversamos uma madrugada inteira. Sorrimos, gargalhamos e na despedida ficou aquele gostinho de “puxa, já vai”. Sim, e tivemos um outro dia, mais um outro dia e mais outro. Até que descobrimos que poderíamos ser mais do que amigos.

E tinha aquela outra menina de Curitiba (PR) que conheci através de textos lindos no seu blog, que vivia sob a emoção a flor da pele. Tinha graça e virou uma das melhores amigas que eu nunca vi pessoalmente. Um dia ela ligou no meu celular e descobrimos ser os melhores amigos à distância.

Vi problemas surgirem, meus filhos crescerem e aprenderem, a necessidade da independência, após um casamento desfeito.

2010 fixei minha expansão de palestrante e ouvinte, aprendi e descobri coisas inesperadas, participei de todos ETCs (Encontro dos Tuiteiros Culturais), seja como debatedor, como mediador ou como tuiteiro.

Conheci Rio Branco (AC) e firmei amizades incríveis por lá. Fui bem acompanhado e fomos tragados pelos encantos da capital acreana. As ruas que aprendemos a conhecer. Aventuras inesperadas nas ruas, como fugir de uma viatura policial de ré subindo uma ladeira. O calor que me obrigou a comprar e trocar de camisa em pleno centro da cidade. Comer a melhor picanha num restaurante incrível. E, claro, depois aconteceu São Paulo.

São Paulo foi louco, incrível, especial, inesquecível, sensível, apaixonante e onde a música “You and I”, do Scorpions, soaria perfeita para mim e a minha partner, companheira de aventuras. Enlouquecemos ao ver o show do Scorpions ao vivo no Credicard Hall, suspiramos ao assistir o CQC ao vivo na Band – depois de uma longa jornada dentro de um ônibus (o Morumbi é longe da região central). Caminhamos de mãos dadas pela avenida Paulista e visitamos o MASP, curtimos as idas e vindas constantes pelo metrô – itinerários e baldeações já eram nossas companheiras constantes para irmos aos lugares planejados.

Tiramos dezenas, centenas de fotos... Visitando museus, lugares famosos... Conhecemos a região central onde o meu irmão Márcio mora – Praça da República, a sua feirinha de domingo é o máximo -. Travamos um duelo com o tempo para tentar conhecer todos os lugares possíveis (25 de Março, Mercado Municipal, Zoológico, praça da Sé, Estação da Sé, o bairro Bixiga – onde jantamos numa autêntica cantina –, o bairro Liberdade – outra feirinha adorável). Suspiramos nos dias de garoa, suamos nos dias quentes de caminhadas longas (Museu do Ypiranga), pegamos chuva no Parque do Ibirapuera no finalzinho da tarde. Mas voltando ao Museu do Ypiranga, como esquecer o piquenique de morangos e uvas na praça, debaixo de uma sombra. “Quando chegarmos em Porto Velho vamos lembrar desses momentos com saudade e carinho”, falei. Ela consentiu com um sorriso lindo enquanto o vento jogava os cabelos no seu rosto e mastigava um suculento pedaço de morango.

Tive amigas e amigas. Tive aquelas que com um olhar entendiam que havia algo acontecendo. Outras que suportavam minhas lamúrias e entendiam que eram sinais. Pedidos de socorro. Uma conversava comigo olhando nos olhos e dizia: “Amigo, tudo vai dar certo e cada coisa no seu tempo”.

Amigos ficaram próximos e ou distantes, mas nunca negaram uma ajuda. Em meu momento mais crítico desse ano, quando sucumbi de uma perda que seria irreparável na minha vida eles foram uníssonos. “Tenha atitude, faça por merecer ser feliz”. Eu os ouvi e estou no processo de mudanças necessárias para atravessar o ano com propósitos novos, um novo homem, que ao longo do ano foi se transformando.

Enfrentei stress inimagináveis, briguei com Deus, fiz as pazes com ele, sucumbi no pecado pela falta de coragem e paguei caro. Hoje sou transformado. No processo de todo o ano, encontrei o equilíbrio do meu corpo, amadureci um relacionamento e busco no ano que entra a perspectiva que a vida me instiga a querer.

De janeiro a dezembro de 2010, eu, Marcos, sou um novo homem, menos fragilizado e mais frio. Tenho inspirações e aspirações.

Queria poder registrar todos os momentos de risos e choros, de alegrias e danças, de tudo que transformou minha vida num carrossel de emoções, mas seria chato. As lembranças nesse caso ficam melhores comigo do que escritas aqui.

Sabe, creio que todo o fim de ano é necessário um balanço daquilo que aconteceu, mas não é necessariamente obrigatório. Mas analisar as transformações e as motivações que deram os momentos mais inesquecíveis da minha vida em um ano, é acreditar que nas vitórias e derrotas encontrei forças para entrar o ano que chega com a esperança de alcançar os objetivos que planejei – coerente e com os pés no chão.

Tudo diferente, tudo novo e com um aprendizado de vida necessário. 2011 chega como o ano que precede a revolução que foi a minha vida em 2010.

Com todas as forças e sinceridade desejo a todos os meus leitores um ano novo de paz e feliz comunhão dos sonhos com o propósito de realizá-los.

Acredite, tudo pode ser melhor, diferente, criativo, instigante, apaixonante se você acreditar que tudo depende das suas atitudes.

A vida segue... FELIZ 2011.

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Um vídeo de pouco mais de 2 minutos é um resumo perene do que é poder acreditar, com criatividade, amor e dedicação, todos dos dias, suplantando a rotina, a miserável rotina. Ter uma inspiração é maravilhoso, mas ela só surge com a demanda de paciência e a virtude de ter atitude. Adoro esse vídeo:



quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

SONETO DE CAMÕES

Amor é fogo que arde sem se ver  Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer;  É um não querer mais que bem querer; É solitário andar por entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É cuidar que se ganha em se perder;  É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence, o vencedor; É ter com quem nos mata lealdade.  Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo Amor?                             Luís de Camões

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Mais um dia...


Aperte o PLAY antes ou depois de ler o texto.


Um dia eu acreditei que tudo poderia ser mais fácil e compreensivo. Mas existem fatores que longe da minha compreensão, não sei porque caem sobre a minha cabeça com a força de uma bigorna. Devastando tudo, quebrando meu raciocínio e lógica. Ainda que preso a velhos valores, sou a soma de uma série intempestiva de erros causados pela minha natureza de viver.

Nos dias de insônia o meu pensamento vaga além da janela do meu quarto numa madrugada qualquer, segue lento e me desenha projeções futuras do que posso fazer e me tornar. Hoje, no olho do furacão, devo voltar a pedir que um raio caia na minha cabeça, para que tudo se resuma a uma perda causada pela força da natureza. Cada dia mais sinto as paredes se fecharem ao meu redor e não por culpa de quem me ama, mas por, talvez, ser essa intensidade de emoções que nunca cessam dentro de mim.

É um crescendo, uma agonia que cresce dentro do peito pela inconstância de sentimentos, do improvável entre a certeza do que está por vir e o que acontece hoje. Dentro de 30 dias estarei só, só no sentido literal da palavra. Família viajando, a tormenta das finanças batendo forte na minha cabeça e as preocupações tomando cada vez mais espaço. Debilitado, desajeitado, bobo, diagnosticado com stress e cansaço. Oscilando momentos marcantes de felicidade com outros de pura depressão degenerativa.

Bad day, dia ruim, os prazos afunilam, tudo conspira para que o empresário flutue sobre um bote num imenso mar azul, cercado por tubarões e sem perspectiva a curto prazo. Os conflitos que geram outros conflitos, que tentam consumir cada parte íntegra do que restou da minha consciência moral.

Estou de pé, olhando da beira da ravina o por do Sol no rio. Pouco o que fazer, pouco o que ver. Estou fazendo o mais do mesmo. Perdido de novo.

No feriado de chuva, deitei no piso sob os pingos da chuva, fiz uma oração, pedi perdão por estar tão preso aos meus problemas, pedi desculpa pelo auto-flagelo ingênuo de um homem que não deveria estar tão deprimido.

As águas da chuva batiam no meu corpo como flagelo, cada pingo uma dor que me machucava ainda mais. Buscava conciliar meus pensamentos de entrega ao perdão com os dissabores dos meus atos.

No frio da chuva, com o vento sinuoso que tomava conta do ambiente, só podia lamentar e deixar minhas lágrimas misturar com a chuva. Hoje é um dia em que tenho que ficar quieto, tentando erguer a cabeça mais uma vez, respirar ar puro, buscar os sorrisos lindos dos amores que me rodeiam, buscar o carinho do amor, sentir aquela voz e os conselhos que preciso mais uma vez ouvir.

O tempo ainda está cinza, ouvi "Eu sei", do Legião Urbana, sem querer quando sintonizei o rádio e senti cada palavra como uma verdade silenciosa. Renato Russo era foda.

A cada dia eu tenho certeza de algumas decisões que irei tomar na minha vida. Chegado o momento da virada, preciso ter paciência e forças... Conciliar malícia com necessidade de sobrevivência, sobrepor minhas tormentas, traçar um plano de risco e deixar a vida fluir. Só que para tudo isso preciso de força e coração.

"Me ajude. Se fiz o suficiente para provar que posso ir até o fim... Nunca se esqueça, ainda que longe estarei bem perto, ainda que calado, minha voz sempre fará ouvida nos momentos em que mais precisar".

As palavras que já ouvi e hoje ecoam na minha cabeça... O tempo passa, tudo passa, lembranças e histórias, sou pássaro novo...

Amanhã é outro dia... Espero, que bem melhor.

Sorriem crianças, em breve estarei sorrindo com vocês... Quem sabe.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Eu e vc... Indivisíveis



APERTE O "PLAY" E...



...EM SEGUIDA LEIA

Já não vi mais razão em querer me distanciar de você
Nem cumprirei o trato que a vida prediz ao estagnar nosso amor
Nem sei bem o tempo que passou
A saudade que no teu olhar terno me aplacou


Caminhei lado a lado e sei cada movimento teu
Do segredo que me diz com a expressão mínima do teu corpo
A cumplicidade que criamos em torno daquilo que cultivamos
É um sorriso de canto por cada gesto.

Somos ao mesmo tempo indivisíveis e complacentes com nossos sentimentos
Mas sabemos que juntos somos melhores
Completamos cada lacuna deixada pela vida que tivemos e no sofrimento
Que do passado tentamos aplacar.

Sou você, sou o tempo necessário da tua respiração, mas sou pouco diante do que ainda há de vir
A incógnita impingida num dia após o outro, caminhando numa linha tênue
Entre o "eterno" e o "previsível"
Mas nunca dissassociado de um ou de outro.

Nos completamos, no encaixe perfeito entre a compreensão e o ensinamento mútuo
Mas devo eu mais a você pelo resgate que foi me tirar do poço da solidão
Do castigo da infelicidade
E da noites perdidas em trips sem volta

Sou hoje ser em desenvolvimento, que recupera o tempo perdido
Respirando juventude e aos poucos me tornando completo com o amor que descobri
Com o amor que pensei não encontrar mais...

Talvez nem encontre mais... ainda que de uma única parte...
És o todo que me completa...
Longe estás perto e de perto se torna um só, eu e você.

Amo você...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Esperança...



Você pode acreditar em esperança? Nos meus momentos mais difíceis eu juro que pensei em jogar tudo no poço e cair dentro dele com todas as minhas forças. Durante anos enfrentei uma barreira singular ao buscar partilha onde não encontrava, carinho onde não tinha mais, palavras de coragem onde só negativas faziam sentido. Na minha solidão voluntária eu vi desmoronar sonhos, uma relação que só eu acreditei ser possível mudar, mas sem cumplicidade é apena a luta de um homem solitário diante da ruptura.

Não tinha como respirar sem sentir a pressão de estar junto apenas pela força do compromisso em criar os filhos, era necessário tempo e aprendizado de vida. Ter a paciência necessária para tomar a decisão mais correta que parecia.

A depressão era inevitável, a queda, tudo conspirava para que o meu mundo girasse em torno da tristeza. Era a dor de saber que teria que ficar mais tempo sem sorrir com sinceridade, cair em tentações que não queria, buscar relações frias e sucumbir diante de aventuras que destroçavam meu íntimo, abalavam minha consciência e me deixavam ainda mais pra baixo do que estava. A felicidade momentânea pelo prazer era pura mítica da derrocada que eu teria que ter na minha consciência. Dormindo mal, levado pela rotina e sem chão de sustentação para o amparo das minhas noites de carência. Buscava o amor verdadeiro. Me iludi ao percebe muito tarde que tudo havia sido um engano, uma mentira que forcei ser contrária a realidade.

Um dia de chuva e desempregado, desiludido, sem perspectiva inclusive na área que trabalhava, pois havia sido queimado no mercado por ter lutado pelos meus direitos e conquistado, vencido a arrogância de um empresário que só o mal fez, mas paguei um preço alto. Lágrimas se confundiam com os pingos e pensei que não era mais o momento de ficar vivo, se tudo aquilo que havia vivido e acreditado se transformou num mundo desolado, cruel e solitário a qual eu caminhava o melhor a fazer era entregar os pontos e desistir de tudo, de viver, das pessoas, do mundo e da situação. Por um momento de fraqueza tive vontade de gritar e pedir a Deus que me levasse logo, que ali, naquele momento, debaixo de uma chuva torrencial poderia ser o fim de tudo, da minha vida. E nada, apenas trovões... Como um resmungo pelo meu desatino... Queria morrer.

Mas nem pra morrer eu servia... E lembrei que o que ainda me movia eram os filhos e a dor que podia acarretar à minha mãe de uma perda como a do seu filho primogênito. Aquilo me fez cair em prantos, a dor de uma mãe sobre a perda de um filho é algo sem explicação lógica. A dor da perda que sofreria me fez agarrar num fiapo de esperança de que um dia tudo poderia melhorar.

Desse momento guardei a razão de viver no apoio que sempre acreditei ter. Mesmo infeliz numa relação que não mais acreditava, ela me repreendeu por perder forças. Recentemente, quando decidi pelo caminho mais correto na minha vida pessoal e vi que poderia ser condenado por tantas coisas e erros que deveria ter evitado, a minha maior dor ao separar da ex-companheira era de ver que eu poderia ser uma grande decepção para minha mãe.

Dormi mal, visualizei em pesadelos diálogos de reprimenda onde estaria condenado ao fogo do inferno, sofreria a danação por ter feito aquilo que contrariava o que a ela, minha mãe, acreditava. Mas em tantas conversas na última ela demonstrou carinho, compreensão e me abraçou. Disse acreditar que finalmente eu posso ser feliz e que devo contar com ela para o que acredito ser o mais certo a fazer. Encostou a cabeça no meu ombro chorou e disse: "A minha tristeza não é pela sua separação, mas por querer que você seja feliz meu filho. Pois hoje você vive um momento difícil, mas eu creio e sei que você encontrará a sua felicidade. Eu estarei aqui para ajudar você no que for necessário, acredite, eu estarei aqui".

Minhas lágrimas caíram, o meu peito desafogou e depois de semanas senti um alívio e felicidade. Uma esperança explodiu dentro do meu corpo e depois de dias dormindo tão mal, vivendo à míngua de bons sonhos, pude finalmente vislumbrar um caminho viável para ser feliz.

Vivendo um turbilhão de emoções todos os dias, acreditando estar fazendo o melhor que posso agora eu sinto que é hora de cuidar de verdade da minha vida e das pessoas que amo, como o homem que deveria ter sido há tempos. Fiz e ainda faço tantos sacrifícios por aquilo que acredito, que um dia após o outro vou vivendo um amor terno, uma esperança tênue e um crer de que a felicidade demanda de muito trabalho, dedicação e partilha.

Hoje eu não estou mais só, tenho uma pessoa que me faz acreditar naquilo que sou e ainda posso ser. Tenho uma mãe que me ensina que o amor é algo que ainda vale a pena acreditar, pois ele nos move a fazer até o impossível. Mesmo quando estou triste, deprimido, enfraquecido pelo stress da profissão que escolhi, é a força dessas mulheres que me faz acreditar nos meus sonhos e fincar os pés na realidade, sem frescura e com determinação.

E acredito e tenho esperança.... Dias melhores virão e serão sempre bem vindos.

domingo, 5 de setembro de 2010

Um momento apenas

Não compreendi a luz negra sob os nossos olhos naquele entardecer lindo, quando seus cabelos flutuavam ao vento na beira do mirante. Eu brincava com a boca e sorria das coisas que me falava. Não conseguia dar mote a tristeza, mas partilhar um momento de espontânea felicidade.

- O que você está pensando?

Eu, calado, olhando para o rosto dela, acaricio sua fronte com dois dedos e me permito emocionar com o seu doce sorriso.

- Quase nada, mas faz um tempo né? Onde a gente estava mesmo há seis meses?

Ela abaixou os olhos, franziu a testa e ficou meditativa por alguns momentos.

- Cada um vivendo a sua vida?

Eu assentei a cabeça positivamente e lembrei do primeiro sinal de carinho, quando num dia em que estava triste colocou seu rosto no meu ombro e fechou os olhos. Abracei.

- Sim, cada um vivendo a sua vida. Eu procurava um meio de ser feliz, mas ainda assim era uma busca quase perdida.

Ela olhou para o lado e parecia ter me ignorado ao falar isso. Ficou quieta por alguns instantes. Não entendi a sua reação, mas foi o suficiente para compreender que ela não passava pela mesma situação quando ainda não estávamos juntos.

- ... Sabe, eu precisava de uma pessoa que inspirasse, demonstrasse um comum interesse pela vida como eu.

Ela então me olhou diretamente e colocou sua mão no meu rosto.

- Eu sei, também buscava isso, mas não imaginei que fosse agora...

Como podia? O que havia no mundo, nas pessoas, na observação que fazia involuntariamente da minha vida em comparação com a dos outros. Procurava entender que o destino não acontecia assim de uma hora para outra. Por que então que havia uma conspiração, ou próximo a isso, de que sentimentos tão próximos, necessidades tão iguais de carinho pudessem ser encontrados em momentos tão inesperados.

- Queria poder encontrar uma explicação lógica para o que eu sinto. Poderia dizer pra você, é só amor. Mas o amor é simples, a palavras pode ser apenas uma palavra, o que me faz viver isso são os meus atos, a minha entrega. Me entreguei a você. Deixei um mundo novo abrir para os meus olhos e revivo sentimentos que nunca imaginei encontrar, ou pelo menos não agora...

Ela sorriu de leve, abaixou a cabeça e depois olhando para o horizonte deixou lindamente seus cabelos esvoaçarem ao vento.

- ... a vida me apresenta algo que eu deveria previr, pelo menos saber agir. Eu vou por instinto, mas com a experiência que ela me ensinou duramente. O meu medo é estar sozinho.

- O meu é estar sozinha, mas queria ter um amigo, um amor, alguém que me desse a solidez da vida que necessito.

Sorri, acompanhei os seus olhos e ao fundo uma música tocava com uma inspiração... Melodia lenta, respiração pausada, ritmo de romance.

Eu peguei a mão dela e ela apertou os meus dedos, acariciou com outra mão e concluiu.

- Estamos bem, não estamos?

-Sim, por mais um dia estamos sim. Vivo pelo teu sorriso, respiro pelos teus carinho, mas caminho por meus passos na busca da nossa felicidade.

Ela chegou próxima de mim e nada disse. A música aumentou ao longe e chegou a nossos ouvidos como um momento de magia, mas real.

sábado, 14 de agosto de 2010

Tempo voa...

Tempo voa... e não estabiliza no primeiro momento em que vi
Vi o caminhar lento dos passos receosos...
Olhos baixos, escondidos pelos óculos escuros
Havia segredos... Omissões a serem veladas
Como encarar a verdade de frente se não estamos mais sós...

Desvencilha da vida passada, mas é difícil
A natureza, existe uma conspiração em volta pelo fim...
Fim de tarde que nunca chega...

Tempo voa e tudo passa tão rápido...
não há mais tempo...
apenas suspiros...
Um entrelace de mãos que une uma esperança...

Daquela que brilha nos sonhos mais íntimos e perdura
Dura como um segredo que só o tempo é capaz de revelar...

Onde vamos construir morada.

O tempo voa...